<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483</id><updated>2011-04-22T05:45:09.342+01:00</updated><title type='text'>Socio[B]logue</title><subtitle type='html'>Diario de Campo: Observaçoes, Reflexoes e Interrogaçoes Sociologicas</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://socioblogue.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>63</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-106881686499092498</id><published>2003-11-14T13:34:00.000Z</published><updated>2003-11-14T13:34:44.590Z</updated><title type='text'>Mudança</title><content type='html'>O Socio[B]logue mudou-se. Encontra-se agora em &lt;a href="http://www.socioblogue.weblog.com.pt/"&gt;http://www.socioblogue.weblog.com.pt/&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-106881686499092498?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/106881686499092498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/106881686499092498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_11_09_archive.html#106881686499092498' title='Mudança'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-106148567594404141</id><published>2003-08-21T18:07:00.000+01:00</published><updated>2003-08-23T00:21:20.550+01:00</updated><title type='text'>A Democracia na América (act.)</title><content type='html'>Pego no &lt;a href="http://www.dn.pt/"&gt;Diário de Notícias&lt;/a&gt; de terça-feira. Parto em busca de uma entrevista a que dei, nesse dia, uns relances descuidados. Falo, claro, do diálogo do historiador de cultura norte-americano Peter Gay com Martin Doerry e Jen Fleischauer do &lt;a href="http://www.spiegel.de/"&gt;Der Spiegel&lt;/a&gt;.  Pelo caminho, deparo-me com uma brevíssima nota que me passou então despercebida. Fala de um relatório do &lt;a href="http://www.usdoj.gov/"&gt;Departamento de Justiça&lt;/a&gt; norte-americano. Nesse relatório, de acordo com o &lt;a href="http://www.dn.pt/"&gt;DN&lt;/a&gt;, é indicado que cerca de 5,6 milhões de cidadãos norte-americanos já tiveram, pelo menos, uma experiência prisional (2,7 por cento da população adulta, isto é, 1 em cada 37 adultos). Menciona, também, que no final de 2001 a população prisional norte-americana andava perto dos 2,1 milhões de indivíduos. Estes números parecem, talvez, pouco expressivos. Ou melhor, são apenas números - absolutos e abstractos - e, por conseguinte, não parecem dar-nos uma noção, ainda que parcial, da sua relevância. Um exercício comparativo mostra-nos, todavia, a (insólita) dimensão do fenómeno. Nos Estados Unidos, em 1997, a população prisional era de 1.785.079 indivíduos. Esse número representa uma taxa de reclusão de 648 por 100.000 habitantes. Em Portugal, de longe o país da União Europeia com a taxa de reclusão mais elevada, ela era, à mesma data, seis vezes mais baixa: 145 reclusos por 100.000 habitantes (Wacquant, 2000: 76). Porém, mesmo que expressivo, este confronto de números (e realidades) elide a complexidade da questão prisional nos EUA. Com efeito, o quadro é bem mais complexo. A sociografia da população prisional norte-americana mostra-nos que esta é constituída, primacialmente, por grupos étnicos específicos: maioritariamente negros e hispânicos. Nesses grupos populacionais - ou, pelo menos, em boa parte das suas comunidades - as percentagens de pessoas com experiências prisionais são alarmantes. Pior: assustadoras. Existe, por isso, um número considerável de investigadores que se têm procurado debruçar sobre a singular realidade prisional norte-americana. Refiro, a título exemplificativo, os casos de David Garland, Loïc Wacquant, Michael Tonry, Jock Young, Franklin Zimring, Bruce Western, David Downes, Elijah Anderson, Katherine Beckett, Marc Mauer ou Jonathan Simon. E é por isto, também, que alguns desses autores têm falado de uma «exclusive society» (Young, 1999), de uma «mass imprisonment society» (Garland, 2001) ou de uma «age of mass incarceration» (Wacquant, 2002). As expressões parecem excessivas, bem sei. Mas não são.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Garland, David (ed.) (2001), &lt;em&gt;Mass Imprisonment: Social Causes and Consequences&lt;/em&gt;, Londres: Sage Publications.&lt;br /&gt;Young, Jock (1999), &lt;em&gt;Exclusive Society: Social Exclusion, Crime and Difference in Late Modernity&lt;/em&gt;, Londres: Sage Publications.&lt;br /&gt;Wacquant, Loïc (2000), &lt;em&gt;As Prisões da Miséria&lt;/em&gt;, Oeiras: Celta Editora.&lt;br /&gt;Wacquant, Loïc (2002), «The Curious Eclipse of Prison Ethnography in the Age of Mass Incarceration», &lt;em&gt;Ethnography&lt;/em&gt;, Nº3-4, pp. 371- 397.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-106148567594404141?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/106148567594404141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/106148567594404141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_08_17_archive.html#106148567594404141' title='A Democracia na América (act.)'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-106143901836821242</id><published>2003-08-21T05:10:00.000+01:00</published><updated>2003-08-21T05:10:18.416+01:00</updated><title type='text'>Confissões</title><content type='html'>Pedro Lomba (&lt;a href="http://www.florobsessao.blogspot.com/"&gt;Flor de Obsessão&lt;/a&gt;), evocando Eco, acaba de escrever um apontamento sobre &lt;a href="http://www.florobsessao.blogspot.com/2003_08_01_florobsessao_archive.html#106139277722562617"&gt;como se faz uma tese&lt;/a&gt;. Diz assim: "&lt;em&gt;acumulamos notas, referências, leituras indesejadas, bibliografias, parágrafos pesados, prosa deslavada, lemos, relemos, copiamos, inventamos, acorremos a bibliotecas, sabemos de cor a exacta localização dos livros, retemos dezenas de títulos na cabeça, lombadas, capas duras, apetece-nos muito fazer isto, não nos apetece nada fazer isto, sabemos para onde vamos, não sabemos o caminho, horas sentados, horas sem avançar, horas a pensar no romance que ficou em cima da cómoda, dúvidas, hesitações, algum sofrimento, uma imensa satisfação com o trabalho que fica feito, hoje somos produtivos, ontem tudo saiu a custo, hoje não sai nada, aprender a viver assim, erráticos, moles, de vez em quando despertos, de vez em quando muito vivos, muito capazes, depois o tédio, a amargura, a impossibilidade, largar a cadeira, o computador, a mesa de trabalho e caminhar, caminhar sempre&lt;/em&gt;". É assim que passo os meus dias. Boa parte deles. Quase todos eles. Foi por isso, também, que nasceu o Socio[B]logue. Quando digo também, entenda-se, quero dizer sobretudo. &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-106143901836821242?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/106143901836821242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/106143901836821242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_08_17_archive.html#106143901836821242' title='Confissões'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-106139166449785798</id><published>2003-08-20T16:01:00.000+01:00</published><updated>2003-08-20T16:06:26.420+01:00</updated><title type='text'>GLO: Impactes Não Intencionais da Acção Social</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Impactes Não Intencionais da Acção Social.&lt;/strong&gt; Consequências, impactes ou efeitos negativos ou positivos - imprevistos e não intencionais - resultantes de acções intencionais iniciadas com outros propósitos que não aqueles em que resultam. Resultado não intencional de acções intencionais. São aquilo que Raymond Boudon designava de «effects pervers», Robert K. Merton de «unanticipated consequences of purposive social action» e Jon Elster de «unintended consequences of action».&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-106139166449785798?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/106139166449785798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/106139166449785798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_08_17_archive.html#106139166449785798' title='GLO: Impactes Não Intencionais da Acção Social'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-106139037477444782</id><published>2003-08-20T15:39:00.000+01:00</published><updated>2003-08-20T15:40:20.493+01:00</updated><title type='text'>Sem Comentários</title><content type='html'>Ver &lt;a href="http://jornal.publico.pt/2003/08/20/Mundo/I01.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://jornal.publico.pt/2003/08/20/Destaque/X01.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.dn.sapo.pt/noticia/noticia.asp?CodNoticia=116854&amp;codEdicao=791&amp;codAreaNoticia=12"&gt;aqui&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.guardian.co.uk/Iraq/Story/0,2763,1022217,00.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.elpais.es/afondo/personainfgeneral.html?id=1405"&gt;aqui&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/articles/A17375-2003Aug19.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.nytimes.com/2003/08/20/international/middleeast/20MIDE.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://economist.com/agenda/displayStory.cfm?story_id=2002799"&gt;aqui&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.lemonde.fr/article/0,5987,3218--331014-,00.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.sfgate.com/cgi-bin/article.cgi?file=/c/a/2003/08/20/MN14281.DTL"&gt;aqui&lt;/a&gt;. Sem comentários.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-106139037477444782?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/106139037477444782'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/106139037477444782'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_08_17_archive.html#106139037477444782' title='Sem Comentários'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-106135057055574316</id><published>2003-08-20T04:36:00.000+01:00</published><updated>2003-08-23T00:07:34.406+01:00</updated><title type='text'>A Era dos Juízes (act.)</title><content type='html'>Ralf Dahrendorf, o sociólogo de origem alemã e antigo reitor da &lt;a href="http://www.lse.ac.uk/"&gt;London School of Economics (LSE)&lt;/a&gt;, publicou agora um texto intitulado &lt;a href="http://jornal.publico.pt/2003/08/19/EspacoPublico/O01.html"&gt;«A Era dos Juízes»&lt;/a&gt; (&lt;a href="http://jornal.publico.pt/"&gt;O Público&lt;/a&gt;, Terça-feira, 19 de Agosto de 2003). Nesse pequeno texto, o autor produz uma breve reflexão sobre a relevância dos sistemas judiciais nas sociedades contemporâneas. Há duas passagens do texto que me prenderam a atenção e que aqui exploro brevemente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No seio da sua argumentação, Dahrendorf sugere que "&lt;em&gt;[a]s pessoas comuns associam vagamente independência com verdade e partidarismo com mentiras ou pelo menos com falta de confiança&lt;/em&gt;". Falava, então, nas representações sociais das populações face aos juízes e ao poder judicial. Dediquei-me, durante algum tempo, a analisar discursos de ex-reclusos sobre o sistema judicial, por meio de análises de conteúdo a entrevistas biográficas. Tal objecto ocupava então uma posição lateral ou periférica nas minhas preocupações. Era, ainda assim, indispensável para a interpretação de determinadas disposições em ex-reclusos. Num determinado momento, num pequeno módulo de "entrevista directiva", os inquiridos eram convidados a reflectir sobre a sua experiência judicial. Tal exercício pretendia, sobretudo, desencobrir as suas representações sociais face ao sistema judicial e juízes, tanto antes como depois do período de reclusão, sublinhando as diferenças entre os dois períodos, caso as houvesse. E havia. De um modo geral, os juízes eram associados, num momento inicial, a vocábulos como independência, imparcialidade, verdade, neutralidade ou justiça. Notava-se uma representação inicial, relativamente regular, onde existia, de forma mais ou menos pronunciada, uma espécie de "superioridade moral" dos juízes (só comparável à profissão médica, igualmente valorizada nesse sentido). Curiosamente, após os períodos de reclusão, essas representações tendiam a diluir-se parcialmente. E, em alguns casos mais sérios, a desaparecer. Nesses casos, os juízes eram retratados já sem essa "superioridade moral" anteriormente atribuída. Pelo contrário: eram olhados com alguma desconfiança. Quando confrontados com essa diferença pré e pós reclusão respondiam-me, invariavelmente, recordando episódios marcantes da sua experiência pessoal. Diziam-me coisas como: "&lt;em&gt;Sabe, eu não estava à espera que o senhor juiz fosse assim. Ele exaltava-se muito. Às vezes mandava bocas. Enfim, nem parecia um juiz... E os do TEP são os piores.&lt;/em&gt;" ("Paulo", ex-recluso). Frise-se, nas palavras do inquirido, a surpresa - fenómeno tão interessante quanto recorrente. A atitude, no essencial, não é diferente daquela que muitas pessoas experienciaram quando viram o juiz Rui Teixeira na televisão de t-shirt e de calças de ganga; ou quando ouviram o presidente do Conselho Superior da Magistratura exaltado; ou, ainda, aquando das nervosas aparências televisivas da juíza Conceição Oliveira. Essas aparições públicas "humanizam", em excesso, os juízes retirando-lhes a "superioridade moral" que parece acompanhar, geralmente, a sua profissão. Um dos impactes da mediatização da justiça tem sido, precisamente, essa "dessacralização" de algumas profissões judiciais. Questão que merecia, porventura, um pouco mais de atenção por parte das ciências sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dahrendorf, no seu texto, diz também que "&lt;em&gt;[n]as sociedades modernas, as influências exercidas sobre pessoas aparentemente independentes são numerosas e difíceis de controlar&lt;/em&gt;". O caso dos juízes é disso paradigmático. Parte significativa dos juízes possui uma preparação técnica insuficiente. Aplicam, em excesso, estereótipos sociais e noções de senso comum nas suas decisões. Ademais, fazem, vezes demais, exercícios questionáveis de "sociologia espontânea". Em tempos, no final dos anos 80, houve a percepção dessa fragilidade e o Gabinete de Estudos Jurídico-Sociais (GEJS) do &lt;a href="http://www.cej.pt/"&gt;Centro de Estudos Judiciários (CEJ)&lt;/a&gt; encetou uma série de estudos sócio-antropológicos no sentido de melhor conhecer a realidade judicial, criminal e penitenciária portuguesa e de servirem como suporte da formação inicial, complementar e permanente de magistrados. Nesses estudos participaram, entre outros, investigadores como Nelson Lourenço, Manuel Lisboa, Carlos Laranjo Medeiros, Mário Baptista Coelho, Eliana Gersão, Manuela Ivone Cunha, J. J. Semedo Moreira ou Susana Trovão Pereira Bastos. Os impactes dessas medidas e desses estudos não foram e não têm sido particularmente visíveis. Com efeito, muitas decisões de juízes, nomeadamente do TEP, continuam a ser excessivamente permeáveis a noções de senso comum. E, infelizmente, com excessiva e inusitada frequência. Tal facto é tanto mais preocupante quando se sabe que, entre nós, não existe uma tradição particularmente consolidada de sistemas de pericialidade científica de apoio a decisões judiciais. Dahrendorf diz estarmos na era dos juízes. Não discordo. Mas julgo que seria mais correcto dizer que estamos na era dos "juízos" dos juízes. Assim mesmo: com aspas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-106135057055574316?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/106135057055574316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/106135057055574316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_08_17_archive.html#106135057055574316' title='A Era dos Juízes (act.)'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-106130905944826088</id><published>2003-08-19T17:04:00.000+01:00</published><updated>2003-08-19T17:04:19.456+01:00</updated><title type='text'>OBS: José Medeiros Ferreira, o Zapping e os Corpos</title><content type='html'>Leio a &lt;a href="http://www.dn.sapo.pt/cronica/mostra_cronica.asp?codCronica=5455&amp;codEdicao=790"&gt;coluna habitual&lt;/a&gt; do historiador José Medeiros Ferreira no &lt;a href="http://www.dn.pt/"&gt;Diário de Notícias&lt;/a&gt;. Fala de zapping. Retive, do texto, uma passagem curiosa. Falando da sua experiência, JMF confessa: "&lt;em&gt;Nos filmes, sempre que prevejo a repetição de algum «encontro de corpos», lanço-me na aventura do canal após canal.&lt;/em&gt;". Estou longe de pensar que tal prática se trata de uma idiossincracia de JMF. Pelo contrário. Julgo ser uma atitude de desconforto frequente e que varia, significativamente, consoante o género, a idade e a classe social dos espectadores. Norbert Elias explica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-106130905944826088?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/106130905944826088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/106130905944826088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_08_17_archive.html#106130905944826088' title='OBS: José Medeiros Ferreira, o Zapping e os Corpos'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-106121925449329373</id><published>2003-08-18T16:07:00.000+01:00</published><updated>2003-08-18T21:28:37.583+01:00</updated><title type='text'>História e Estória, Ainda (act.)</title><content type='html'>Depois de uma breve investigação, Rui Oliveira, num esforço &lt;strong&gt;admirável&lt;/strong&gt;, vem acrescentar algumas considerações de interesse no que diz respeito à questão dos termos história e estória (que &lt;a href="http://www.socioblogue.blogspot.com/2003_08_10_socioblogue_archive.html#106060109995047098"&gt;aqui&lt;/a&gt; começara a ser debatida). Quanto à polémica entre os apologistas da diferenciação entre os vocábulos história e estória e aqueles que preconizam a manutenção do termo história como portador dos dois sentidos, Rui Oliveira apresenta a sua posição a partir de uma breve passagem de Jacques Le Goff na Enciclopédia Eunadi. Le Goff  diz assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;A palavra "história" (em todas as línguas românicas e em inglês) vem do grego antigo historie, em dialecto jónico [Keuck 1934]. Esta forma deriva da raiz indo-europeia wid-, weid, "ver". Daí o sânscrito vettas "testemunha" e o grego histor "testemunha" no sentido de "aquele que vê". Esta concepção da visão como fonte essencial de conhecimento leva-nos à ideia que histor "aquele que vê" é também aquele que sabe; historein em grego antigo é "procurar saber", "informar-se". Historie significa pois «procurar». É este o sentido da palavra em Heródoto, no início das suas Histórias, que são, que são «investigações», «procuras» [cf. Benveniste 1969, t. II, pp. 173-174; Hartog 1980]. Ver, logo saber, é um primeiro problema. Mas nas línguas românicas (e noutras) "história" exprime, dois, senão três, conceitos diferentes. Significa: 1) esta «procura das acções realizadas pelos homens» (Heródoto) que esforça por se constituir em ciência, a ciência histórica; 2) o objecto de procura é o que os homens realizaram. Como diz Paul Veyne, «a história é, quer uma série de acontecimentos, quer a narração desta série de acontecimentos» [1968, p. 423]. Mas a história pode ter ainda um terceiro sentido, o de narração. Uma história é uma narração, verdadeira ou falsa, com base na «realidade histórica» ou puramente imaginária pode ser uma narração histórica ou uma fábula. O inglês escapa a esta última confusão porque distingue entre history e story (história e conto). As outras línguas europeias esforçam-se por evitar esta ambiguidade. O italiano tem tendência para designar se não a ciência histórica, pelo menos as produções desta palavra por "storiografia", o alemão estabelece a diferença entre a actividade «científica», Geschichtschreibung, e a ciência histórica propriamente dita, Geschichtswissenschaft.&lt;/em&gt;" (Le Goff, 1984: 158).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir das palavras de Le Goff, Rui Oliveira expõe, novamente, a sua posição quanto a esta questão. Preconiza, uma vez mais, que a distinção entre história e estória não tem razão de existir, na medida em que não existe nenhuma vantagem em ter dois termos  monossémicos em vez de um vocábulo polissémico. Nas suas palavras:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Para mim, que entendo que as palavras não existem isoladas, mas em textos (entendendo o texto como um evento comunicativo), a polissemia de um termo não me incomoda, pois, habitualmente, o contexto comunicativo retira a ambiguidade que por vezes o termo possa ter devido aos seus vários significados. Quem entende a língua, exclusivamente, na sua vertente de sistema pode achar que a polissemia prejudica a compreensão. Esquecem-se, no entanto, que esse sistema é virtual e aquilo que pode ser ambíguo nesse sistema virtual, pode ser completamente claro num texto (aliás, isso acontece imenso nos exemplos apresentados como ambiguidades nas gramáticas que utilizam frases isoladas em que, quando se incluem essas frases em contextos reais, essas ambiguidades desaparecem. São em casos muito raros é que os termos são monossémicos. As pessoas têm a competência comunicativa («une connaissance conjuguée de normes de grammaire et de normes d'emploi» Hymes 1984:47), que lhes permite distinguir, entre outras coisas, o significado daquilo que lhe é dito. Por isso, entendo que a distinção história / estória não tem razão de existir, pois não é uma distinção essencial num contexto comunicativo. No entanto, longe estou de chamar ignorante a quem quiser usar estória, pois, se pessoalmente não a usarei, a língua não é estática e, se os seus utilizadores adoptarem a palavra, ela terá o destino que eles quiserem.&lt;/em&gt;?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mas, para além desse notável contributo, o autor vai mais longe no que diz respeito à etimologia do termo história, entrando em debate com a contribuição de &lt;a href="http://bomba-inteligente.blogspot.com/"&gt;Carla Hilário de Almeida&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;"&lt;em&gt;Entre "rede" e "aquele que vê" parecia-me que para além de uma certa proximidade ortográfica (em grego), a raiz teria de ser diferente. Desde já digo que não sei muito de grego e sabendo que a Carla Hilário de Almeida sabe grego, quis perceber o porquê desta diferença de etimologia. Assim, como se vê no número 2 do anexo, encontrei na Biblioteca da FLUP um dicionário etimológico de grego, já antigo (1923), mas que me deu um primeiro esclarecimento pois em entradas sucessivas lá estavam histos e histor. Mais uma vez histor era apontado como etimologia de história. Mas, no entanto, faltava-me confirmar ainda a questão da raiz. E essa, encontrei-a na net, números 3 e 4. Tal como eu suspeitava, as duas palavras tinham raízes diferentes. Se eu conhecia a raiz de histor (wid-, weid), não sabia qual seria a raiz de histos. No entanto, o dicionário mencionado no número 2 dava-me uma pista, a palavra latina stamen. Depois de encontrar a página da net do American Heritage Dictionary, encontrei então a raiz de histos, que é sta (número 4 do anexo), o que tem lógica, pois, por exemplo, o verbo stare significa, "estar de pé, estar levantado". E, mais ainda, no número 4, no parágrafo III, lá está histos "web", "tissue". Parece-me pois que a etimologia de história estará efectivamente em histor. No número 5, uma pequena tradução de Heródoto na antologia Hélade, em que historie é traduzida por "informações". Ainda na mesma antologia a palavra historia aparece em textos de Platão e Aristóteles e é traduzida por, em ambos os casos, "investigações". Tudo isto concorda com a etimologia de histor.&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota Adicional 1: As referências citadas por Rui Oliveira encontram-se num ficheiro doc de anexos que o autor me enviou. Para quem quiser aprofundar a questão encontra-se aqui disponível [&lt;a href=" http://pwp.netcabo.pt/socioblogue/historia.doc"&gt;historia.doc (203Kb)&lt;/a&gt;].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota Adicional 2: Nuno Dempster (&lt;a href="http://dempster.weblogger.terra.com.br/"&gt;Palavras &amp; Letras&lt;/a&gt;), teceu algumas considerações em redor deste tópico num post que titulou &lt;a href="http://dempster.weblogger.terra.com.br/"&gt;«Uma história versus outra estória»&lt;/a&gt;. Diz assim: "&lt;em&gt;Li em tempos, algures, que estória seria para suprir uma hipotética ausência de um termo equivalente à expressão short story, com a sua tipificidade narrativa, e para a distinguir do conto. Aquela em geral apresenta um desenvolvimento mais amplo no espaço e no tempo, mais ou menos extensa narrativanente, não exige, como canonicamente o conto exige, uma grande contenção na extensão narrativa e uma forte convergência para o final, um espaço e um tempo narrativos curtos (o tempo aqui muitas vezes surge aumentado por analepses), um fim inesperado. Mas história, no contexto em que é aplicada, nunca se pode confundir com História, como escreve Rui Oliveira no Socioblogue, ninguém as confundiria, e daí parecer-me inútil e não isento de pose, em português de Portugal, o emprego da palavra estória. No mais, trata-se apenas de uma escolha pessoal: a língua evolui independentemente da vontade de cada um. Hoje é sabido que os géneros se interpenetram, e, depois, para maior confusão, há quem chame contos a histórias, histórias a contos, mas também quem chame histórias a histórias, e contos, a contos, e ainda contos e romances a novelas. Não se trata de descobrir o sexo dos anjos, isto é, de saber o que é uma coisa e o que é outra num tempo em que a narrativa de ficção se apresenta cada vez mais mista, nem me refiro a países de língua portuguesa, como o Brasil, Angola e Moçambique, onde é sabido que a palavra estória é empregada com frequência. É, português, pensar alto, escrevendo e fixando melhor assim as ideias que vou apurando.&lt;/em&gt;". Ainda antes de o escrever já o autor havia observado o seguinte, na secção de comentários do Socio[B]logue: "&lt;em&gt;Além de Guimarães Rosa, também já há bastante tempo Luandino Vieira usou o termo em Luuanda, se não estou enganado. No entanto, há uns dois anos li algures que "estória", nos escritores mais recentes, poderia ser um termo substituto da short story americana por distinção de conto (temos o termo história para isso), ambos formalmente diferentes no seu tipo de estrutura narrativa. E é curioso como, ao invés, Luísa Costa Gomes, por exemplo, intitula, como de contos, livros seus que, formalmente, seguem o desenvolvimento das short stories americanas. Já Teolinda Gersão, outro exemplo, intitula, quanto a mim muito correctamente, "Histórias de Ver e Andar", um livro de histórias que não têm de forma nenhuma a estrutura de contos. Até que ponto "estórias" será uma questão de boa consciência, ou mesmo de pose, não sei. Sei que em Portugal há histórias e há contos, correspondentes, como disse, a duas formas diferentes de narrativa curta de ficção (quanto ao desenvolvimento temporal e espacial).&lt;/em&gt;"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-106121925449329373?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/106121925449329373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/106121925449329373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_08_17_archive.html#106121925449329373' title='História e Estória, Ainda (act.)'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-106087885269126998</id><published>2003-08-14T17:34:00.000+01:00</published><updated>2003-08-14T17:45:04.533+01:00</updated><title type='text'>Os Cultos da Carga</title><content type='html'>O antropólogo Miguel Vale de Almeida (&lt;a href="http://valedealmeida.blogspot.com/"&gt;Os Tempos que Correm&lt;/a&gt;), numa breve nota, referiu-se recentemente a um curioso fenómeno originário de algumas ilhas do Pacífico Ocidental. Mais precisamente do Pacífico Sudoeste (Papua, Yaliwan, Vanuatu). A esse fenómeno, comum na região da Melanésia e Nova Guiné e muito estudado pelos antropólogos no primeiro terço do século XX, deu-se o intrigante nome de «cultos da carga». Como explica &lt;a href="http://valedealmeida.blogspot.com/"&gt;Vale de Almeida&lt;/a&gt; "&lt;em&gt;existia, há 75 anos atrás, na área do Pacífico e Melanésia, um fenómeno que apelidámos de "cargo cults" (cultos da carga). Os alegres primitivos da zona, quando foram expostos ao Ocidente-Mercado, acharam que aquelas mercadorias todas eram coisa divinamente produzida. Eles viam os colonizadores construirem portos e pistas de aviação, e viam que através delas chegavam uma série de coisas boas. Vai daí puseram-se a construir imitações de portos e pistas aéreas, na esperança de que a "carga" chegasse.&lt;/em&gt;". Embora Vale de Almeida o elida, estes cultos, uma espécie de sebastianismo melanésio, não são uniformes. Com efeito, segundo se pensa, existiram cerca de 70 formas diversas de «cultos de carga», com ligeiras dissemelhanças entre si (os primeiros «cultos de carga» relatados foram Baigona, 1912, e Vailala, 1919). Alguns possuem especificidades curiosas. Por exemplo, em três grupos populacionais das ilhas Vanuatu é celebrado um deus chamado John Frum ou Jon Frum. Julga-se que Frum foi um viajante que esteve nas ilhas antes da chegada dos missionários cristãos em meados do século XIX. Ainda hoje alguns melanésios aguardam, messianicamente, o seu regresso. Aos nossos olhos tais práticas parecem, é certo, ridículas. Próprias de um «wishful thinking» primitivo. Mas também entre nós encontramos práticas que não andam muito longe dos «cargo cults» melanésios. E não são poucas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota Adicional 1: As ciências, em geral, também possuem os seus cultos. Há até um autor - Richard Feynman - que tem falado da existência de uma «Cargo Cult Science».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota Adicional 2: Talvez, posteriormente, faça uma pequena lista, para acrescentar a esta nota, de algumas práticas que não andam muito longe dos «cargo cults» melanésios.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-106087885269126998?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/106087885269126998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/106087885269126998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_08_10_archive.html#106087885269126998' title='Os Cultos da Carga'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-106081468441277165</id><published>2003-08-13T23:44:00.000+01:00</published><updated>2003-08-14T06:11:25.410+01:00</updated><title type='text'>GLO: O Paradoxo de Olson</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O Paradoxo de Olson.&lt;/strong&gt; Por vezes, indivíduos, ou grupos de indivíduos, encetam uma determinada forma de comportamento oportunista motivada por determinados interesses particulares a que se dá o nome de «paradoxo de Olson». O «paradoxo de Olson» refere-se ao desenvolvimento de determinado tipo de comportamento, baseado no cálculo racional de custos-benefícios, onde se procura tirar partido das vantagens de algo, sem a assunção dos respectivos encargos, ónus ou contrapartidas. Nesses casos, os «custos» ficam a cargo de terceiros. A esses indivíduos, ou grupos, que procuram retirar o máximo de benefícios da acção de outros evitando, simultânea e intencionalmente, os respectivos ónus dá-se o nome de «free-riders». A designação «paradoxo de Olson» resulta do facto deste princípio ter sido expresso, primeiramente, por Mancur Olson, sociólogo e economista de origem norte-americana, na sua obra «&lt;em&gt;A Lógica da Acção Colectiva&lt;/em&gt;» (1971). Entre os inúmeros exemplos típicos deste tipo de comportamento encontram-se, por exemplo, a greve motivada pela contestação salarial e o trabalho em equipa desequilibrado. No primeiro caso, aqueles que não fazem greve usufruem, por norma, dos benefícios da acção daqueles que fazem greve sem, todavia, assumirem os riscos e custos que esse comportamento envolve. No segundo caso, aqueles que menos contribuem para os resultados do trabalho em equipa são, habitualmente, tão beneficiados como os restantes. &lt;br /&gt;Olson, Mancur (1971 [1998]), &lt;em&gt;A Lógica da Acção Colectiva: Bens Públicos e a Teoria dos Grupos&lt;/em&gt;, Oeiras: Celta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma breve nota adicional, de carácter excepcional, de crítica cultural: Portugal é um país particularmente fértil no que respeita a «free-riders». Enfim, idiossincrasias culturais lusitanas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-106081468441277165?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/106081468441277165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/106081468441277165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_08_10_archive.html#106081468441277165' title='GLO: O Paradoxo de Olson'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-106060109995047098</id><published>2003-08-11T12:24:00.000+01:00</published><updated>2003-08-14T11:42:00.613+01:00</updated><title type='text'>Arqueologia Linguística: Entre a História e a Estória (act.)</title><content type='html'>Em uma, mais uma, das minhas frequentes deambulações pelos empoeirados arquivos da blogosfera deparei-me com uma breve consideração, no blogue &lt;a href="http://tempore.blogspot.com/"&gt;Tempore&lt;/a&gt;, sobre a distinção entre os termos estória e história [&lt;a href="http://tempore.blogspot.com/2003_06_01_tempore_archive.html"&gt;texto&lt;/a&gt;]. Diz assim: "&lt;em&gt;Na minha opinião estória(s) reporta-se ao anedótico, ao pequeno relato. Julgo que a História é um composto do anterior, logo mais estrutural.&lt;/em&gt;". Esse tópico mereceu-me já alguma atenção num texto anterior (&lt;a href="http://www.socioblogue.blogspot.com/2003_06_29_socioblogue_archive.html#105701412771074735"&gt;Walter Benjamin, a História dos Vencidos e a Guerra Civil Espanhola&lt;/a&gt;). Porém, estando a dedicar-me a esboçar timidamente alguns procedimentos genealógicos ou arqueológicos, não resisto a retornar ao tema em causa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, com efeito, um debate - interessante e controverso, embora algo adormecido - sobre a distinção linguística entre os termos «história» e «estória». Segundo a posição costumeira, a primeira expressão reporta-se ao estudo do passado das sociedades humanas ou, em alternativa, refere-se a esse próprio passado. Não será, talvez, inusitada uma consideração adicional: embora de uso corrente, o termo «história» deveria somente designar a evolução da humanidade e o passado das sociedades humanas. Com efeito, a expressão correcta para designar o estudo desse passado - a ciência histórica - será, porventura, o termo «historiografia». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o segundo vocábulo, «estória», é utilizado na designação de textos ficcionais ou relatos narrativos. Não obstante o facto da raiz etimológica de ambos os termos ser a mesma - ambas derivam do grego «historía» por meio do latim «historîa» (talvez a &lt;a href="http://bomba-inteligente.blogspot.com/"&gt;Bomba Inteligente&lt;/a&gt; ou o &lt;a href="http://latinistailustre.blogspot.com/"&gt;Latinista Ilustre&lt;/a&gt; o possam confirmar ou infirmar) -, a distinção entre ambos visa acompanhar a diferenciação, de raiz anglo-saxónica, entre os termos «story» e «history». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, o termo «estória» está longe de ser novo ou recente. Encontra-se, aliás, mais próximo de constituir um arcaísmo do que um neologismo. Na verdade, esse termo constitui uma expressão remota, resgatada de alguns textos manuscritos de copistas medievais portugueses - textos escritos quando a estrutura da ortografia ainda se encontrava pouco sedimentada. Surgiam então, com inusitada frequência, os termos «historia», «hestoria», «estoria», «istoria» ou «estorea» enquanto equivalentes. Ou melhor, como grafias distintas de uma mesma expressão. Essa curiosa polissemia ortográfica foi experienciada, de igual modo, pela maioria das línguas latinas. Todavia, com o tempo, tendeu a prevalecer uma forma única na generalidade desses idiomas: o português «história», o francês «histoire», o castelhano «historia», o catalão «història» e o italiano «storia» são disso um bom exemplo. Na realidade, em Portugal, só a partir do séc. XVI cessaram essas «indecisões ortográficas». Essa estabilização concretizou-se, sobretudo, após a publicação das gramáticas de Fernão de Oliveira («&lt;em&gt;Gramática da Linguagem Portuguesa&lt;/em&gt;», 1536) e de João de Barros («&lt;em&gt;Gramática da Língua Portuguesa&lt;/em&gt;», 1540), os primeiros gramáticos portugueses. Essas obras contribuíram, de forma inelutável, para a fixação da língua portuguesa. Foi António Maria José de Melo Silva César e Menezes, Conde de Sabugosa, quem primeiro recuperou e propôs a adopção do termo «estória» para designar a narrativa de ficção. Fê-lo em 1912, no prefácio do seu livro «&lt;em&gt;Dama dos tempos idos&lt;/em&gt;». Pouco depois, em 1919, seria acompanhado por João Ribeiro, afamado etnógrafo brasileiro. Quem, todavia, popularizou a expressão, reabilitando-a definitivamente, foi João Guimarães Rosa, um dos maiores vultos da literatura brasileira do século XX, ao publicar a sua obra «&lt;em&gt;Primeiras Estórias&lt;/em&gt;» em 1962. De então até hoje mantém-se, em regime de latência, a polémica entre os apologistas da diferenciação entre os vocábulos história e estória e aqueles que preconizam a manutenção do termo história como portador dos dois sentidos. Fica a curiosidade arqueológico-linguística.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota Adicional 1. A grafia dos termos em grego e latim não se encontra correcta, na medida em que não a consegui aqui reproduzir literalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota Adicional 2. Rui Oliveira, na secção de comentários a este pequeno exercício arqueológico, produziu um breve texto onde preconiza a inutilidade da diferenciação entre os vocábulos história e estória. No quadro da sua argumentação em favor da indistinção entre os dois termos, Rui Oliveira apresenta algumas observações adicionais de interesse quanto à questão da sua sociogénese. Aqui as reproduzo: "&lt;em&gt;Quanto às origens do inglês "story" e "history", são iguais às das línguas latinas, isto é, provêm ambas das mesmas palavras (grega e latina). Apenas acontece que "story" entrou no inglês através do chamado Anglo-French, em época medieval (sécs. XII-XIII), pela palavra "estorie" que no Middle English deu "storie" para acabar na actual "story". Por seu lado, "history" entrou mais tarde no inglês, pelo séc. XIV, através do Middle English "historie", vinda do Latim "historia". A natural evolução semântica que as palavras têm numa língua, levou-as aos significados actuais. De notar que a palavra grega "historia" queria significar "pesquisa,investigação"; Por sua vez "historia" deriva de "histor" que é aquele que sabe ou vê.&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota Adicional 3. Carla Hilário de Almeida (&lt;a href="http://bomba-inteligente.blogspot.com/"&gt;Bomba Inteligente&lt;/a&gt;) contribui, também na secção de comentários, com uma breve nota para o esclarecimento desta questão. De acordo com o que diz: "&lt;em&gt;A palavra "estória" não está registada no dicionário da Academia das Ciências, facto que prova que é melhor do que se diz para aí. O dicionário de Cândido de Figueiredo tem a palavra registada como história em português antigo (whatever that means) e não lhe dá muita importância. Mas vamos lá ao que importa: história é composta de dois vocábulos - 'istos, que significa rede e roí, o verbo fluir em grego antigo - que juntos têm o bonito sentido de "uma rede que flui". À espécie de apóstrofo (') que vêem antes da palavra istos, chama-se espírito rude e trata-se do sinal de aspiração que transliterado para latim resultou num h. E o que é que estória tem a ver com isto? Nada.&lt;/em&gt;" [&lt;a href="http://bomba-inteligente.blogspot.com/2003_05_01_bomba-inteligente_archive.html#93699792"&gt;ver texto original&lt;/a&gt;].&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-106060109995047098?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/106060109995047098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/106060109995047098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_08_10_archive.html#106060109995047098' title='Arqueologia Linguística: Entre a História e a Estória (act.)'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-106053505083818168</id><published>2003-08-10T18:04:00.000+01:00</published><updated>2003-08-17T17:19:49.573+01:00</updated><title type='text'>Ainda os Detalhes (act.)</title><content type='html'>Carlos Vaz Marques (&lt;a href="http://www.outro-eu.blogger.com.br/"&gt;Outro, eu&lt;/a&gt;) veio acrescentar um contributo para esta discussão em torno do enigmático aforismo. Segundo diz "&lt;em&gt;[p]or vezes, uma expressão que, há muito, transportamos connosco aparece- nos ligeiramente transformada e é como se a terra tremesse. (...) O aforismo - tal como eu o conhecia até agora - diz que "o diabo está nos detalhes". O "diabo" e não "Deus". Da genealogia da expressão nada sei. Lembro-me que a primeira vez que me cruzei com ela (quando? onde?) vinha acompanhada de uma generalidade do tipo: "tal como dizem os ingleses". Para os que atribuem a Deus a concórdia e vêem o diabo como a causa da discórdia, talvez a minha versão seja a mais acertada. Até na genealogia breve de um curto aforismo, "o diabo está nos detalhes&lt;/em&gt;" [&lt;a href="http://www.outro-eu.blogger.com.br/2003_08_01_archive.html#5391440"&gt;texto&lt;/a&gt;]. Também José Pacheco Pereira, no &lt;a href="http://abrupto.blogspot.com/"&gt;Abrupto&lt;/a&gt;, segue no mesmo sentido de &lt;a href="http://www.outro-eu.blogger.com.br/"&gt;Carlos Vaz Marques&lt;/a&gt; e recorda o aforismo "the Devil is in the details". Escreve assim: "&lt;em&gt;Pelas mesmas razões de aprender, de ter a alegria de aprender, também volto ao Socio[B]logue. Só que onde lá se coloca Deus nos detalhes, eu estou habituado a colocar o Diabo. Daí que a genealogia da frase seja outra, e a sua língua original diferente -. "the Devil is in the details". Por razões que se podem discutir , suspeito que é mais o Diabo que Deus, o habitante das pregas das coisas, dos detalhes, dos decisivos detalhes. Se não houvesse detalhes não era tudo mais simples, mais próximo das virtudes divinas? Porque ser Deus não é complicado.&lt;/em&gt;" [&lt;a href="http://abrupto.blogspot.com/2003_08_01_abrupto_archive.html#106049469183821583"&gt;texto&lt;/a&gt;]. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curiosamente, também já conhecia esta expressão. Esta, contudo, e ao contrário da primeira, é normalmente classificada como um provérbio ou ditado popular de origem anglo-saxónica. É utilizada, primacialmente, com o significado de que mesmo as coisas mais importantes dependem, assiduamente, do sucesso dos detalhes mais anódinos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao «Deus está nos detalhes» já o havia visto ser atribuído a Le Corbusier, Friedrich Nietzsche, Albert Einstein ou Miguelângelo. Embora, como referi, nunca a Frank Lloyd Wright. Mas, frise-se, essas imputações são relativamente infrequentes, ao contrário das que mencionei. E, muitas vezes, encontrei menções conjuntas às duas expressões. Aconteceu-me isso, por exemplo, quando me deparei com uma breve nota de &lt;a href="http://www.theatlantic.com/about/people/bwbio.htm"&gt;Barbara Wallraff&lt;/a&gt;, a conhecida «Senhora Gramática» da revista &lt;a href="http://www.theatlantic.com/"&gt;The Atlantic Monthly&lt;/a&gt;. Na sua famosa coluna, «Word Court», a autora dedicou em tempos uma breve &lt;a href="http://www.theatlantic.com/issues/2000/01/001wordcourt.htm"&gt;passagem&lt;/a&gt; a este assunto em resposta à interrogação de um seu leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;Leaving theological issues aside, with an expression like this what is "correct" is a matter of whether one version came into being as a garble of the other. Possibly this has happened here -- but no one seems to know which version came first. Neither God is in the details nor The devil is in the details has a clear provenance. Though the former is occasionally seen attributed to Albert Einstein, Gustave Flaubert, and Friedrich Nietzsche, among others, the architect Ludwig Mies Van Der Rohe most often receives credit. Evidently Mies did say it, but he was not the first, and the latest edition of Bartlett's Familiar Quotations (1992) calls the expression simply "a saying."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bartlett's does not list The devil is in the details. Other sources name various personages as the popularizer, if not the coiner, of this version, but the range of them is narrower and more political -- for example, the diplomat Paul Nitze, Ronald Reagan, and Ross Perot. A decade ago both versions of the saying were relatively rare, and neither was particularly more common than the other. Around 1992 -- the year Perot began to be widely quoted, during his first run for the presidency -- the devil began pulling out ahead of God in popularity. In February of 1993 Perot complained that the devil was in the details of an economic plan of President Clinton's, and he made headlines; others' use of the devil version of the saying has been on the rise ever since. By last year major U.S. newspapers and broadcast-news sources were invoking the devil in this phrase anywhere from about twice as often as God to some twenty-five times as often.&lt;/em&gt;" (Wallraff, 2000: 132).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sociologia as duas expressões são utilizadas amiúde. Embora, sublinhe-se, em contextos diversos e com propósitos descoincidentes. A «versão divina» é utilizada, sobretudo, em sub-campos como a Sociologia da Vida Quotidiana. Ali serve, fundamentalmente, de referência à incontornável relevância dos pormenores mais minúsculos, descurados e negligenciados da realidade social. É, aliás, por isso, que aí se apela a um esquadrinhamento minucioso dos pormenores secundários e se promove uma acentuada valorização dos detalhes supostamente insignificantes. De acordo com o que ali se defende, esses pormenores quando colocados sobre o olhar esmiuçador e escrupuloso do investigador, tornam-se interpretáveis e revelam-se carregados de sentido e/ou significação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à «versão diabólica», igualmente popular, ela é utilizada, particularmente, nas variantes praxiológicas da sociologia (sociologia clínica, sociologia aplicada, investigação-acção, sociologia de intervenção, sociologia dos problemas sociais, etc...). Nesses campos - de investigação aplicada por contraposição à investigação fundamental - essa expressão é utilizada para descrever as dificuldades dos investigadores em operacionalizarem o seu arsenal de ferramentas proveniente do vasto instrumentário disciplinar. Com efeito, quando se concebem planos, programas ou projectos de intervenção, o problema está sempre, ou quase sempre, em transpô-los para a prática. Isto é, na sua operacionalização. Assim é, pois, como bem nos recordam &lt;a href="http://www.outro-eu.blogger.com.br/"&gt;Carlos Vaz Marques&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://abrupto.blogspot.com/"&gt;José Pacheco Pereira&lt;/a&gt;, o diabo está efectivamente nos «detalhes». A realidade possui uma curiosa tendência para se furtar aos investigadores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por conseguinte, quer se trate de Deus ou do Diabo e qualquer que seja a origem da expressão, parece haver pouca controvérsia quanto à importância dos detalhes. É, porventura, isso que nos resta sublinhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wallraff, Barbara (2000), «Word Count», &lt;em&gt;The Atlantic Monthly&lt;/em&gt;, Vol.285, No.1.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota Adicional 1. Recebi algumas mensagens de correio electrónico a comentar a questão dos detalhes. Entre elas, a de Ana Luísa Freitas, arquitecta, a fazer-me notar que a mensagem inicial do Évorablog a expressão utilizada era «deus está nos pormenores» e a que eu utilizava «deus está nos detalhes». Segundo Ana Luísa Freitas com essa transformação perde-se algo, pois, como nota, "&lt;em&gt;[o]s arquitectos não dizem detalhe (no Brasil dizem, mas lá também dizem concreto e nós dizemos betão). Os arquitectos costumam dizer pormenor. Fazem pormenorização dos projectos. Pormenorizam uma janela, não detalham uma janela. E também a tudo o resto a que se pode aplicar a expressão, pormenor (cuja origem desconheço, mas me remete para menor, pequeno). soa bem. Resumindo, Deus está nos pormenores.&lt;/em&gt;". Com efeito houve uma mudança de pormenores para detalhes... ela foi, todavia, inconsciente. Na verdade só dela me apercebi após a mensagem de Ana Luísa Freitas. Isso deve-se ao facto de estar habituado a utilizar a expressão «deus está nos detalhes» e, por isso, inconscientemente utilizei-a sem reparar que a expressão utilizada pelos autores do Évorablog continha o vocábulo «pormenores» e não «detalhes». Mas essa nota leva-nos à consideração das variações, em português, da expressão. Na verdade, conheço em português três variantes do dito: «deus está nos detalhes», «deus está nos pormenores» e «deus está no particular». Esta última, menos frequente, é, aliás, aquela que se encontra no livro de Carlo Ginzburg que menciono no texto (edição brasileira da editora &lt;a href="http://www.companhiadasletras.com.br/"&gt;Companhia das Letras&lt;/a&gt; de São Paulo), e que o autor atribui a Aby Warburg. Entre as três confesso não manifestar preferência por nenhuma delas embora, por força de hábito, esteja mais habituado a utilizar a primeira: «deus está nos detalhes». Tal hábito deriva, sobretudo, da sua utilização em Sociologia da Vida Quotidiana, onde esta expressão é assiduamente utilizada, ao ponto de, muitas vezes, a  própria Sociologia da Vida Quotidiana ser classificada como uma «sociologia do detalhe».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota Adicional 2. Segismundo, do &lt;a href="http://alberguedosdanados.blogspot.com/"&gt;Albergue dos Danados&lt;/a&gt;, produziu um breve &lt;a href="http://alberguedosdanados.blogspot.com/2003_08_01_alberguedosdanados_archive.html#106055630662881357"&gt;texto&lt;/a&gt; onde se refere a esta questão. Escreve assim: "&lt;em&gt;Sinceramente, deus não está nos detalhes. Provável é, mesmo, que nunca lá tenha estado. Deus é grande, monumental, maior, pormaior, mas padece de indolência. Ao sétimo dia partiu para descanso e abandonou os pormenores às suas circunstâncias, a si mesmos, dentro da sua ordem original e liberdade. Depois, depois foi a maçã. Eu prefiro nêsperas, mas saiu a maçã. E esse é talvez o primeiro detalhe. Lá esteve o diabo. Deus apenas observou e fez-se presente somente na hora do castigo. Por isso, hoje, só vê deus quem consegue. A mim, confesso, essa danada visão nunca me tocou. Mas adiante. Creio que a verdadeira discussão não é em torno da entidade que está nos detalhes, mas ao redor do tempo do predicado estar aí. E, sinceramente, se o juízo não me atraiçoa, deus esteve, mas o diabo está. Este é o único aforismo em que me encosto, no entanto não tempo demais. Mas isso é apenas um detalhe, sem a mínima relevância. Quem quer que esteja nos peanuts, calha que eu também o mastigo quando os mastigo. E não me incomoda quem lá pôs quem nas minudências. Confesso, embora, que a deus lá cheguei por Flaubert e que ao diabo lá cheguei por Perot. Esta é a razão fundamental por que, para mim, the devil is in the details. Ainda que, claro está, admita o contrário, pois o diabo está também onde menos se espera, raio de mania a dele, essa.&lt;/em&gt;". Será preciso dizer mais?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-106053505083818168?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/106053505083818168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/106053505083818168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_08_10_archive.html#106053505083818168' title='Ainda os Detalhes (act.)'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-106049980185377506</id><published>2003-08-10T08:16:00.000+01:00</published><updated>2003-08-11T17:04:29.036+01:00</updated><title type='text'>Deus Está nos Detalhes: Genealogia Breve (act)</title><content type='html'>Acabo de descobrir entre os textos de um novíssimo blogue, o &lt;a href="http://www.evorablog.blogspot.com/"&gt;Evorablog&lt;/a&gt;, um aforismo que há muito me assombra: «Deus está nos detalhes» [os autores utilizam, na verdade, uma das variantes conhecidas dessa expressão: «deus está nos pormenores»]. No &lt;a href="http://www.evorablog.blogspot.com/"&gt;Evorablog&lt;/a&gt;, de forma deveras curiosa, o intrigante apotegma é atribuído ao arquitecto norte-americano Frank Lloyd Wright. A primeira vez que encontrei este aforismo foi na epígrafe da estimulante obra «&lt;em&gt;Mitos, Emblemas, Sinais&lt;/em&gt;» (1991) de Carlo Ginzburg, um dos mais notáveis historiadores italianos contemporâneos (cf. Ginzburg, 1989, 1991, 1995; Ginzburg e Poni, 1979; Grendi, 1977). Então, a paternidade do dito era atribuída por Ginzburg ao historiador de arte alemão Aby Warburg (1866-1929). Vim, mais tarde, a encontrar a mesma expressão imputada ora ao excelso escritor francês Gustave Flaubert (1821-1880) («Le bon Dieu est dans le detail»), ora ao conspícuo escritor brasileiro João Guimarães Rosa (1908-1967) («Deus está nos detalhes»). Porém, na maioria das vezes com que me deparei com o aforismo supracitado, ele era atribuído ao arquitecto de origem teutónica Ludwig Mies van der Rohe (1886-1969) - um dos pioneiros do movimento modernista, director da Bauhaus entre 1930 e 1933 e o criador de uma das mais famosas peças de design do século XX: a «Barcelona Chair». Não será despiciendo notar, adicionalmente, que são habitualmente utilizadas três expressões germânicas - semânticamente semelhantes, embora formalmente descoincidentes - para formalizar esse axioma: «Gott gedeiht in Details», «Gott ist in den Details», «Gott steckt im Detail». Ironicamente, nunca havia encontrado Frank Lloyd Wright entre um dos pais possíveis do dito de paternidade, ainda, indeterminada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, independentemente da paternidade do aforismo, serve esta referência de pretexto para evocar Ginzburg. Carlo Ginzburg, o responsável pela introdução do «paradigma indiziario» nas ciências sociais, é, sem dúvida, um dos autores mais celebrados no campo das metodologias microhistóricas. Essa notabilidade deve-se, entre outros aspectos, ao reconhecimento e notoriedade atingidos por si atingidos por meio de obras como «Mitos, Emblemas, Sinais» (1991), «A Micro-História e Outros Ensaios» (1989) ou «História Nocturna: Uma Decifração do Sabat» (1995). É que se hoje a perspectiva micro-histórica se encontra disseminada na Europa e EUA, na realidade, ela emergiu a partir de um profícuo debate em torno das possibilidades analíticas da «microstoria». Debate que foi encetado nos anos setenta e oitenta por um pequeno grupo de historiadores italianos, oriundos do nordeste italiano (em particular de Bolonha), reunido em torno da revista «Quaderni Storici» e que englobou, além de Ginzburg, autores como Edoardo Grendi, Carlo Poni e Giovanni Levi. Essa discussão, profícua e inovadora, partiu do ensaio seminal de Edoardo Grendi «Micro-analisi e storia sociale» (1977) e do histórico programa de estudos lançado, dois anos depois, por Carlo Ginzburg e Carlo Poni no artigo «Il nome e il come: Scambio ineguale e mercato storiografico» (1979). Vale a pena conhecer Ginzburg.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ginzburg, Carlo (1989), &lt;em&gt;A Micro-História e Outros Ensaios&lt;/em&gt;, Lisboa: Difel.&lt;br /&gt;Ginzburg, Carlo (1991), &lt;em&gt;Mitos, Emblemas, Sinais&lt;/em&gt;, São Paulo: Companhia das Letras.&lt;br /&gt;Ginzburg, Carlo (1995), &lt;em&gt;História Nocturna: Uma Decifração do Sabat&lt;/em&gt;, Lisboa: Relógio D'Água.&lt;br /&gt;Ginzburg, Carlo e Carlo Poni (1979), «Il nome e il come: Scambio ineguale e mercato storiografico», &lt;em&gt;Quaderni Storici&lt;/em&gt;, Nº40, pp. 181-190.&lt;br /&gt;Grendi, Edoardo (1977), «Micro-analisie storia sociale», &lt;em&gt;Quaderni Storici&lt;/em&gt;, Nº35, pp. 506-520.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota Adicional 1. Talvez algum dos blogueiros oriundos do Campo da Arquitectura - &lt;a href="http://arquitonto.blogspot.com/"&gt;Arquitectices&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.hardblog.blogspot.com/"&gt;hARDbLOG&lt;/a&gt; ou &lt;a href="http://oprojecto.blogspot.com/"&gt;O Projecto&lt;/a&gt; - nos possa ajudar a esclarecer o intrigante enigma da paternidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-106049980185377506?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/106049980185377506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/106049980185377506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_08_10_archive.html#106049980185377506' title='Deus Está nos Detalhes: Genealogia Breve (act)'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-106049452106218415</id><published>2003-08-10T06:48:00.000+01:00</published><updated>2003-08-11T17:07:01.603+01:00</updated><title type='text'>O Império do Efémero (ou o Choque Antropológico do Retorno)</title><content type='html'>Faz agora um mês que José Mário Silva (&lt;a href="http://blog-de-esquerda.blogspot.com/"&gt;Bloco de Esquerda&lt;/a&gt;) regressou de Paris. Pouco depois de regressar, escreveu aquele que é, indubitavelmente, um dos &lt;a href="http://blog-de-esquerda.blogspot.com/2003_07_06_blog-de-esquerda_archive.html#105769155566785116"&gt;apontamentos&lt;/a&gt; mais argutos sobre a blogosfera. Sobre nós. Mais concretamente, José Mário Silva falava sobre como este mundo dos blogues é efémero e fugaz. Dizia assim: "&lt;em&gt;NÃO ME LEMBRO DISTO ASSIM. É um sentimento estranho. Volto a casa, após duas semanas noutra cidade (com um acesso mais limitado à internet), e parece que não reconheço a minha própria casa. Leia-se: a blogosfera. Alguém mudou os móveis de sítio, deitou fora a pilha de jornais que estava ali no canto e trocou a ordem dos talheres nas gavetas da cozinha. O corpo da casa é o mesmo, claro, mas está diferente. Foi ampliado. Tem mais caves, mais sótãos, inúmeros acrescentos, projecções, anexos no quintal. Alguém deitou paredes abaixo, construiu novos corredores e mobilou quartos vazios que nunca tinha visto antes. Há muito mais portas que apetece abrir todos os dias, essa é que é essa. E eu vou precisar de um porta-chaves maior. Além de uma bússola.&lt;/em&gt;". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei agora uns dias ausente. Tirei, na verdade, férias de mim mesmo. Quer dizer, do meu «offline self». Consequentemente, ausentei-me, por inerência, do meu «online self». Não obstante o facto de se tratar de um período de apartamento exíguo e de se ter dado uma assinalável diminuição do ritmo e cadência do mundo dos blogues, encontro um mundo diverso do que deixei. Com outras discussões, outras querelas, outras preocupações, outras interrogações, outros blogues, outras pessoas. Enfim, um mundo-outro. Ocorreu-me de imediato a passagem inicial de um dos livros mais desconsiderados - leia-se incompreensivelmente desconsiderados - do novelista norte-americano &lt;a href="http://www.paulauster.co.uk/"&gt;Paul Auster&lt;/a&gt;, &lt;em&gt;In the Country of Last Things&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;These are the last things, she wrote. One by one they disappear and never come back. I can tell you of the ones I have seen, of the ones that are no more, but I doubt there will be time. It is all happening too fast now, and I cannot keep up. I don't expect you to understand. You have seen none of this, and even if you tried, you could not imagine it. These are the last things. A house is here one day, and the next day is gone. A street you walked on yesterday is no longer there today. (...)  Close your eyes for a moment, turn around to look at something else, and the thing that was before you is suddenly gone. Nothing lasts, you see, not even the thoughts inside you. And you mustn't waste your time looking for them. Once a thing is gone, that is the end of it.&lt;/em&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta passagem exprime, de uma forma admirável, a desconcertante sensação que este retorno me provocou. A sensação que se apossou de mim. Tomou-me uma impressão, mais ou menos difusa, de deslocamento ou desconjuntamento. Sinto-me desarranjado: em desalinho. Pergunto-me como será uma ausência de várias semanas, de meses... Quando estamos embrenhados e empenhados nos debates que vão tendo lugar dificilmente nos apercebemos do quão efémeros eles são. Do quão céleres eles passam. E, quase sem darmos conta, tudo muda. Vertiginosamente. Estonteantemente. Num intervalo mínimo, de alguns dias, o mundo dos blogues reorganiza-se, recompõe-se, restrutura-se. Assim, a sequência de ausência seguida de regresso parece gerar uma espécie de «choque antropológico do retorno». Há uma sensação clara de ruptura e de descontinuidade entre o que se deixou, o que se encontra e o que se esperava encontrar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ademais, na blogosfera quase não há síntese: não existem semanários que refazam o sentido dos diários. As discussões são, de um modo geral, breves. Passageiras. E essa ausência de síntese amplifica, de alguma forma, o «choque antropológico do retorno», na medida em que dificulta a compreensão da mudança. Por conseguinte, o mundo dos blogues parece ser, por excelência, o império do efémero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Auster, Paul (1988), &lt;em&gt;In the Country of Last Things&lt;/em&gt;, London: Faber and Faber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota Adicional 1. «O Império do Efémero» constitui a designação de uma obra de Gilles  Lipovetsky (Lisboa: Publicações Dom Quixote: 1989). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota Adicional 2. Seria interessante que as pessoas fossem comentando as semelhanças e as diferenças entre a blogosfera que deixaram e aquela a que retornam (as rupturas e descontinuidades, as permanências e constâncias) à medida em que fossem regressando das suas ausências, mais ou menos prolongadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota Adicional 3. O Socio[B]logue deve parte considerável da sua existência a um pequeno grupo de pessoas que, desde o seu início, foram contribuindo com comentários,  observações e reflexões para os temas que foram aqui sendo levantados. As discussões e debates originadas pelo confronto entre os textos e as interpelações que lhes davam sequência constituíram, sem dúvida, o que o Socio[B]logue teve de melhor. Devido a alguns problemas técnicos do sistema de comentários (Enetation) esses apontamentos parecem estar irremediavelmente perdidos. É por isso devido um agradecimento especial às pessoas que mais colaboraram com o Socio[B]logue e cujos contributos se perderam. Possivelmente, de forma irremediável. Ficam então os agradecimentos a: Anne Galloway (&lt;a href="http://www.purselipsquarejaw.org/"&gt;Purse Lip Square Jaw&lt;/a&gt;); António Quintas (&lt;a href="http://registo.weblog.com.pt/"&gt;Registo&lt;/a&gt;); Bruno Sena Martins (&lt;a href="http://avatares-de-desejo.blogspot.com/"&gt;Avatares de Um Desejo&lt;/a&gt;); Carlos de Abreu Amorim (&lt;a href="http://matamouros.blogspot.com/"&gt;Mata-Mouros&lt;/a&gt;); Clara M. (&lt;a href="http://tracejado.blogspot.com/"&gt;Tracejado&lt;/a&gt;); Isabel Tilly (&lt;a href="http://www.isabeltilly.blogspot.com/"&gt;Monólogo&lt;/a&gt;); Jorge Candeias (&lt;a href="http://lampadamagica.blogspot.com/"&gt;A Lâmpada Mágica&lt;/a&gt;); Leonel Vicente (&lt;a href="http://aaanumberone.blogspot.com/"&gt;aaanumberone&lt;/a&gt;); Luis Ene (&lt;a href="http://milmaisuma.leiturascom.net/"&gt;ENE Coisas&lt;/a&gt;); Manuel Deniz Silva (&lt;a href="http://blog-de-esquerda.blogspot.com/"&gt;Bloco de Esquerda&lt;/a&gt;); Mário Pires (&lt;a href="http://www.retorta.net/"&gt;Retorta&lt;/a&gt;); Paulo Querido (&lt;a href="http://ptd.xpto.org/"&gt; huuuuu... vento lá fora&lt;/a&gt;); Pedro (&lt;a href="http://icosaedro.blogspot.com/"&gt;Icosaedro&lt;/a&gt;); Pedro Fonseca (&lt;a href="http://contrafactos.blogspot.com/"&gt;Contra Factos &amp; Argumentos&lt;/a&gt;); Piscoiso (&lt;a href="http://piscoiso.blogspot.com/"&gt;Piscoiso&lt;/a&gt;); Tyler Durden (&lt;a href="http://www.epicurtas.blogspot.com/"&gt;EpiCurtas&lt;/a&gt;) (espero não ter omitido de ninguém). Dificilmente será esquecido o que fizeram pelo Socio[B]logue.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-106049452106218415?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/106049452106218415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/106049452106218415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_08_10_archive.html#106049452106218415' title='O Império do Efémero (ou o Choque Antropológico do Retorno)'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105973714914421704</id><published>2003-08-01T12:25:00.000+01:00</published><updated>2003-08-01T12:25:49.113+01:00</updated><title type='text'>Insensatez</title><content type='html'>O trabalho sociológico, como o da generalidade das restantes ciências sociais, é esgotante. A adjectivação não é boa, bem sei. Mas justifica-se. É deveras difícil explicar a alguém, sem um grande conhecimento do campo, o investimento necessário para a produção de uma investigação empírica consistente. É necessário um trabalho moroso, persistente e cansativo de exploração bibliográfica; de construção de instrumentos de observação e recolha de informação; de recolha de informação; de análise e interpretação dos materiais recolhidos; de redacção e revisão textual. A isso, juntam-se as inflexões constantes, as reformulações contínuas, as restruturações permanentes. As semanas passam a correr. Depois os meses. Por vezes, vezes demais, os anos. O trabalho sociológico envolve uma disciplina da parte do investigador. Monástica. Austera. Intransigente. Nesse processo, nesse longo processo, vão-se acumulando inúmeras ideias peregrinas, reflexões marginais, observações periféricas, pistas de pesquisa improváveis, escritos de gaveta acidentais. Essas notações permanecem, quase sempre, na obscuridade. Por vezes, a obscuridade é injusta: quando as observações são pertinentes mas desenquadradas, desajustadas ou díssonas do objecto em estudo. Outras vezes, ela é protectora: sempre que elide cogitações insensatas que nunca deveriam sair da sombra. Reli agora alguns dos textos mais antigos do Socio[B]logue. Fico, à vez, envaidecido e embaraçado. Envaidecido com os improvisos acertados. Embaraçado com o pretensiosismo verboso. A adjectivação não é boa, bem sei. Mas justifica-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota adicional: Este texto vai ser dos embaraçosos. É inevitável.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105973714914421704?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105973714914421704'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105973714914421704'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_07_27_archive.html#105973714914421704' title='Insensatez'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105970986825983011</id><published>2003-08-01T04:51:00.000+01:00</published><updated>2003-08-01T05:49:38.453+01:00</updated><title type='text'>GLO: Ludismo</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Ludismo.&lt;/strong&gt; Termo utilizado para classificar a atitude daqueles que estão contra a inovação tecnológica. Essa atitude de resistência à mudança possui diversas motivações. A principal razão invocada é, habitualmente, a ameaça de desumanização que, de acordo com essas pessoas, a inovação tecnológica implica. O termo ludismo reporta-se, originalmente, a um movimento social organizado contra a tecnologia que teve lugar no século XIX, entre 1811 e 1816, em Inglaterra. Deram-se, então, uma série de motins levados a cabo por parte dos membros desse movimento. Essas manifestações eram, usualmente, agressivas e violentas e culminavam, assiduamente, na destruição de maquinaria têxtil. Esses actos hostis eram justificados pela consideração, por parte desses grupos, que a introdução e generalização da maquinaria têxtil iria contribuir, inevitavelmente, para o desemprego em massa. Por vezes, fala-se de neo-luditas e de Neoludismo para falar das atitudes das pessoas e dos grupos sociais que revelam atitudes de grande resistência no que respeita à introdução de novas tecnologias nas sociedades contemporâneas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105970986825983011?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105970986825983011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105970986825983011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_07_27_archive.html#105970986825983011' title='GLO: Ludismo'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105965210717757747</id><published>2003-07-31T12:48:00.000+01:00</published><updated>2003-07-31T18:48:40.553+01:00</updated><title type='text'>FYI: «Novas Formas de Mobilização Popular» - José Rebelo (coord.)</title><content type='html'>Em Outubro de 2001, teve lugar no ISCTE, em Lisboa, um colóquio internacional subordinado ao tema das «Novas Formas de Mobilização Popular». Esse colóquio, organizado pelo sociólogo José Rebelo, reuniu, entre outros, um número assinalável de investigadores no campo das ciências sociais e humanas debruçados em torno da questão dos novos movimentos sociais. Entre os intervenientes pontificavam Michel Wieviorka, Manuel Carvalho da Silva, Muniz Sodré, Vítor Matias Ferreira, Raquel Paiva, Diana Andringa, David Miranda, Mario Diani, Gustavo Cardoso, Pedro Pereira Neto, João Coutinho Ferreira, Pedro Dionísio, Pedro Bacelar de Vasconcelos, António Cluny, Jean-Pierre Dubois, Maria Eduarda Gonçalves, António Pedro Dores, João Arriscado Nunes, Viriato Soromenho-Marques, Joaquim Gil Nave, A. Fernando Cascais, Carolino Monteiro, Conceição Lopes e ldalina Conde. Saiu agora na Campo de Letras uma recolha das comunicações apresentadas nesse colóquio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Rebelo, o organizador, possui a sua área de especialização no campo da sociologia da comunicação. É professor no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), director da revista «Trajectos - Revista de Comunicação, Cultura e Educação» e consultor do programa Acontece, da RTP 2. Encontra-se presentemente a participar numa investigação multidisciplinar intitulada «Prisão de Não Nacionais», coordenada por António Pedro Dores e que conta ainda com a participação da socióloga Graça Carapinheiro, da historiadora Maria João Vaz, dos geógrafos Alina Esteves e Jorge Malheiros e do demógrafo Mário Leston Bandeira, entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rebelo, José (coord.) (2003), &lt;em&gt;Novas Formas de Mobilização Popular&lt;/em&gt;, Porto: Campo de Letras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105965210717757747?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105965210717757747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105965210717757747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_07_27_archive.html#105965210717757747' title='FYI: «Novas Formas de Mobilização Popular» - José Rebelo (coord.)'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105953375428733670</id><published>2003-07-30T03:55:00.000+01:00</published><updated>2003-07-30T16:14:21.713+01:00</updated><title type='text'>GLO: McDonaldização</title><content type='html'>&lt;strong&gt;McDonaldização.&lt;/strong&gt; Termo controverso originalmente cunhado e desenvolvido por George Ritzer, sociólogo norte-americano da Universidade de Maryland, para se referir à radicalização do processo de racionalização nas sociedades contemporâneas. McDonaldização, diz-nos Ritzer, "&lt;em&gt;é o processo pelo qual os princípios do restaurante de comida rápida estão a dominar cada vez mais sectores da sociedade norte-americana, bem como do resto do mundo&lt;/em&gt;" (Ritzer, 1993:1; nossa tradução). Esse processo assenta então, segundo o autor, na consolidação e generalização do modelo da indústria da "fast-food" enquanto paradigma organizacional e social predominante na contemporaneidade. Esse paradigma, crescentemente hegemónico, fundamenta-se em cinco princípios básicos: eficiência, calculabilidade, previsibilidade, controlo acrescido e substituição de tecnologia humana por tecnologia não-humana. Após a publicação da obra de Ritzer, um clássico da análise sociológica dos anos noventa, alguns autores procuraram reformular o argumento do autor recorrendo a termos não menos originais. Alan Bryman, por exemplo, tem proposto um conceito improvável e inaudito: a «disneyzação da sociedade».&lt;br /&gt;Ritzer, George (1993), &lt;em&gt;The McDonaldization of Society&lt;/em&gt;, Thousand Oaks: Pine Forge Press.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105953375428733670?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105953375428733670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105953375428733670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_07_27_archive.html#105953375428733670' title='GLO: McDonaldização'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105949257630852340</id><published>2003-07-29T16:29:00.000+01:00</published><updated>2003-07-30T04:20:04.850+01:00</updated><title type='text'>Os Blogues e a Inconstância Atitudinal (act.)</title><content type='html'>Como já aqui fiz referência, foi recentemente criado um blogue, o &lt;a href="http://www.metablogue.blogspot.com/"&gt;Metablogue&lt;/a&gt;, destinado a ir registando e arquivando os textos e os debates sobre a blogosfera e o mundo dos blogues. Essa ideia pioneira foi, como já foi também aqui mencionado, do Joaquim Paulo Nogueira (&lt;a href="http://respiraromesmoar.blogspot.com/"&gt; Respirar o Mesmo Ar &lt;/a&gt;). Uma das principais virtualidades da existência do &lt;a href="http://www.metablogue.blogspot.com/"&gt;Metablogue&lt;/a&gt; consiste na possibilidade de se analisar o metabloguismo, isto é, a possibilidade de se formar um discurso meta-meta-bloguista. Essa interessante potencialidade possui tantos atractivos apelativos, como levanta problemas desafiantes. Se, por um lado, permite analisar algumas das características dos esforços de pensar o mundo dos blogues, por outro lado, levanta o problema da circularidade do objecto, isto é, levanta a questão da auto-referencialidade de todos os discursos (o perigo do meta-meta-meta-bloguismo, dos discursos sobre os discursos sobre os discursos). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de consciente dessas questões e dos pertinentes problemas a elas associados, não pude deixar de fazer algumas reflexões meta-meta-bloguistas à medida a que ía recolhendo alguns trechos textuais para eventualmente integrar no &lt;a href="http://www.metablogue.blogspot.com/"&gt;Metablogue&lt;/a&gt;. Era, talvez, inevitável. Nesse processo, pude constatar, inadvertidamente, a recorrência de asserções avaliativas sobre a blogosfera, implícitas ou explícitas, no quadro desses discursos. Não resisti à pulsão analítica. Peguei então em alguns desses trechos textuais, provenientes de algumas das pessoas que mais produziram discursos metabloguistas (&lt;a href="http://avatares-de-desejo.blogspot.com/"&gt;Avatares de Um Desejo&lt;/a&gt;; &lt;a href="http://www.aviz.blogspot.com/"&gt;Aviz&lt;/a&gt;; &lt;a href="http://abrupto.blogspot.com/"&gt;Abrupto&lt;/a&gt;; &lt;a href="http://guerraepas.blogspot.com/"&gt;Guerra e Pas&lt;/a&gt;; &lt;a href="http://www.socioblogue.blogspot.com/"&gt;Socio[B]logue&lt;/a&gt;) e apliquei, ainda que de forma pouco controlada metodologicamente, um procedimento analítico de medida de atitudes: a EAA - Evaluative Assertion Analysis (Análise de Asserção Avaliativa). A EAA é um tipo particular de análise de conteúdo avaliativa, desenvolvida, originalmente, pelo psicólogo social C. E. Osgood, cujo propósito consiste na medição de atitudes (cf. Bardin, 1977; Krippendorf, 1980; Ghiglione e Blanchet, 1991). "&lt;em&gt;Uma atitude&lt;/em&gt;", como sublinha Laurence Bardin, "&lt;em&gt;é uma pré-disposição, relativamente estável e organizada, para reagir sob forma de opiniões (nível verbal), ou de actos (nível comportamenteal) em presença de objectos (pessoas, ideias, acontecimentos, coisas, etc.) de maneira determinada&lt;/em&gt;." (Bardin, 1977: 155). Neste caso tomei como objecto de atitude (elemento sobre o qual se debruça a avaliação) a blogosfera e anotei os termos avaliativos de significação comum sobre ela produzidos numa escala de Lickert (5 valores, dois positivos, dois negativos, um valor central neutro). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora seja necessário repetir a análise em condições mais controladas metodologicamente e com um corpus analítico mais consistente e abrangente, alguns resultados desta análise são interessantes (ainda que - frise-se - pouco conclusivos). O principal dado que me chama a atenção é o facto de existir, nestes blogues, uma grande inconstância e descontinuidade no que respeita às atitudes manifestas face à blogosfera. Isto é, existe uma grande oscilação entre valorações positivas e negativas da blogosfera no quadro dos discursos metabloguistas destes blogues: o Socio[B]logue e o Avatares de um Desejo, apesar de apresentarem alguma variabilidade, são os que menos oscilam; por outro lado o Aviz, o Abrupto e o Guerra e Pas são os que mais oscilam (embora com algumas diferenças: em termos médios as valorações do Abrupto são mais positivas e as do Guerra e Pas mais negativas). Se seria expectável a existência de alguma oscilação - afinal, a blogosfera vai mudando e, com ela, a percepção que dela se faz -, o que é mais interessante é que, em alguns casos, verifica-se uma oscilação assinalável com intervalos relativamente diminutos (dois dias). Essa informação, apesar de precária, leva-me a colocar algumas questões: Porquê a necessidade que sentimos de avaliar a blogosfera? A que se devem estas oscilações atitudinais? Como é que os sujeitos percepcionam essa inconstância atitudinal? São questões, parece-me, que importa explorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bardin, Laurence (1977 [2000]), &lt;em&gt;Análise de Conteúdo&lt;/em&gt;, Lisboa: Edições 70.&lt;br /&gt;Krippendorf, Klaus (1980), &lt;em&gt;Content Analysis. An Introduction to its Methodology&lt;/em&gt;, London: Sage.&lt;br /&gt;Ghiglione, Rodolphe &amp; Alain Blanchet (1991), &lt;em&gt;Analyse de contenu et contenus d'analyses&lt;/em&gt;, Paris: Dunod.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota Adicional: Estes dados não são fiáveis devido a potenciais enviesamentos do corpus analítico (além do mais, normalmente são utilizados três codificadores para diminuir o problema da subjectividade da codificação das asserções avaliativas). Pretendo, por isso, repetir a experiência analítica, em breve com um pouco mais de fiabilidade. Porém, não se deve ver nestes dados mais do que aquilo que eles são: uma experiência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105949257630852340?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105949257630852340'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105949257630852340'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_07_27_archive.html#105949257630852340' title='Os Blogues e a Inconstância Atitudinal (act.)'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105944525248656412</id><published>2003-07-29T03:20:00.000+01:00</published><updated>2003-07-30T03:04:32.863+01:00</updated><title type='text'>GLO: Rede</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Rede.&lt;/strong&gt; "&lt;em&gt;O uso mais geral para o termo «rede» é para uma estrutura de laços entre os actores de um sistema social. Estes actores podem ser papéis, indivíduos, organizações, sectores ou estados-nação. Os seus laços podem basear-se na conversação, afecto, amizade, parentesco, autoridade, troca económica, troca de informação ou qualquer outra coisa que constitua a base de uma relação.&lt;/em&gt;" (Nohria &amp; Eccles, 1992: 288).&lt;br /&gt;Nohria, Nitin e Robert G. Eccles (eds.) (1992), &lt;em&gt;Networks and Organizations: Structure, Form, and Action&lt;/em&gt;, Boston: Harvard Business School Press&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105944525248656412?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105944525248656412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105944525248656412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_07_27_archive.html#105944525248656412' title='GLO: Rede'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105941587488877226</id><published>2003-07-28T19:11:00.000+01:00</published><updated>2003-07-29T02:57:58.223+01:00</updated><title type='text'>A Igualdade, o «Swinging» e o «Efeito Coolidge»</title><content type='html'>Na semana que passou foram divulgados alguns resultados de um estudo da autoria de José Murta Cadima, licenciado em Medicina pela Universidade de Coimbra e assistente graduado de Clínica Geral e Medicina Familiar, no âmbito da sua tese de mestrado de Sexologia na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Intitula-se «&lt;em&gt;Estudo do Modo de Vida Swinger em Portugal&lt;/em&gt;» (consultar o artigo do &lt;a href="http://www.correiomanha.pt/"&gt;Correio da Manhã&lt;/a&gt; intitulado &lt;a href="http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=45812&amp;idCanal=10"&gt;Aumenta Troca de Casais, 21-07-2003&lt;/a&gt;). As principais conclusões desse estudo apontam, segundo o que foi publicado, para o aumento da troca de casais, uma das formas de relacionamento sexual alternativo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curioso é que muito pouco se disse acerca das pertenças sociais dos «swingers» (classes sociais, grupos de status, posições socio-económicas ou níveis de instrução; as informações publicadas indicam apenas que a maioria dos «swingers» inquiridos possui profissões nos domínios do trabalho intelectual, de investigação e de direcção). Tal "omissão", ainda que relativa, é tanto mais relevante quando os estudos sociológicos sobre a vida familiar, amorosa e sexual têm apontado para a prevalência de valores, atitudes e práticas hedonistas e experimentalistas - de que o «swinging» é uma expressão - sobretudo entre aqueles pertencentes a grupos socioeconómicos favorecidos e com níveis mais elevados de instrução e escolaridade (cf. Pais, 1998 e Vasconcelos, 1998). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, mais importante do que a negligência das pertenças sociais dos inquiridos, é interessante analisar, ainda que superficialmente, os dados estatísticos avançados. De acordo com o estudo, a iniciativa para a troca de casais é, fundamentalmente, masculina. Os resultados do inquérito indicam que, entre os adeptos da troca de casais, cerca de 53,3 por cento das mulheres respondeu que a iniciativa partiu dos seus cônjuges e 46,7 por cento que foram ambos a sugeri-lo. Note-se que, segundo as respostas, nenhuma mulher o propôs. Por outro lado, quando a mesma questão é colocada ao género oposto, 66,7 assumiu a sugestão e 33,3 por cento atribuiu a ambos. Nenhum respondeu que a iniciativa tenha sido dos seus cônjuges. Apesar das diferenças de género (quiçá atribuíveis ao facto dos membros do género feminino desejarem, mais do que os membros do género oposto, passar uma imagem de mútuo acordo, reciprocidade e consenso) não deixa de ser relevante o facto de nos 54 «swingers» inquiridos - um terço do total de 162 inquiridos - não existir um único caso onde a iniciativa tenha sido primacialmente feminina. Esta prevalência do primeiro passo masculino não é exclusiva do caso português, pois, como nota o psicanalista Willy Pasini referindo-se à realidade francesa, "&lt;em&gt;[l]'initiative vient le plus souvent des hommes"&lt;/em&gt;. Essa afirmação foi publicada na quinta-feira no novo número da revista &lt;a href="http://www.nouvelobs.com/index2.html"&gt;Nouvel Observateur&lt;/a&gt;. A publicação em causa intitula-se &lt;a href="http://www.nouvelobs.com/articles/p2020/index2.html"&gt;«Sexe: Ces Français Qui Osent Tout...»&lt;/a&gt; e explora as questões do «echangisme», «mélangisme» e «triolisme», com contributos do sociólogo Daniel Welzer-Lang, do filósofo Dominique Folscheid, do psiquiatra Philippe Brenot, do sexólogo Jacques Waynberg e do próprio Willy Pasini, psicanalista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A interpretação do fenómeno e destes números não é fácil. Bem pelo contrário. Se, por um lado, estas informações parecem sustentar a tese de Anthony Giddens de que as transformações da intimidade nas sociedades contemporâneas passam pela consolidação daquilo que designa de «relação pura», «amor confluente» e «sexualidade plástica» (Giddens, 1996); por outro lado não há dados que apontem para a generalização destas práticas. Pelo contrário. Apesar das induções e abduções abusivas de alguns investigadores, estas práticas parecem continuar circunscritas a grupos sociais bem delimitados tanto social, como culturalmente. Todavia, há pelo menos um dado que não oferece ambiguidades interpretativas. Os dados avançados, tanto em Portugal como em França, parecem apontar para a permanência daquilo que em Psicologia Social se costuma designar por «efeito Coolidge», isto é, "&lt;em&gt;[a] importância que a variedade de parceiros sexuais (reais e imaginários) assume para o sexo masculino&lt;/em&gt;" (Alferes, 1997: 141). A predominância da iniciativa masculina é disso um indicador não menosprezável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A exegese destes dados é controversa: onde alguns vêm o copo meio cheio, outros vêm o copo meio vazio. Eu sou dos que vêm o copo meio vazio. Não deixa de ser curioso que mesmo entre os apologistas destas práticas - pessoas que preconizam uma ética experimentalista, baseada em valores modernizantes e anti-tradicionalistas, que manifestam uma aceitação de formas periféricas de sexualidade e que utilizam abundantemente palavras como igualdade e equidade nos seus discursos para caracterizar as suas relações - como dizia, não deixa de ser curioso que mesmo entre estas pessoas permaneçam indicadores a revelar assimetrias de género como estas. Sintomático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alferes, Valentim R. (1997), &lt;em&gt;Encenações e Comportamentos Sexuais: Para Uma Psicologia Social da Sexualidade&lt;/em&gt;, Porto: Afrontamento.&lt;br /&gt;Giddens, Anthony (1996), &lt;em&gt;Transformações da Intimidade&lt;/em&gt;, Oeiras: Celta Editora.&lt;br /&gt;Pais, José Machado (1998), «Vida Amorosa e Sexual», in José Machado Pais (coord.) (1998), &lt;em&gt;Gerações e Valores na Sociedade Portuguesa Contemporânea&lt;/em&gt;, Lisboa: ICS, 407-468.&lt;br /&gt;Vasconcelos, Pedro (1999), «Práticas e Discursos da Conjugalidade e de Sexualidade dos Jovens Portugueses», in Manuel Villaverde Cabral e José Machado Pais (coord.) (1999), &lt;em&gt;Jovens Portugueses de Hoje&lt;/em&gt;, Oeiras: Celta Editora.&lt;br /&gt;Vasconcelos, Pedro (1998), «Vida Familiar», in José Machado Pais (coord.) (1998), &lt;em&gt;Gerações e Valores na Sociedade Portuguesa Contemporânea&lt;/em&gt;, Lisboa: ICS, 321-406.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105941587488877226?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105941587488877226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105941587488877226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_07_27_archive.html#105941587488877226' title='A Igualdade, o «Swinging» e o «Efeito Coolidge»'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105934930312804523</id><published>2003-07-28T00:41:00.000+01:00</published><updated>2003-07-28T01:27:09.726+01:00</updated><title type='text'>GLO: Credencialismo</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Credencialismo&lt;/strong&gt;. Conceito de inspiração weberiana desenvolvido, primacialmente, por Frank Parkin para se referir à "&lt;em&gt;utilização inflacionada dos certificados educacionais como meio de monitorizar a entrada para posições chave na divisão do trabalho&lt;/em&gt;" (Parkin, 1979: 54, nossa tradução). &lt;br /&gt;Parkin, Frank (1979), &lt;em&gt;Marxism and Class Theory: A Bourgeois Critique&lt;/em&gt;, Londres: Tavistock.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105934930312804523?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105934930312804523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105934930312804523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_07_27_archive.html#105934930312804523' title='GLO: Credencialismo'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105931089859628283</id><published>2003-07-27T14:01:00.000+01:00</published><updated>2003-07-28T21:18:10.340+01:00</updated><title type='text'>A Ciência e o Poder</title><content type='html'>Foram recentemente publicitados os resultados do Estudo Global do Futebol Português realizado pela D&amp;T (Deloitte &amp; Touch) por encomenda da Liga de Clubes (como noticiado por vários órgãos de imprensa durante a semana e ontem no Expresso numa peça intitulada &lt;a href="http://semanal.expresso.pt/default.asp"&gt;Futebol com Novo Guião&lt;/a&gt;). Segundo se diz, o estudo é particularmente exaustivo e, embora não adiante nada que já não se saiba, estabelece-se como uma referência para a reorganização do mundo do futebol. O diagnóstico aponta para os problemas do costume: desequilíbrio financeiro; sistemas de controlo e gestão deficientes; desalinhamento entre as políticas salariais e a capacidade financeira dos clubes; hiato entre receitas e encargos; recorrentes incumprimentos salariais e fiscais; etc. A solução integrada proposta pela equipa de consultores da D&amp;T passa pela potenciação de novas fontes de receitas; a reformulação do modelo desportivo; a adopção de políticas desportivas mais racionais; a adopção de tectos para as despesas; a aposta na formação; o investimento na especialização dos agentes; entre outros. Num exercício hermenêutico notável, Valentim Loureiro, presidente da Liga de Clubes, veio ontem dizer a público que em virtude das "conclusões" apontadas no estudo (peso do futebol no PIB, no mercado de emprego e enquanto produto-bandeira nacional) era necessário que o Estado satisfizesse uma extensa lista de reinvindicações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste caso trata-se de uma empresa de consultoria e auditoria, mas episódios análogos ou similares são frequentes em estudos de carácter científico. O episódio em questão parece irrelevante: inócuo. Não é. O episódio relatado é sintomático de uma determinada atitude face ao conhecimento produzido pelos «especialistas». Uma atitude - frise-se - particularmente frequente entre nós. Os sistemas abstractos como os saberes especializados e a ciência possuem, apesar de tudo, uma capacidade de legitimação considerável nas sociedades contemporâneas. Veja-se, a título exemplificativo, o próprio caso do Socio[B]logue na blogosfera e o modo como existe, por parte de algumas pessoas, alguma deferência face ao que aqui é escrito, apesar de todas as indicações face às suas limitações e carácter não científico. Apesar da presença de uma atitude ambivalente face à ciência nas sociedades contemporâneas - entre a reverência e a dúvida, como dizia Maria Eduarda Gonçalves (2002) -, os consultores científicos ocupam, ainda, uma posição priviligiada quando se trata de legitimar decisões e posições de índole política [para um entendimento da posição da ciência na contemporaneidade, consultar os volumes colectivos organizados por Maria Eduarda Gonçalves (1993, 1996, 2000, 2002) e João Arriscado Nunes e Maria Eduarda Gonçalves (2001)]. Mas não é a questão da legitimação de que me quero ocupar. É da atitude. Pela sua representação simbólica enquanto um saber independente, autónomo e neutral axiologicamente (resquícios positivistas), a ciência emerge como o parceiro ideal no processo de legitimação de decisões políticas. Isso faz com que existam, frequentemente, tentativas de apropriação abusivas desse conhecimento por parte de agentes políticos. A forma como Valentim Loureiro descartou o núcleo central da proposta da D&amp;T para a reorganização da esfera do futebol e aproveitou alguns dados dispersos apresentados no estudo para apresentar as suas reinvidicações como se fossem esses os primaciais resultados do estudo é uma atitude comum entre nós. Excessivamente comum. Mas, de longe, o mais interessante sociologicamente é constatar como é frequente o silêncio dos «especialistas» face a essas apropriações abusivas e indevidas. Trata-se, porventura, um dos efeitos da dependência económica, bem o sei. E, levando isso em consideração, não é irrelevante que sempre que surgem estas «apropriações criativas», geralmente, pouco ou nada se ouve dos «especialistas» - e isto apesar do assinalável volume de produção no campo da sociologia da ciência, onde algumas destas questões são afloradas, com maior ou menor profundidade (cf. Gonçalves, 1993, 1996, 2000, 2002; Nunes e Gonçalves, 2001). É mais um daqueles silêncios ensurdecedores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gonçalves, Maria Eduarda (coord.) (1993), &lt;em&gt;Comunidade Científica e Poder&lt;/em&gt;, Lisboa: Edições 70. &lt;br /&gt;Gonçalves, Maria Eduarda (org.) (1996), &lt;em&gt;Ciência e Democracia&lt;/em&gt;, Venda Nova, Bertrand&lt;br /&gt;Gonçalves, Maria Eduarda (org.) (2000), &lt;em&gt;Cultura Científica e Participação Pública&lt;/em&gt;, Oeiras, Celta&lt;br /&gt;Gonçalves, Maria Eduarda (org.) (2002), &lt;em&gt;Os Portugueses e a Ciência: Entre a Reverência e a Dúvida&lt;/em&gt;, Lisboa: Dom Quixote.&lt;br /&gt;Nunes, João Arriscado e Maria Eduarda Gonçalves (org.) (2001), &lt;em&gt;Enteados de Galileu?: A Semiperiferia no Sistema Mundial da Ciência&lt;/em&gt;, Porto: Edições Afrontamento&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105931089859628283?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105931089859628283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105931089859628283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_07_27_archive.html#105931089859628283' title='A Ciência e o Poder'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105917095687063816</id><published>2003-07-25T23:09:00.000+01:00</published><updated>2003-07-28T01:27:36.166+01:00</updated><title type='text'>GLO: Intradução</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Intradução&lt;/strong&gt;. Os livros, como outros produtos culturais, podem ser exportados ou importados. Essa importação ou exportação pode ser feita por meio de originais ou através de tradução. Intradução refere-se à importação literária sob a forma de tradução. Inversamente, a extradução reporta-se à exportação sob a forma de tradução. Portugal, por exemplo, é, tradicionalmente, um país com uma elevada taxa de intradução, por oposição a países cujas taxas de intradução são exíguas como, por exemplo, o Reino Unido ou os Estados Unidos da América. Este termo é aplicado nos campos da sociologia da edição, do livro e da literatura e foi desenvolvido por autores como Pascale Casanova ou Joseph Jurt, entre outros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105917095687063816?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105917095687063816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105917095687063816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_07_20_archive.html#105917095687063816' title='GLO: Intradução'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105916481289629889</id><published>2003-07-25T21:26:00.000+01:00</published><updated>2003-07-26T16:57:38.150+01:00</updated><title type='text'>As Caixas de Ferramentas e os Operários</title><content type='html'>José Bragança de Miranda (&lt;a href="http://reflexosdeazulelectrico.blogspot.com/"&gt;Reflexos de Azul Eléctrico&lt;/a&gt;), autor consagrado no campo da Sociologia da Comunicação e blogger proeminente (e prolixo), dedicou, recentemente, algumas linhas esparsas a Michel Foucault. Mais especificamente, o autor debruçou-se sobre a conhecida analogia onde Foucault compara o seu trabalho com a construção de uma pequena «caixa de ferramentas» [&lt;a href="http://reflexosdeazulelectrico.blogspot.com/2003_07_01_reflexosdeazulelectrico_archive.html#105900327800143099"&gt;texto&lt;/a&gt;]. Bragança de Miranda parece reportar-se a uma mítica entrevista do autor francês com R.-P. Droit, publicada no diário francês Le Monde, a 21 de Fevereiro de 1975. Foucault concluiu então essa entrevista sugerindo que "&lt;em&gt;un livre est fait pour servir à des usages non définis par celui qui l'a écrit&lt;/em&gt;". Logo acrescentou: "&lt;em&gt;tous mes livres (...) sont, si vous voulez, de petites boîtes à outils&lt;/em&gt;", exortando de seguida os seus leitores a "&lt;em&gt;les ouvrir, se servir de telle phrase, telle idée, telle analyse&lt;/em&gt;" (Foucault, 1975: 1588). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bragança de Miranda promove, a partir de Foucault, um exercício reflexivo onde explora essa analogia da relação entre as ferramentas (os instrumentos conceptuais ou as formulações teóricas) e os operários (os investigadores). E, como sublinha o autor, incisivamente, "&lt;em&gt;há operários e operários&lt;/em&gt;". Concretizando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;Aqueles que estão de mãos à obra e têm a intuição suficiente para ir buscar a ferramenta certa na caixa que têm ao lado, e ao longo do trabalho vão desarrumando a caixa sem nunca perderem o sentido da ferramenta, indo com mão segura buscá-la, tacteando com certeza, sem precisar de olhar para ela. No fim do dia a caixa está toda desarrumada, e o servente de operário vai arrumar as ferramentas por espécies, tamanhos e funções, de modo a se poder continuar a trabalhar. Existem ainda outro tipo de operários que gastam o tempo a arrumar a caixa, são contra a desordem que baralha todas as ferramentas e criam sistemas para que o desarrumar seja controlado ou seja impossível. A caixa está bem arrumada... mas a obra não chega a começar. São operários... teóricos.&lt;/em&gt;". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras de Bragança de Miranda não são somente significativas do ponto de vista da análise do trabalho dos investigadores. Com efeito, elas exemplificam, também, uma atitude que foi emergindo, sensivelmente, no último quarto de século do século XX. O que passou. Entre nós, o expoente máximo dessa atitude é, talvez, José Machado Pais, devido - primacialmente - à forma inovadora e original como utiliza as formulações teóricas e conceptuais de forma criativa enquanto instrumentos heurísticos de pesquisa. Assim, o autor contrapõe à convencional "&lt;em&gt;cultura de finalidade&lt;/em&gt;" uma "&lt;em&gt;cultura de recriação&lt;/em&gt;", isto é, ele suplanta a utilização da teoria numa "&lt;em&gt;lógica demonstrativa (finalista)&lt;/em&gt;" por meio do seu uso numa "&lt;em&gt;lógica de descoberta (criativa)&lt;/em&gt;" (Pais, 2001: 103). Essa postura «criativa» não é, todavia, pacífica. Longe disso. De facto, muitos autores olham com desconfiança para «apropriações excessivamente criativas» dos produtos do seu labor. Curiosamente, ou não, encontramos em Foucault o inverso dessa atitude. Disso é emblemática a sua célebre abertura do curso de 1976 no Collége de France, "&lt;em&gt;Il Faut Defendre la Sociétè&lt;/em&gt;". Dizia então aos seus numerosos ouvintes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;...considero-os inteiramente livres para fazer, com o que eu digo, o que quiserem. São pistas de pesquisa, idéias, esquemas, pontilhados, instrumentos: façam com isso o que quiserem. No limite, isso me interessa, e isso não me diz respeito. Isso não me diz respeito, na medida em que não tenho de estabelecer leis para a utilização que vocês lhes dão. E isso não me interessa, na medida em que, de uma maneira ou de outra, isso se relaciona, isso está ligado ao que eu faço.&lt;/em&gt;" (Foucault, 2000: 4)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bragança de Miranda, na sua análise dos «tipos de operários», esqueceu-se de mencionar aqueles que gostam de partilhar as suas caixas de ferramentas. Não é, porventura, difícil de perceber porquê. Não há muitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foucault, Michel (1975), «Des supplices aux cellules» (Entrevista com R.-P. Droit), in Michel Foucault (2001), &lt;em&gt;Dits et Écrits, 1954-1988, Volume I (1954-1975)&lt;/em&gt;, Paris: Gallimard, pp. 1584-1588.&lt;br /&gt;Foucault, Michel (2000), &lt;em&gt;Em Defesa da Sociedade&lt;/em&gt;, São Paulo: Martins Fontes.&lt;br /&gt;Pais, José Machado (2001), &lt;em&gt;Ganchos, Tachos e Biscates: Jovens, Trabalho e Futuro&lt;/em&gt;, Porto: Âmbar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota Adicional 1: Bragança de Miranda (&lt;a href="http://reflexosdeazulelectrico.blogspot.com/2003_07_01_reflexosdeazulelectrico_archive.html#105923209252106965"&gt;Reflexos de Azul Eléctrico&lt;/a&gt;) desenvolveu já o argumento que antes produzira. Voltando à caixa faz notar como esta "&lt;em&gt;é ainda uma ilusão de coerência, pois a ter sentido acaba por se confundir com a totalidade da existência&lt;/em&gt;". Conclui dizendo: "&lt;em&gt;Os que pensam poder compartilhar a caixa são teóricos da «caixa», sempre demasiado lentos quando a ocasião irrompe. Aqueles que, nesse preciso instante, estiverem juntos encontrarão as ferramentas de que estão precisados. Ou não...&lt;/em&gt;". É perante palavras como estas que o Socio[B]logue se sente pequenino. Minúsculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota Adicional 2: Saiu agora o terceiro número da revista &lt;a href="http://www.surveillance-and-society.org/journalv1i3.htm"&gt;Surveillance &amp; Society&lt;/a&gt;. É um número temático intitulado «Foucault and Panopticism Revisited». Quem se interessa pelas questões do «controlo social», do «panopticismo» e da «vigilância» encontra ali alguns artigos interessantes. &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105916481289629889?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105916481289629889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105916481289629889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_07_20_archive.html#105916481289629889' title='As Caixas de Ferramentas e os Operários'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105906148662360688</id><published>2003-07-24T16:44:00.000+01:00</published><updated>2003-07-28T01:28:07.140+01:00</updated><title type='text'>GLO: Sociologia</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Sociologia&lt;/strong&gt;. "&lt;em&gt;[Sociologia é] o que fazem os sociólogos&lt;/em&gt;" (Costa, 1992: 9). &lt;br /&gt;Costa, António Firmino da (1992), &lt;em&gt;Sociologia&lt;/em&gt;, Lisboa: Difusão Cultural.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105906148662360688?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105906148662360688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105906148662360688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_07_20_archive.html#105906148662360688' title='GLO: Sociologia'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105905915764720099</id><published>2003-07-24T16:05:00.000+01:00</published><updated>2003-08-14T00:15:52.893+01:00</updated><title type='text'>À Margem: Socio[B]logue - Começar de Novo (act)</title><content type='html'>O Socio[B]logue, depois de um breve interregno introspectivo, está de volta aos textos regulares. Regressa, também, com uma imagem renovada, uma nova filosofia e uma nóvel lógica de funcionamento. Além das reflexões e observações habituais, o Socio[B]logue inaugura, também, espaços novos. Regulares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes, porém, das novidades impõe-se uma clarificação daquilo que o Socio[B]logue é (ou melhor, daquilo que tem vindo a ser), na medida em que parece subsistir, em algumas das mensagens que recebo, alguma nebulosidade face aos propósitos deste blogue. O Socio[B]logue não é um espaço "científico". Está, na realidade, longe de o ser. A ciência rege-se por métodos, procedimentos e protocolos bem definidos que não se compadecem com imediatismos (neste caso não existem mecanismos de controlo metodológicos, o «peer review», etc.). O Socio[B]logue é, apenas, um espaço que procura produzir observações sociologicamente informadas sobre determinados fenómenos à medida das suas limitações. As minhas, entenda-se. O seu primacial propósito é, portanto, o de funcionar enquanto uma espécie de laboratório de experimentação sociológica. E não tem pretensões de ser algo mais do que isso. Essa opção implica, evidentemente, algumas reservas face ao que aqui é escrito, devido, primacialmente, à precareidade do conhecimento aqui produzido e apresentado. Por conseguinte, este espaço é apenas um albúm heterogéneo e assiduamente desordenado de reflexões, notas, apontamentos, notações, observações, considerações, impressões, comentários, indicações, pistas de pesquisa, interrogações, questões, problemas, curiosidades, informações, esboços, fragmentos, experiências, experimentações e escritos de gaveta sociológicos. Isto é, sociologicamente informados. Francisco José Viegas, em tempos, referiu-se a isso como «fazer sociologia em directo» [&lt;a href="http://www.aviz.blogspot.com/2003_07_01_aviz_archive.html#105777100609928402"&gt;texto&lt;/a&gt;]. Em sociologia designamo-lo por «street corner sociology», «sociologia de bolso», «sociologia espontânea» (Pierre Bourdieu) ou «sociologia portátil» (Claude Javeau). A produção de conhecimento sociológico, científico, encontra-se nos antípodas do que aqui se faz. Demora, geralmente, longos meses ou anos a ser preparada e levada a cabo. Implica, por isso, um trabalho meticuloso, moroso, contínuo e aprofundado. Árduo. Envolve, também, um conhecimento muito especializado e extensivo sobre um determinado tema, um campo de saber e/ou um objecto de estudo. Todavia, no decurso desses longos processos de investigação vão sendo produzidas inúmeras observações sobre outros temas (contíguos, análogos, transversais, paralelos, marginais, etc.) que assumem a forma de pistas de pesquisa para projectos posteriores; observações esporádicas de interesse; curiosidades; etc. Essas impressões ficam, quase invariavelmente, perdidas na espuma dos dias, escondidas em gavetas sombrias ou relegadas para as margens e notas de pé de página das nossas vidas de todos os dias. Quase tudo o que publico no Socio[B]logue são observações dessa natureza - marginais e periféricas às minhas próprias preocupações sociológicas. Assim, quase tudo o que está contido no blogue são temas sobre os quais possuo um conhecimento algo limitado, tanto em termos de fundamentação teórica, como de conhecimento empírico. E essas limitações são devidas não somente à minha condição de aprendiz de sociólogo, mas também às próprias características deste espaço. Fica a clarificação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como já foi referido, além das reflexões e observações habituais, o Socio[B]logue introduz agora alguns «aperfeiçoamentos».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;em&gt;Glo [Glossário]&lt;/em&gt;: De periodicidade diária. Diariamente será afixada uma breve defiinção de um conceito sociológico ou antropológico. A fonte de inspiração para este espaço encontra-se num dos blogues no qual o Socio[B]logue se fundamentou inicialmente - sem dúvida, um dos melhores e um dos mais citados mundialmente. Falo de &lt;a href="http://francisstrand.blogspot.com/"&gt;How to learn Swedish in 1000 difficult lessons&lt;/a&gt; do jornalista norte-americano Francis Strand. Actualmente a residir em Estocolmo na Suécia com o seu companheiro, Strand apresenta sempre, juntamente com os seus textos, a definição de uma palavra ou expressão sueca. Assim, não só reflecte a sua aprendizagem da língua, como vai partilhando esse processo com os seus leitores. Essa ideia parece ser, aliás, um óptimo veículo de aprendizagem (auto e hetero). E, por isso, o Socio[B]logue procura transpô-la para o campo sociológico. As definições apresentadas serão, habitualmente, retiradas de dicionários de sociologia, de glossários existentes ou consistirão em definições originais (sempre que não se tratarem de originais a fonte é, obviamente, indicada).&lt;br /&gt;*&lt;em&gt;Liv [Livro da Semana]&lt;/em&gt;: De periodicidade semanal. Será apresentado, todas as semanas, um livro no campo das ciências sociais, juntamente com uma breve recensão sobre o mesmo. &lt;br /&gt;*&lt;em&gt;Bib [Bibliografia]&lt;/em&gt;: De periodicidade quinzenal. De quinze em quinze dias será afixada uma pequena bibliografia sobre um tema, um objecto de estudo ou um campo sociológico.&lt;br /&gt;*&lt;em&gt;Bio [Biografia]&lt;/em&gt;: De periodicidade mensal. Todos os meses será exposta uma pequena biografia de um autor no campo das ciências sociais.&lt;br /&gt;*De vez em quando existirão semanas temáticas onde se procurará que exista uma consistência e uma temática comum em parte significativa dos posts, livros recomendados, bibliografias e entradas do glossário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será inusitado recordar que serão bem vindos quaisquer contributos e/ou sugestões para estes novos espaços. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota adicional 1: Joaquim Paulo Nogueira (&lt;a href="http://respiraromesmoar.blogspot.com/"&gt;Respirar o Mesmo Ar&lt;/a&gt;) criou agora um blogue intitulado &lt;a href="http://www.metablogue.blogspot.com/"&gt;Metablogue&lt;/a&gt;. O &lt;a href="http://www.metablogue.blogspot.com/"&gt;Metablogue&lt;/a&gt; pretende ser um observatório de discursos metabloguistas, ou melhor, uma espécie de arquivo do metabloguismo: um espaço que procurará ir registando e arquivando os textos e os debates sobre a blogosfera e o mundo dos blogues. O autor convidou-me para o ajudar - o que aceitei prontamente. Espera-se que seja uma ferramenta útil para quem deseja pensar sobre o mundo dos blogues.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota adicional 2: Nos próximos dias os textos terão uma cadência maior que a habitual de modo a colocar a escrita em dia (estou em dívida para com o Pedro Fonseca, a Isabel Tilly, o Pedro Sanches e o Mário Pires). Tenho, ainda, que desculpar por este período de maior inconstância e descontinuidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105905915764720099?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105905915764720099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105905915764720099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_07_20_archive.html#105905915764720099' title='À Margem: Socio[B]logue - Começar de Novo (act)'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105872184787056235</id><published>2003-07-20T18:24:00.000+01:00</published><updated>2003-07-20T18:24:07.886+01:00</updated><title type='text'>A Prisão no Horizonte</title><content type='html'>Já aqui falei, por mais de uma vez, do trabalho da antropóloga Manuela Ivone Cunha. A ela retorno. Não raramente, há palavras que ficam a pairar nas ruelas da nossa memória. Por vezes, muitas vezes, frases inteiras. Desde que terminei de ler «&lt;em&gt;Entre o Bairro e a Prisão: Tráfico e Trajectos&lt;/em&gt;» uma dessas frases recorrentes, enredantes, tem-me acompanhado. “&lt;em&gt;[H]oje como outrora&lt;/em&gt;”, diz Manuela Ivone Cunha, “&lt;em&gt;é menos incisiva a fronteira entre os que se acham presos e os que estão em liberdade do que entre as populações que têm a prisão no horizonte e as que a não têm&lt;/em&gt;” (2002: 334). A asserção parece excessiva, bem sei. Talvez até hiperbólica. Não é. Praticamente todos os estudos sobre prisões em Portugal, quantitativos e qualitativos, têm apontado para essa crescente dualização entre os grupos sociais que têm a prisão no horizonte e aqueles que a não têm. Essa dualidade tem-se manifestado, fundamentalmente, na crescente uniformidade e homogeneidade do perfil sociográfico e penal da população prisional, a que se tem vindo a assistir nos últimos dez anos. Esse indicador, mais não é do que o reflexo daquilo a que se tem chamado, com menor ou maior rigor, de «nova penalogia» (Feeley e Simon, 1992), «pós-modernismo penal» (Garland, 1995) ou «nova razão penal» (Wacquant, 2000). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A frase de Manuela Ivone Cunha apareceu-me hoje, mais uma vez, depois de ler o artigo &lt;a href="http://jornal.publico.pt/publico/2003/07/19/EspacoPublico/O01.html"&gt;«Continuação de Kafka»&lt;/a&gt; (O Público, Sábado, 19 de Julho de 2003) do sociólogo Augusto Santos Silva acerca da singular situação em que se encontra o também sociólogo Paulo Pedroso. O artigo é, naturalmente, emotivo. E, também naturalmente, impressivo e inflamado. Não é, por isso, surpreendente que algumas das coisas sugeridas no artigo não sejam particularmente precisas. Santos Silva sustenta “&lt;em&gt;que está a ser negado a Paulo Pedroso o seu direito à igualdade perante a lei. O direito a ser tratado como os outros: estar em liberdade enquanto é investigado, não ser prejudicado por iniciativas de terceiros, recorrer aos tribunais superiores.&lt;/em&gt;”. Esta alegação não é mais que uma variação de uma ideia que tem sido continuamente repetida por diversas pessoas: «&lt;em&gt;as figuras públicas não têm mais direitos que os demais, mas também não podem ter menos&lt;/em&gt;». É difícil para um não-jurista, como eu, compreender se alguns direitos de Paulo Pedroso estão a ser «negligenciados». Mas é possível que sim. É provável que sim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até a insinuação de que Paulo Pedroso não está a ser tratado como os outros também parece ser justa. Mas no sentido inverso ao que Santos Silva sugere. Nem todos os reclusos têm «direito», por exemplo, a visitas fora-de-horas, a estar na Ala F do EPL, a celas individuais com casa-de-banho pessoal e a outras simpatias da DGSP que estão longe, muito longe, de estar generalizadas no nosso sistema prisional e de beneficiar a maioria dos reclusos menos mediáticos. E Paulo Pedroso está, além do mais, longe de sentir os efeitos das elevadas taxas de sobrelotação prisional e das enormes taxas de densidade carcerária; as celas partilhadas; os baldes higiénicos; o bacilo de Kock; o risco de ser espancado ou «suicidado»; as arbitrariedades de alguns guardas; o despotismo e prepotência de alguns directores e chefes de guardas; os castigos ilícitos; etc. Não tenho dúvidas de que alguns aspectos do processo em questão possuem contornos «kafkianos». Mas também não tenho dúvidas de que entre os 3.859 presos preventivos muitos deles possuem processos igualmente «kafkianos». Mas a questão central não está em perceber se há, ou não, igualdade de tratamento entre os presos preventivos mediáticos e os outros. Esta questão é, sobretudo, de índole política ou de âmbito jurídico. As questões sociológicas fundamentais estão, em primeiro lugar, em compreender porque é que o caso de Paulo Pedroso provoca tantas discussões em torno dos «problemas processuais». E, em segundo lugar, em perceber como é que problemas que eram anteriormente desvalorizados, secundarizados e negligenciados são agora classificados como essenciais e incontornáveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aplicando a tese da existência de uma divisão entre aqueles que não têm a prisão no horizonte e aqueles que a têm (Cunha, 2002) e o argumento da passagem de um «estado providência» para um «estado penitência» (Wacquant, 2000), este caso incomoda pelo efeito de identificação ou projecção. Habitualmente, estes «processos kafkianos» vitimam pessoas categorizadas como «marginais» (toxicodependentes, prostitutas, minorias étnicas estigmatizadas, etc.). Como o grau de identificação com a generalidade da opinião pública é, nesses casos, muito reduzido, o caso tende a não chocar e os «problemas judiciais», mais ou menos evidentes, tendem a ser negligenciados. Neste caso, acontece o contrário. Os «problemas judiciais» são, por isso, empolados e o incómodo é maior - precisamente por haver uma maior identificação com a pessoa em causa (note-se, todavia que estas reacções não são generalizáveis; outros grupos sociais minoritários na opinião pública parecem congratular-se por, finalmente, “a justiça ser igual para todos”). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que mais me chama a atenção no texto de Augusto Santos Silva é, então, a ingenuidade - uma ingenuidade própria de quem vive no mundo daqueles que não têm a prisão no horizonte. Como a maioria de nós. Como eu. Normalmente estes problemas não nos chocam tanto. Podem incomodar-nos um pouco, envergonhar-nos até, mas não nos chocam. E por uma razão simples. A prisão acontece, normalmente, aos «outros». E, neste caso, os «outros» são grupos populacionais bem definidos. Poucos de «nós» têm familiares, vizinhos ou amigos presos. Poucos de «nós» visitaram estabelecimentos prisionais. Poucos de nós sabem o que é a «procissão matinal», o «fazer a barreira», o «fazer a cela», o «andar nos carimbos». Enfim, poucos de «nós» sabem o que é ter a prisão no horizonte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No quadro do meu projecto de investigação sobre a reclusão tenho estado a organizar um pequeno arquivo documental. Desse arquivo fazem parte dezenas de cartas de reclusos e familiares de reclusos a denunciar «problemas» dos sistemas judicial, penal e prisional não muito distantes daqueles agora evocados por Santos Silva (as arbitrariedades da investigação; as manipulações do direito de recurso; as justificações questionáveis para a prisão preventiva; as interpretações excessivamente subjectivas dos «factos» por parte dos magistrados; as diferenças entre a lei escrita e a lei na prática; a utilização de atalhos legais nebulosos; etc.). Por vezes, esses casos são noticiados nos media. Usualmente, são recebidos com alguma indiferença e, na melhor das hipóteses, resignação. Neste caso, não. Estas reacções incomuns são, talvez, o melhor indicador da divisão sublinhada por Manuela Ivone Cunha, na medida em que sublinham a excepcionalidade deste caso. E é, por isso, que sempre que leio ou ouço alguém a articular prisões, igualdade e direitos e a falar de problemas judiciais me reaparece a frase enredante de Manuela Ivone Cunha: “&lt;em&gt;hoje como outrora é menos incisiva a fronteira entre os que se acham presos e os que estão em liberdade do que entre as populações que têm a prisão no horizonte e as que a não têm&lt;/em&gt;” (2002: 334). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cunha, Manuela Ivone (2002), &lt;em&gt;Entre o Bairro e a Prisão: Tráfico e Trajectos&lt;/em&gt;, Lisboa: Fim de Século.&lt;br /&gt;Feeley, Malcolm e Jonathan Simon (1992), «The New Penology: Notes on the Emerging Strategy of Corrections and Its Implications», &lt;em&gt;Criminology&lt;/em&gt;, Vol.30, Nº4, pp. 449-474.&lt;br /&gt;Garland, David (1995), «Penal Modernism and Postmodernism», in Thomas G. Blomberg e Stanley Cohen (eds.) (1995), &lt;em&gt;Punishment and Social Control&lt;/em&gt;, New York: Aldinede Gruyter, pp. 181-210.&lt;br /&gt;Wacquant, Loïc (2000), &lt;em&gt;Prisões da Miséria&lt;/em&gt;, Oeiras: Celta Editora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota Adicional 1: Há cerca de dois anos e meio, quando comecei um período de trabalho de campo junto de um grupo de ex-reclusos, um deles - que eu então desconhecia – aproximou-se de mim. Chamava-se José. Quando me apanhou à parte disse-me assim: “&lt;em&gt;Sabe, não precisa de se vestir assim e falar assim para estar connosco. Eu olho para si e percebo logo que não é deste mundo. Há dois mundos: o dos que podem ir dentro e o dos que não sabem que apenas alguns podem ir dentro. Quando olho para si sei logo qual é o seu.&lt;/em&gt;”. Envergonhado com o meu desnudamento, engoli em seco. Hoje sei que há um terceiro grupo (aquele a fui pertencendo): o dos-que-não-têm-a-prisão-no-seu-horizonte-mas-que-sabem-que-apenas-alguns-a-têm. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota Adicional 2: A posição em que se está e de onde se olha altera muita coisa. Entre Fevereiro e Março de 2001 iniciaram-se - primeiro o EPL, depois Tires e Custóias - uma série de acções de protesto (greves de fome, levantamentos de rancho, etc.) contra a aplicação desmesurada da prisão preventiva e contra as condições de reclusão dos presos preventivos. A iniciativa foi então «apoiada» pelo então bastonário da Ordem dos Advogados, António Pires de Lima, pela Amnistia Internacional e, sobretudo, pela ACED – Associação Contra a Exclusão pelo Desenvolvimento. Na altura, o Ministro da Justiça, António Costa, recusou, com determinação, um encontro com os presos preventivos dizendo não conversar sob pressão e classificando de excessivos e exagerados os protestos (eventualmente veio a recebê-los, porém, minimizou os problemas existentes e defendeu as magistraturas). O sistema possui alguns problemas menores, dizia, mas é necessário aguardar com serenidade e confiar na justiça. Paulo Pedroso, Ferro Rodrigues e Augusto Santos Silva – então também no governo – nada disseram sobre o assunto na altura. Não era apenas um problema fora da esfera das suas competências. Era também um problema, como tantos outros, longe das suas preocupações. E, sobretudo, longe dos seus mundos de vida. Se o protesto fosse hoje, calculo, as reacções seriam diferentes. Se fossem hoje ministros, suponho, as políticas penais seriam distintas. Com efeito, a posição em que se está e de onde se olha altera muita coisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105872184787056235?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105872184787056235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105872184787056235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_07_20_archive.html#105872184787056235' title='A Prisão no Horizonte'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105840659331357172</id><published>2003-07-17T02:49:00.000+01:00</published><updated>2003-07-17T02:54:48.533+01:00</updated><title type='text'>Os Anormais, o Humor e os Estados-de-Espírito: Apontamentos Breves</title><content type='html'>Um pouco por toda a blogosfera têm ecoado, nos últimos dias, rumores de indignação, mais ou menos enfáticos, devido à aparição de um deficiente mental no programa televisivo Herman SIC. Até agora, o que se disse sobre o tema tem secundarizado - e frequentemente omitido - duas questões de relevo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Nos discursos de parte significativa das pessoas que se referiram ao tema é curioso encontrar, com uma frequência surpreendente, referências à existência, no passado, de episódios análogos a esse. Importa questionar, face a este paradoxo aparente, porque é que a indignação anteriormente sentida não foi (então) suficientemente forte para despoletar as reacções agora exteriorizadas? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No campo da Sociologia, há em Portugal um investigador que tem procurado explorar estes «sobressaltos inesperados de indignação» e estas «alterações súbitas dos estados emocionais colectivos». Falo, designadamente, de António Pedro Dores, investigador do CIES/ ISCTE, e da sua tentativa de desenvolver um quadro de referência teórico-conceptual para enquadrar e interpretar estes fenómenos singulares. Com esse propósito, o autor tem vindo a elaborar, com base nas suas pesquisas sobre a questão prisional, uma proposta em torno do conceito de «estados-de-espírito». Segundo o autor, "&lt;em&gt;[e]stados-de-espírito são sistemas de disposições alternativos e abstractos, ao mesmo tempo independentes e imanentes de pessoas, povoações e instituições (com os seus hábitos sociais particulares) adoptáveis temporariamente por qualquer dessas instâncias sociais, conscientemente ou não, intencionalmente ou não, em associação com sistemas de razões mais ou menos desenvolvidas, sólidas e abertas a novos desenvolvimentos.&lt;/em&gt;" (nota: esta definição é provisória e, por isso, deve ser entendida como um «work-in-progress»; ela encontra-se num trabalho não publicado do autor, provisoriamente intitulado «Espírito Proibicionista»). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do confronto entre o problema referido e a conceptualização de António Pedro Dores resulta a colocação de algumas interrogações: Como compreender que estas ondas de indignação surjam apenas agora? De que modo interpretar a dissociação entre o silêncio pretérito e a actual explosão de interesse no tema? O que justifica a alteração súbita dos «estados emocionais colectivos» face a esta interrogação? Estas questões permanecem, por enquanto, sem respostas convincentes. É, decerto, possível encontrar alguns factores que justificam, ainda que de uma forma parcial, a modificação do estado-de-espírito dominante (a moralização do tema; a formação de um dinamismo de «pack mentality»; a inversão da imagem pública da pessoa em causa; etc.). Mais difícil, bem mais difícil, é explicar porque é que estes factores não surgiram antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Além do episódio relatado ser interessante do ponto de vista da formação súbita de «estados emocionais colectivos», ele possui também indícios, não negligenciáveis, dos discursos sobre a deficiência e as pessoas deficientes nas sociedades contemporâneas. Michel Foucault explorou esse tópico, ainda que de uma forma marginal, num dos seus famosos cursos no Collège de France: «Les Anormaux (1974-1975)» [Esses textos notáveis têm sido paulatinamente publicados nos últimos anos pela Gallimard/Seuil. Até agora foram editados três volumes: «Les Anormaux»; «L'Hermeneutique du Sujet» e «Il Faut Défendre la Société». Estes textos têm sido traduzidos para português pela editora brasileira Martins Fontes.] Na sua «archéologie de l'anormalité» (1975, 1999), Foucault havia já exposto a heterogeneidade e variabilidade histórica nas representações e discursos sobre a «anormalidade», as «doenças mentais» e as «deficiências» (embora - frise-se - isso ocupe um lugar relativamente marginal no seu argumento). Extrapolando o trabalho seminal de Foucault, é possível notar, na contemporaneidade, a coexistência de duas imagens ou representações da «anormalidade» diversas. Por um lado, a figura do deficiente é «desumanizada» (associada a uma imagem desagradável, ímpia e pérfida). E, por isso, alvo de escárnio, troça ou hostilidade. Por outro lado, subsiste a imagem inversa, assente numa representação vitimizada e infantilizada das pessoas deficientes (a que se associa uma imagem de inocência, inculpabilidade, ingenuidade, integridade e pureza). E, por conseguinte, alvos de pena, enternecimento e compaixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos tempos que correm, a representação pública da anormalidade tende a oscilar entre estes dois pólos antagónicos. Essa tensão entre as duas extremidades tem sido explorada por uma série de autores que têm trabalhado a relação entre o humor e a deficiência, mostrando a tensão entre o cómico e o trágico. Veja-se, por exemplo, o número especial da revista &lt;em&gt;Body &amp; Society&lt;/em&gt; - publicação notável, editada por Mike Featherstone e Bryan S. Turner - dedicado ao tema da relação entre humor e deficiência (Vol.5, Nº4, 1995). Consultem-se, a este respeito, os textos de Ian Stronach e Julie Allan (1995), de Tom Shakespeare (1995), de Albert Robillard (1995), de Gary L. Albrecht (1995) e de Marian Corker (1995). Dessa dualização das imagens da deficiência são exemplificativas as palavras contundentes de Tom Shakespeare: "&lt;em&gt;There is a tension, in the history of disability and comedy, between open amusement at the predicament of the physically different, and a civilizing process which would banish such voyeurism and prejudice.&lt;/em&gt;" (1995: 48). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso em causa é, talvez, o melhor exemplo desta coexistência tensa entre as duas imagens. O deficiente mental em questão possuiu, nos últimos meses, a imagem pública de um «perfeito anormal» (que lhe valeu o epíteto de «emplastro», um website, aparições em programas televisivos, um número dificilmente contabilizável de montagens fotográficas, etc.). A participação no Herman SIC parece ter invertido essa imagem, tornando-o, extemporânea e inesperadamente, uma vítima inocente - alvo incauto de aproveitamentos alheios (note-se a súbita alteração do logotipo do &lt;a href="http://www.marretas.blogspot.com/"&gt;Blogue dos Marretas&lt;/a&gt;). Esta transformação abrupta da imagem pública da pessoa em causa, não deixa de ser curiosa de um ponto de vista sociológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, todavia, um nexo comum entre as duas posições (a cómica e a trágica): ambas objectificam o deficiente. Ou seja, a pessoa deficiente é claramente definida como um Outro. Ela não é como nós e, portanto, ela não é um de nós. O que parece ir, de alguma forma, ao encontro do argumento de Tom Shakespeare: "&lt;em&gt;The comic stereotype of the disabled fool or clown is part of a pattern of cultural representation which always maintains physically different people as other, as alien, as the object of curiosity or hostility or pity, rather than as part of the group. "We" are always laughing at "them" or "him/her" or even "it".&lt;/em&gt;" (Shakespeare, 1995: 49) [o argumento de Shakespeare dirige-se a deficientes físicos, mas o que diz pode ser alargado também a deficientes mentais]. Com efeito, quer seja alvo de troça ou de pena, a pessoa deficiente está, quase sempre, do outro lado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Albrecht, Gary L. (1995), «Disability Humor: What's in a Joke?», &lt;em&gt;Body &amp; Society&lt;/em&gt;, Vol.5, Nº4, pp. 67-74 [&lt;a href="http://www.sagepub.co.uk/journals/details/issue/sample/a010793.pdf"&gt; PDF (135Kb)&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;Corker, Marian (1995), «'Disability' - The Unwelcome Ghost at the Banquet ... and the Conspiracy of 'Normality'», &lt;em&gt;Body &amp; Society&lt;/em&gt;, Vol.5, Nº4, pp. 74- [&lt;a href="http://www.sagepub.co.uk/journals/details/issue/sample/a010794.pdf"&gt;PDF (141Kb)&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;Dores, António Pedro (2003), &lt;em&gt;Espírito Proibicionista&lt;/em&gt;, (não publicado)&lt;br /&gt;Foucault, Michel (1975 [2001]), «Les Anormaux», &lt;em&gt;Dits et Écrits, 1954-1988, Volume I (1954-1975) &lt;/em&gt;, Paris: Gallimard, pp. 1690-1696&lt;br /&gt;Foucault, Michel (1999), &lt;em&gt;Les Anormaux: Cours au Collège de France, 1974-1975&lt;/em&gt;, Paris: Gallimard/Seuil.&lt;br /&gt;Robillard, Albert B. (1995), «Wild Phenomena and Disability Jokes», &lt;em&gt;Body &amp; Society&lt;/em&gt;, Vol.5, Nº4, pp. 61-66 [&lt;a href="http://www.sagepub.co.uk/journals/details/issue/sample/a010792.pdf"&gt;PDF (95Kb)&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;Shakespeare, Tom (1995), «Joking a Part», &lt;em&gt;Body &amp; Society&lt;/em&gt;, Vol.5, Nº4, pp. 47-53 [&lt;a href="http://www.sagepub.co.uk/journals/details/issue/sample/a010789.pdf"&gt; PDF (104Kb)&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;Stronach, Ian e Julie Allan (1995), «Joking with Disability: What's the Difference between the Comic and the Tragic in Disability Discourses? », &lt;em&gt;Body &amp; Society&lt;/em&gt;, Vol.5, Nº4, pp. 31-46 [&lt;a href="http://www.sagepub.co.uk/journals/details/issue/sample/a010789.pdf"&gt;PDF (201Kb)&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota Adicional 1: Embora não esteja directamente relacionado com o tema em questão, &lt;a href="http://guerraepas.blogspot.com/"&gt;Guerra e Pas&lt;/a&gt; produziu uma &lt;a href="http://guerraepas.blogspot.com/2003_07_01_guerraepas_archive.html#105837015237726307"&gt;nota&lt;/a&gt; muito interessante sobre a romantização da doença mental e a estetização da loucura. Vale a pena ler com atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota Adicional 2: Leiam o que escreve o Pedro (&lt;a href="http://icosaedro.blogspot.com/"&gt;icosaedro&lt;/a&gt;) numa &lt;a href="http://icosaedro.blogspot.com/2003_07_01_icosaedro_archive.html#105838117768441052"&gt;nota&lt;/a&gt; sobre este assunto. Sublinhe-se, primacialmente, a coragem do mea culpa. A sua observação é também interessante no sentido em que mostra como o programa Herman SIC e as reacções que provocou fizeram alterar publicamente a «natureza» da pessoa em causa - que de "deficiente" passou a deficiente (tópico abordado na segunda parte deste texto). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota Adicional 3: José Pacheco Pereira (&lt;a href="http://abrupto.blogspot.com/"&gt;Abrupto&lt;/a&gt;) interpela-me no sentido de mostrar como algumas formas de problematização sociológica, como a que ensaiei, podem ser desarmantes. E, neste caso, tem razão. Porém, gostaria de frisar que estamos a falar de «algumas formas de problematização sociológica» e não mais do que isso. Mas saindo do plano meta-discursivo para o plano ético ou político (em sentido abrangente), eu penso o seguinte: é lamentável o que aconteceu. Embora este caso tenha sido, por muitas pessoas, comparado com casos anteriores, julgo que é de natureza diferente. E por uma razão simples: nesses casos anteriores houve uma utilização recíproca (uma economia de bens simbólicos, um sistema social de dádiva/ contra-dádiva). Ou seja, as pessoas em causa (Linda Reis, José Esteves, Alexandrino, etc.) foram tão usadas pelo programa, como se aproveitaram dele. Há uma consciência evidente da troca. No caso em questão isso não acontece, na medida em que o deficiente mental em causa não parece ter noção da «troca» que lhe propõem. E isso deve ser, obviamente, condenado. Veementemente condenado. Mas não basta fazer de Herman José e do Herman SIC os bodes expiatórios da nossa indignação, quando o que ali aconteceu é a expressão pública, amplificada e distorcida, daquilo que se passa dentro de nós, de todos nós, e da ambivalência com que tratamos a «anormalidade». Sem uma auto-condenação pela objectificação e coisificação dos deficientes em geral (por via da troça ou da pena, as duas faces da moeda), de nada vale condenar um programa televisivo. Neste sentido o Pedro (&lt;a href="http://icosaedro.blogspot.com/"&gt;icosaedro&lt;/a&gt;) foi a pessoa mais corajosa, pois não apenas condenou o outro, mas a si próprio. Ademais, convém notar que há uma linha muito ténue a separar o respeito e a pena. O respeito é desejável. A pena não. E pior: em casos como este constitui uma tarefa hercúlea evitar a pena (eu, pelo menos, acho que nunca o consegui fazer devidamente). Por conseguinte, fica a condenação... e a auto-condenação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota Adicional 4: O meu amigo Bruno (&lt;a href="http://avatares-de-desejo.blogspot.com/"&gt;Avatares de um Desejo&lt;/a&gt;) desenvolveu este tema num texto intitulado «&lt;a href="http://avatares-de-desejo.blogspot.com/2003_07_01_avatares-de-desejo_archive.html#105846632475494509"&gt;Para além do "emplastro"&lt;/a&gt;», onde tece algumas considerações sobre a problemática geral da deficiência nas sociedades contemporâneas. Entre outros aspectos o Bruno faz notar que "&lt;em&gt;[a] alusão à invisibilidade não equivale a dizer que as pessoas com deficiência não são evocadas na cultura mediática, mas sim que, quando são, ocupam o lugar de signos, de mensagens que tomam a forma de estereótipos culturalmente sedimentados&lt;/em&gt;". Ademais, o Bruno mostra como o complexo encadeamento de efeitos resultantes desses estereótipos resultam numa espécie de auto-fechamento das pessoas deficientes. Como explica, a "&lt;em&gt;projecção de tragédia e a sistemática asserção de incapacidade, de mãos dadas com a letra morta da igualdade de oportunidades, produzem uma meta-narrativa na vida da pessoa com deficiência, sujeitando-as ao fechamento da “narrativa da tragédia pessoal&lt;/em&gt;”. Vale a pena ler.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105840659331357172?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105840659331357172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105840659331357172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_07_13_archive.html#105840659331357172' title='Os Anormais, o Humor e os Estados-de-Espírito: Apontamentos Breves'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105802863262415951</id><published>2003-07-12T17:50:00.000+01:00</published><updated>2003-07-13T22:52:10.060+01:00</updated><title type='text'>A Indústria Cultural do Livro e o Campo da Edição (act.)</title><content type='html'>Nelson de Matos (&lt;a href="http://textosdecontracapa.blogspot.com/"&gt;Textos de Contracapa&lt;/a&gt;) e Manuel Alberto Valente (&lt;a href="http://www.oceanos.blogspot.com/"&gt;Oceanos&lt;/a&gt;), ambos editores, trocaram recentemente algumas observações insuspeitamente contundentes sobre a «indústria editorial». Ou melhor, sobre o estado da «indústria editorial» em Portugal. No contexto da análise sociológica, o tema está longe de ser recente e desenvolveu-se, sobretudo, a partir do trabalho seminal de Walter Benjamin em torno da "obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica" e das investigações de Theodor Adorno e Max Horkheimer em redor da questão das "indústrias culturais". Na actualidade, o tema tem sido abundantemente trabalhado no campo da Sociologia da Cultura e, mais especificamente, em três dos seus sub-campos: a Sociologia do Livro e da Leitura, a Sociologia da Literatura e a Sociologia da Edição (esferas, entre nós, representadas por autores como Maria de Lourdes Lima dos Santos, Eduardo de Freitas, José Afonso Furtado ou Jorge M. Martins). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesses estudos e investigações tem-se tratado, entre outros fenómenos, das transformações no «campo da edição» tenderem para a transição da hegemonia de um «mercado da oferta» para o predomínio de um «mercado da procura». Com efeito, como notava Fabrice Piault, com estas mudanças "&lt;em&gt;[c]orremos o risco de passar de um «mercado da oferta», em que o espaço da criação se encontra cada vez mais reduzido pelas lógicas de mercado, para um «mercado da procura», que não significa exactamente que o mercado é comandado por uma «lógica» de necessidades efectivas da clientela, mas antes que os constrangimentos próprios dos circuitos comerciais se impõem cada vez mais aos produtores e criadores&lt;/em&gt;" (Piault in Furtado, 1995: 83). De facto, se a ênfase na edição tradicional se encontrava no domínio da produção, hoje ela encontra-se claramente na esfera do consumo: a distribuição, a comercialização, o marketing, a promoção, a publicidade, etc. (cf. Martins, 1999; Furtado, 1995). Adicionalmente, convirá sublinhar que os impactes desse fenómeno sobre a própria actividade quotidiana de editores e escritores não são, obviamente, negligenciáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://textosdecontracapa.blogspot.com/"&gt;Nelson de Matos&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.oceanos.blogspot.com/"&gt;Manuel Alberto Valente&lt;/a&gt; parecem viver, com apreensão, estas transformações que fazem com que o livro não seja já (apenas) uma forma de arte, mas também (ou sobretudo) uma mercadoria. É por isso que se referem, com insistência, à necessidade de corresponder às novas "&lt;em&gt;regras da indústria editorial&lt;/em&gt;", sustentando economicamente, através da venda de best-sellers e/ou livros mediáticos, a publicação de obras mais «arriscadas» ou previsivelmente «menos rentáveis». "&lt;em&gt;Publica-se o que dá&lt;/em&gt;", diz &lt;a href="http://www.oceanos.blogspot.com/"&gt;Manuel Alberto Valente&lt;/a&gt; com indisfarçável desencanto e desilusão, "&lt;em&gt;para poder publicar-se o que não dá&lt;/em&gt;". Dinheiro, entenda-se. E, decerto, não será fácil conciliar uma linha editorial consistente, por um lado, com a exigência de rentabilidade, por outro (para uma compreensão das transformações no campo da edição, consultem-se os Nº126-127 de Março de 1999 e Nº130 de Dezembro de 1999 da revista «&lt;em&gt;Actes de la recherche en sciences sociales&lt;/em&gt;», inteiramente consagrados a essa temática).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras de &lt;a href="http://textosdecontracapa.blogspot.com/"&gt;Nelson de Matos&lt;/a&gt; e de &lt;a href="http://www.oceanos.blogspot.com/"&gt;Manuel Alberto Valente&lt;/a&gt; parecem ser, simultaneamente, indicadores de numerosos aspectos: de uma tensão entre uma «cultura cultivada» e uma «cultura de massas»; da reorganização da esfera editorial; da pericialização do campo da edição; do desaparecimento do papel tradicional do editor (hoje, o seu «métier» encontra-se disperso e desagregado por uma rede de actores especializados e há, além do mais, um pequeno conjunto dos chamados «novos intermediários culturais» - penso, designadamente, nos agentes). Parece-me, contudo, que há um aspecto singular - inadvertidamente escondido por detrás desse nostálgico «desencanto» - que tem sido algo negligenciado pela sociologia. Refiro-me ao «declínio da imagem tradicional da profissão de editor». Há não muitas gerações atrás, o trabalho da edição era representado quase como uma forma de arte pelos próprios editores, por leitores e por escritores. De facto, o trabalho laborioso da construção de uma «linha editorial» ou de um «projecto de edição», por meio de um esforço diligente, escrupuloso e minucioso de selecção de obras e de constituição de catálogos era, também, uma arte «nobre». De prestígio. Uma das consequências das transformações no campo da edição foi o declínio dessa representação da «edição-como-uma-arte» e a sua concomitante e progressiva «substituição» pela imagem da «edição-como-um-negócio». Será, talvez, algo abusivo falar de substituição, na medida em que a referida transição esteve, e está, longe de ser linear e absoluta. Na verdade, ambas as imagens co-existem. Mas parece, ainda assim, ser incontroverso constatar a consolidação dessa imagem da «edição-como-um-negócio» (imagem que envolve uma menor «distinção» a nível das representações colectivas, por aparentemente contaminar e poluir o ideal da arte pela arte). E, assim, essa transição parece ter retirado, de alguma forma, parte do «fascínio» e «sedução» usualmente associados à actividade editorial. Quando &lt;a href="http://textosdecontracapa.blogspot.com/"&gt;Nelson de Matos&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.oceanos.blogspot.com/"&gt;Manuel Alberto Valente&lt;/a&gt; falam do estado da «indústria editorial» em Portugal é também nisso que parecem pensar. E, creio eu, é também disso que gostariam de falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Martins, Jorge M. (1999), &lt;em&gt;Marketing do Livro: Materiais para uma Sociologia do Editor Português&lt;/em&gt;, Oeiras: Celta&lt;br /&gt;Furtado, José Afonso (1995), &lt;em&gt;O que é o Livro?&lt;/em&gt;, Lisboa: Difusão Cultural&lt;br /&gt;«Édition, Éditeurs» (1), &lt;em&gt;Actes de la recherche en sciences sociales&lt;/em&gt;, Nº126-127, Março de 1999&lt;br /&gt;«Édition, Éditeurs» (2), &lt;em&gt;Actes de la recherche en sciences sociales&lt;/em&gt;, Nº130, Dezembro de 1999&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota Adicional 1: Jorge Martins, docente do Instituto Politécnico de Tomar e investigador do CIES, encontra-se em fase de conclusão da sua tese de doutoramento no ISCTE, sob a orientação de António Firmino da Costa. "Sociologia do Livro: o Campo da Mediação na Era Digital" é o título provisório da mesma. Será, indubitavelmente, uma obra fundamental para a compreensão do campo da edição na era digital. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota Adicional 2: Em reacção a este texto, Manuel Alberto Valente publicou uma nota no &lt;a href="http://www.oceanos.blogspot.com/2003_07_01_oceanos_archive.html#105813734976540539"&gt;Oceanos&lt;/a&gt; sobre o assunto. A essa nota seguiu-se um curioso diálogo entre o escritor Franciso José Viegas (&lt;a href="http://www.aviz.blogspot.com/2003_07_01_aviz_archive.html#105817516934376945"&gt;Aviz&lt;/a&gt;) e o editor Nelson de Matos (&lt;a href="http://textosdecontracapa.blogspot.com/2003_07_01_textosdecontracapa_archive.html#105818277525401300"&gt;Textos de Contracapa&lt;/a&gt;), precisamente, sobre as relações entre autores e editores. O diálogo é, de um ponto de vista sociológico, extremamente interessante, na medida em que permite ter uma visão prismática do «art world» literário (a noção de «art world» foi desenvolvida por &lt;a href="http://home.earthlink.net/~hsbecker/"&gt;Howard S. Becker&lt;/a&gt;, um dos incontornáveis da análise sociológica). Isto é, permite ter alguma noção das representações, disposições e redes relacionais entre a heterogénea constelação de agentes do campo literário: entre outros, editores, autores, agentes, livreiros (veja-se, já agora, o blogue do livreiro Vincent Bengelsdorf, &lt;a href="http://www.escala_estantes.blogspot.com/"&gt;Bicho Escala Estantes&lt;/a&gt;). Entre as mensagens de correio electrónico que recebi a propósito deste texto, quero destacar um comentário atencioso de um dos autores citados no mesmo: José Afonso Furtado, um dos principais investigadores em Portugal no(s) campo(s) em questão (e, actualmente, &lt;a href="http://www.gulbenkian.pt/fundacao/a11.asp"&gt;Director da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian&lt;/a&gt; e docente do &lt;a href="http://www.educ.fc.ul.pt/hyper/jafurtado.htm"&gt;Curso de Especialização para Técnicos Editoriais da Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa&lt;/a&gt;). Para além de algumas observações, de carácter sociológico, sobre o texto que produzi, o autor menciona os posteriores desenvolvimentos ao seu trabalho na obra  «&lt;em&gt;Os Livros e as Leituras. Novas Ecologias da Informação&lt;/em&gt;» (Lisboa: Livros e Leituras, 2000) e o seu trabalho mais recente em torno da "&lt;em&gt;temática da edição em ambiente digital, a questão da edição electrónica, os problemas levantados pelas novas formas de relação com o texto e a com a leitura tradicional  (...) e  pelos novos suportes de leitura.&lt;/em&gt;". Existem dois artigos disponíveis online da sua autoria onde estas questões são desenvolvidas: «Livro e Leitura no novo Ambiente Digital» [&lt;a href="http://www.educ.fc.ul.pt/hyper/resources/afonsofurtado.pdf"&gt;PDF (302Kb)&lt;/a&gt;] e «O Papel e o Pixel» [&lt;a href="http://www.ciberscopio.net/index.php?area=temas&amp;tema=3&amp;artigo=5"&gt;PDF (3305Kb)&lt;/a&gt;] - este último desenvolvido no quadro do projecto &lt;a href="http://www.ciberscopio.net/"&gt;ciberscopio.net&lt;/a&gt;. Para os interessados em aprofundar o tema e em compreender melhor as ameaças, oportunidades e desafios da edição na era digital são excelentes pontos de partida. Fica a sugestão.&lt;br /&gt;&lt;hr size="-1"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;LinktoComments('&lt;$BlogItemNumber$&gt;')&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;noscript&gt;&lt;a href="http://enetation.co.uk//comments.php?user=socioblog&amp;commentid=&lt;$BlogItemNumber$&gt; "&gt;Comment&lt;/a&gt;&lt;/noscript&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105802863262415951?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105802863262415951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105802863262415951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_07_06_archive.html#105802863262415951' title='A Indústria Cultural do Livro e o Campo da Edição (act.)'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105796295554680195</id><published>2003-07-11T23:35:00.000+01:00</published><updated>2003-07-12T19:44:27.633+01:00</updated><title type='text'>Observatório: «O que é a INTERNET» (Gustavo Cardoso)</title><content type='html'>A colecção «&lt;a href="http://www.quimera-editores.com/catalogo/o_que_e.html"&gt;O que é&lt;/a&gt;» da Quimera Editores tem publicado alguns pequenos livros introdutórios de cientistas sociais: «Sociologia» de António Firmino da Costa (sociólogo), «Globalização» de Mário Murteira (economista), «Arte» e «Globalização Cultural» de Alexandre Melo (sociólogo), «Psicologia» de Jorge Correia Jesuino (psicólogo social). Foi agora publicado «&lt;a href="http://www.quimera-editores.com/catalogo/o_que_e/internet.html&lt;br /&gt;"&gt;O que é a Internet&lt;/a&gt;» do sociólogo Gustavo Cardoso - porventura, o sociológo que em Portugal mais se tem dedicado à questão do ciberespaço. Assim reza o texto de contracapa: "&lt;em&gt;Neste livro, ensaia-se uma aproximação a alguns dos principais conceitos e realizações criados pela/na Internet, mediante uma abordagem que se propõe problematizar determinadas questões que se colocam quando se fala deste canal de comunicação. Procura-se assim contribuir para uma reflexão mais geral que "à luz da sociologia da informação e da comunicação, bem como da economia dos media" possa debater e assimilar convenientemente os efeitos que a Internet operou nas sociedades do mundo inteiro.&lt;/em&gt;". Na obra anterior do autor sublinhem-se o livro «&lt;em&gt;Para uma Sociologia do Ciberespaço&lt;/em&gt;» (Oeiras: Celta Editora, 1998) e os artigos «&lt;em&gt;Contributos para uma sociologia do ciberespaço&lt;/em&gt;» (Sociologia - Problemas e Práticas, Nº25, 1998) e «&lt;em&gt;As causas das questões ou o Estado à Beira da Sociedade de Informação&lt;/em&gt;» (Sociologia - Problemas e Práticas, Nº30, 1999). Fica o apontamento.&lt;br /&gt;&lt;hr size="-1"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;LinktoComments('&lt;$BlogItemNumber$&gt;')&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;noscript&gt;&lt;a href="http://enetation.co.uk//comments.php?user=socioblog&amp;commentid=&lt;$BlogItemNumber$&gt; "&gt;Comment&lt;/a&gt;&lt;/noscript&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105796295554680195?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105796295554680195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105796295554680195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_07_06_archive.html#105796295554680195' title='Observatório: «O que é a INTERNET» (Gustavo Cardoso)'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105774405734284992</id><published>2003-07-09T10:47:00.000+01:00</published><updated>2003-07-14T00:08:48.456+01:00</updated><title type='text'>A «Auto-Poiesis» (act.)</title><content type='html'>As dificuldades de transformação e a resistência à mudança estão ligadas a uma das propriedades habitualmente associadas à evolução dos sistemas sociais: a «auto-poiesis» (cf. Luhmann, 1995). O conceito «auto-poiesis» (proveniente do grego: «auto», por si mesmo; «poiesis», fazer) foi primeiramente trabalhado pelos biólogos chilenos H. Maturana e F. Varela e posteriormente aplicado aos sistemas sociais através da teoria dos sistemas de Niklas Luhmann (1995). Refere-se, sobretudo, às dinâmicas geradas num sistema que conduzem à sua circularidade, auto-produção, auto-sustentabilidade ou auto-referencialidade. Isto é, de acordo com o autor germânico, os sistemas sociais tendem a fechar-se sobre si, a criar e manter uma lógica de funcionamento virada para o interior e a reproduzir-se continuamente. Este é um problema que inúmeras organizações enfrentam. Muitas vezes, na prossecução das suas actividades uma organização desenvolve uma ritualização de práticas, uma reificação de processos, uma cristalização de procedimentos. Isso conduz, em última instância, a uma sobreposição dos «meios» face aos «fins». A organização existe com o fim de existir: a sua própria existência transforma-se no seu objectivo. Desse modo, num sistema auto-poiético «ser» e «fazer» tornam-se inseparáveis. O sistema tende a organizar-se de forma a que o seu produto seja ele mesmo. Isso não significa que esse fenómeno seja intencional, propositado ou desejado por alguns indivíduos ou grupos, embora o possa ser. Significa, apenas, que a lógica do seu funcionamento tende a sobrepor-se aos fins enunciados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A administração pública – leia-se a nossa administração pública – é a ilustração típica de um sistema auto-poiético. Os discursos prevalecentes no debate in curso em redor do tema, mais ou menos elaborados e sofisticados, são disso um bom exemplo. Do lado dos apologistas da reforma proposta, a ênfase é colocada a nível da «racionalidade dos serviços». Do lado dos seus detractores, nota-se um centramento na questão dos «direitos dos trabalhadores». Poucos, quase nenhuns, enquadram nos seus discursos o problema dos utilizadores dos serviços públicos. Afinal, a razão destes existirem em primeiro lugar. Sintomático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luhmann, Niklas (1995), &lt;em&gt;Social Systems&lt;/em&gt;, Stanford: Stanford University Press&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota Adicional 1: Esta observação em torno da «auto-poiesis» despertou alguns apontamentos críticos de interesse sobre a questão. &lt;a href="http://www.epicurtas.blogspot.com/"&gt;Tyler Durden&lt;/a&gt;, um dos &lt;em&gt;cientistas sociais não praticantes&lt;/em&gt; no mundo dos blogues, avançou com uma nota empírica sobre o papel das fantasias de grupo em contexto de resistência à mudança organizacional [&lt;a href="http://www.epicurtas.blogspot.com/2003_07_01_epicurtas_archive.html#105776929561801204"&gt;texto&lt;/a&gt;]. Por seu turno, Carlos de Abreu Amorim (&lt;a href="http://matamouros.blogspot.com/"&gt;Mata-Mouros&lt;/a&gt;) avança com uma análise de algumas características particulares da administração pública em Portugal à luz dos conceitos luhmannianos de “clausura organizacional” e de “lógica auto-referencial” [&lt;a href="http://matamouros.blogspot.com/2003_07_06_matamouros_archive.html#105780076744407627"&gt;texto&lt;/a&gt;]. São dois pontos interessantes para a prossecução do debate (e vale a pena ler na medida em que são dois textos com uma profundidade analítica admirável).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota Adicional 2: Acabou de ser publicada uma colectânea de boas práticas e de estratégias de desenvolvimento e e-Government. &lt;br /&gt;Nazaré, Luís (coord.) (2003), &lt;em&gt;Mudar a Máquina: A Administração Pública na Sociedade de Informação&lt;/em&gt;, Lisboa: Associação para a Promoção e Desenvolvimento da Sociedade da Informação [&lt;a href="http://www.apdsi.pt/Plano_de_Actividades/mudaramaquina/Mudar_a_Maquina.pdf"&gt;PDF (2,6Mb)&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;&lt;hr size="-1"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;LinktoComments('&lt;$BlogItemNumber$&gt;')&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;noscript&gt;&lt;a href="http://enetation.co.uk//comments.php?user=socioblog&amp;commentid=&lt;$BlogItemNumber$&gt; "&gt;Comment&lt;/a&gt;&lt;/noscript&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105774405734284992?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105774405734284992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105774405734284992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_07_06_archive.html#105774405734284992' title='A «Auto-Poiesis» (act.)'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105768358493362502</id><published>2003-07-08T17:59:00.000+01:00</published><updated>2003-07-08T18:02:57.113+01:00</updated><title type='text'>McLuhan, o Meio e a Mensagem</title><content type='html'>&lt;a href="http://cadernoa6.blogspot.com/"&gt;Caderno A6&lt;/a&gt;, num &lt;a href="http://cadernoa6.blogspot.com/2003_07_01_cadernoa6_archive.html#105751500444676140"&gt;texto&lt;/a&gt; caracterizado por uma sobriedade analítica invejável, chama a atenção para o facto da discussão em torno dos blogues ser, em seu entender, excessivamente prematura. O autor atribui essa «volúpia reflexiva» ao período de euforia que parece caracterizar, tradicionalmente, a introdução e consolidação das inovações tecnológicas. Prematura, segundo o que sugere, devido ao facto de "&lt;em&gt;estarmos em plena época de blogomania&lt;/em&gt;". E, como acrescenta, "&lt;em&gt;a blogomania, pouco diz sobre os blogs&lt;/em&gt;". O problema deste debate - problema, aliás, ao qual o Socio[B]logue não será alheio - não é apenas o facto de ser algo prematuro. Mas o facto de se concentrar - em excesso - na forma, obnubilando, parcial ou totalmente, o conteúdo. Ou seja, parece haver, neste momento, uma preocupação maior com os blogues, enquanto forma, o que com aquilo de que os blogues falam. Há alguns dias atrás, Torill Elvira Mortensen (&lt;a href="http://torillsin.blogspot.com/"&gt;Thinking With My Fingers&lt;/a&gt;), num contexto diverso do nosso (europa do norte; onde existe uma comunidade de blogues de investigação impressionante), parecia reportar-se à mesma questão. Evocando McLuhan, manifestava alguma preocupação "&lt;em&gt;about the focus being too much turned to the form itself. As if the fact that a message is communicated by way of a blog is more important than the message.&lt;/em&gt;" [&lt;a href="http://torillsin.blogspot.com/2003_07_01_torillsin_archive.html#105715553442641106"&gt;texto&lt;/a&gt;]. Relembremo-nos que foi o incontornável Marshall McLuhan quem, ainda em 1964, cunhou a expressão "&lt;em&gt;the medium is the message&lt;/em&gt;", naquele que é, sem dúvida, um dos maiores textos clássicos no campo da sociologia da comunicação. Se é evidente que é importante compreender as características deste novo meio e os impactes pessoais e sociais associados à sua utilização, parece ser igualmente óbvio que isso não justifica a sobreposição da forma ao conteúdo. Fica, portanto, a nota de culpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;McLuhan, Marshall (1964 [1994]), &lt;em&gt;Understanding Media: The Extensions of Man&lt;/em&gt;, London: The MIT Press&lt;br /&gt;&lt;hr size="-1"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;LinktoComments('&lt;$BlogItemNumber$&gt;')&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;noscript&gt;&lt;a href="http://enetation.co.uk//comments.php?user=socioblog&amp;commentid=&lt;$BlogItemNumber$&gt; "&gt;Comment&lt;/a&gt;&lt;/noscript&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105768358493362502?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105768358493362502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105768358493362502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_07_06_archive.html#105768358493362502' title='McLuhan, o Meio e a Mensagem'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105757278153516705</id><published>2003-07-07T11:13:00.000+01:00</published><updated>2003-07-08T01:07:08.910+01:00</updated><title type='text'>Os constrangimentos das linhas editoriais dos blogues (act.)</title><content type='html'>&lt;a href="http://guerraepas.blogspot.com/2003_07_01_guerraepas_archive.html#105732953432196013"&gt;Guerra e Pas&lt;/a&gt; disse também: “&lt;em&gt;Ocorre-me que podemos mudar de pele. Deixar este e criar outro. Start all over.&lt;/em&gt;”. Ler o que escreveu remeteu-me, automaticamente, para um pensamento que me acompanha há algum tempo. Já aqui mencionei as palavras de &lt;a href="http://news.bbc.co.uk/1/hi/sci/tech/1581891.stm"&gt;Ted Nelson&lt;/a&gt; quando este preconiza que somos prisioneiros das aplicações que usamos. Mas serão essas as únicas limitações? Creio que não. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada blogue, cada bom blogue, parece caracterizar-se, também, por uma coerência (que pode assumir muitas formas: uma «linha editorial», um «conceito», uma «lógica interna», um «modelo», uma «identidade», um «ethos», um «projecto», um «estilo» ou uma «estilização»). Daí que alguns bloggers, como José Pacheco Pereira (&lt;a href="http://abrupto.blogspot.com/"&gt;Abrupto&lt;/a&gt;; &lt;a href="http://www.estudossobrecomunismo.blogspot.com/"&gt;Estudos Sobre O Comunismo&lt;/a&gt;), Ana Teles (&lt;a href="http://lua.weblog.com.pt/"&gt;Lua&lt;/a&gt;; &lt;a href="http://girls-thoughts.blogspot.com/"&gt;A Girl’s Thoughts&lt;/a&gt;) ou o incansável Pedro Fonseca (&lt;a href="http://contrafactos.blogspot.com/"&gt;Contra Factos &amp; Argumentos&lt;/a&gt;; &lt;a href="http://bolas.blogspot.com/"&gt;Bolas&lt;/a&gt;; &lt;a href="http://tecnosfera.blogspot.com/"&gt;Tecnosfera&lt;/a&gt; – além do &lt;a href="http://blogsempt.blogspot.com/"&gt;Blogs em pt&lt;/a&gt;, em período conturbado de existência) sintam a necessidade de se dividir (ou multiplicar) em dois, ou mais, preferindo várias linhas editoriais, complementares ou alternativas, mas coerentes, a uma única linha pouco consistente. Daí, também, que Jorge Candeias (&lt;a href="http://trilhademoebius.blogspot.com/"&gt;Trilha de Möbius&lt;/a&gt;; &lt;a href="http://lampadamagica.blogspot.com/"&gt;Lâmpada Mágica&lt;/a&gt;) ou Nuno Jerónimo (&lt;a href="http://www.marretas.blogspot.com/"&gt;Blogue dos Marretas&lt;/a&gt;; &lt;a href="http://diariointerior.blogspot.com/"&gt;Diário Interior&lt;/a&gt;) possuam, além de um blogues colectivo, um pessoal. Essas opções relativas às linhas editoriais, feitas conscientemente ou não, circunscrevem-nos também a determinados limites. Poderão os blogues de humor sair das suas linhas humorísticas ou sentir-se-ão na obrigação de as respeitar? Poderão os espaços de ciberjornalismo sair dos seus limites auto-impostos? Será que os lugares confessionais e intimistas podem quebrar a sua lógica? Poderão os eruditos, diletantes e os que buscam o prazer da sabedoria (e, portanto, também a sabedoria do prazer), romper a sua coerência? E os fotoblogues? E os blogues literários? Enfim, poderei eu, fazer do Socio[B]logue algo mais que um blogue de observações, reflexões e interrogações sociológicas? Questiono-me, então, se não seremos também coarctados pelas nossas linhas editoriais e, portanto, «prisioneiros» dos limites que nós próprios impusemos aos nossos blogues? É aqui que se joga a ambivalência: se a tecnologia nos oferece oportunidades, também nos estabelece restrições; se o fechamento do ethos do nosso blogue nos abre possibilidades, também nos determina limites. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão pode parecer anódina, todavia, esses limites parecem condicionar, de forma decisiva, a forma como nos relacionamos com os nossos blogues (e, portanto, as «ansiedades» a isso associadas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota adicional: &lt;br /&gt;O conhecimento científico é, por natureza, «precário» e «provisório». Existem, porém, situações onde essa precareidade é amplificada. O texto aqui apresentado é disso um bom exemplo. Estamos a caminhar em terreno pouco explorado e, por isso, os «recursos conceptuais interpretativos» são escassos, senão inexistentes. Devido a essa inusitada escassez, o texto acima reproduzido não passa, possivelmente, de uma "especulação sociologicamente informada". Em sociologia é utilizado um pequeno conjunto de expressões depreciativas para designar esse tipo de incursões sociológicas pouco fundamentadas: "sociologia de bolso", "sociologia espontânea", "street corner sociology", etc. O apontamento apresentado parece, então, ser ainda mais «precário» que as reflexões e observações sociológicas que aqui têm sido habitualmente produzidas. Mas, muitas vezes, a precareidade parece ser a única opção. Como agora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, essa precareidade inicial parece ter sido mitigada pelo debate que foi tendo lugar nos comentários a este texto. Nesse espaço foram-se discutindo algumas questões que corrigem e completam o argumento acima apresentado. No quadro deste debate deveras produtivo, Jorge Candeias notou que "&lt;em&gt;um blogue acaba por construir-se um pouco como uma história, ou um livro. Um livro deve ter uma qualquer coerência interna para resultar, e nem todas as ideias que o autor tem enquanto escreve podem ser utilizadas na sua construção.&lt;/em&gt;". Clara M. pareceu corroborar essa argumentação ao indicar que "&lt;em&gt;[u]m blogue acaba por construir-se um pouco como uma história e, mesmo inconscientemente (em alguns casos, pelo menos), vamos "seleccionando" o que pensamos pertencer-lhe&lt;/em&gt;". Foi adicionalmente constatado, por parte do Bruno Sena Martins, que "&lt;em&gt;a disposição dos links de outros blogs por temas poderá contribuir para operar uma cristalização identitária daqilo que venha a ser a sua produção&lt;/em&gt;". Luis N., por sua vez, fez notar que "&lt;em&gt;a criatividade exerce-se melhor em limites estritos&lt;/em&gt;". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma, de acordo com os resultados provisórios do debate, é necessário notar que a «identidade» de um blogue não é um estado, mas um processo (vai-se constituindo aos poucos). Ademais, essa constituição depende tanto do blogueiro, como da imagem que o blogueiro julga que o «outro» tem de si (nesse sentido, a categorização do outro pode influenciar a auto-classificação do eu). E essa identidade-processo (constituída na dialéctica entre o eu e o outro) constitui tanto uma limitação (por circunscrever aquilo que é afixável e o que não o é), como uma oportunidade (por poder estimular a criatividade). O «esforço colectivo» para aqui chegar foi, a meu ver, entusiasmante.&lt;br /&gt;&lt;hr size="-1"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;LinktoComments('&lt;$BlogItemNumber$&gt;')&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;noscript&gt;&lt;a href="http://enetation.co.uk//comments.php?user=socioblog&amp;commentid=&lt;$BlogItemNumber$&gt; "&gt;Comment&lt;/a&gt;&lt;/noscript&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105757278153516705?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105757278153516705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105757278153516705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_07_06_archive.html#105757278153516705' title='Os constrangimentos das linhas editoriais dos blogues (act.)'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105757259865236265</id><published>2003-07-07T11:09:00.000+01:00</published><updated>2003-07-07T15:45:57.760+01:00</updated><title type='text'>O Medo (act.)</title><content type='html'>(título roubado de Al Berto)&lt;br /&gt;Há uns dias atrás, (&lt;a href="http://guerraepas.blogspot.com/"&gt;Guerra e Pas&lt;/a&gt;), um dos espaços mais notáveis da blogosfera, produziu um dos posts mais honestos e bonitos que tive o prazer de ler. Intitulava-se &lt;a href="http://guerraepas.blogspot.com/2003_07_01_guerraepas_archive.html#105732953432196013"&gt;«O Temor»&lt;/a&gt;. Falava, entre outras coisas, das angústias recorrentes dos blogueiros, daquilo que chamava de “&lt;em&gt;malaise dos blogs&lt;/em&gt;” e do facto da “&lt;em&gt;imediatez dos Posts faz[er] dos dias séculos&lt;/em&gt;”. Também o Luis N. (&lt;a href="http://milmaisuma.leiturascom.net/"&gt;ENE Coisas&lt;/a&gt;) se referiu ao tema num &lt;a href="http://milmaisuma.leiturascom.net/arquivo/002230.html#more"&gt;post&lt;/a&gt; recente, ao dizer o seguinte: “&lt;em&gt;não é fácil manter um blogue, e todos os blogueiros o sabem, os que continuam, e os que desistem&lt;/em&gt;”. Argumento também reproduzido por José Xavier (&lt;a href="http://satiro.blogspot.com/"&gt;Satyricon&lt;/a&gt;) ao dizer: "&lt;em&gt;depois de algumas semanas na blogosfera, que parecem anos, o cansaço torna-se evidente&lt;/em&gt;" [&lt;a href="http://satiro.blogspot.com/2003_07_01_satiro_archive.html#105750056605833117"&gt;post&lt;/a&gt;]. Apesar da sua raridade, existem alguns artigos científicos onde as mesmas questões são abordadas, no que respeita ao trabalho científico. Entre nós, lembro-me, por exemplo, de um texto notável da antropóloga Maria Cardeira da Silva (1991), justamente intitulado «&lt;em&gt;A angústia do antropólogo no momento do trabalho de campo&lt;/em&gt;». E qualquer pessoa que já tenha realizado exercícios etnográficos, mais ou menos complexos e mais ou menos prolongados, sabe do que a autora fala: as hesitações, as incertezas, as dúvidas, as flutuações, as oscilações, etc. No caso do mundo dos blogues, a fenomenologia da experiência quotidiana de um blogueiro passa por questões como a ansiedade do feedback, a ansiedade do post seguinte, a ansiedade provocada pela sensação de incapacidade para exprimir uma determinada imagem imagem do «eu», entre outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes comentários deixam entrever a existência de uma psicodinâmica particular em determinados tipos de blogues (aparentemente, aqueles mais sujeitos à «ansiedade do post seguinte»). Isto é, parece ser possível determinar a existência de algumas regularidades na evolução das atitudes dos blogueiros face aos seus blogues. Ao entusiasmo inicial, parece suceder uma fase onde é visível uma maior ansiedade do post seguinte (devido quer às próprias expectativas, quer à internalização das expectativas do «outro» - ou atribuídas ao «outro»). É, aliás, curiosa a menção, nestes casos, ao facto do tempo passar «a voar» (os dias, de acordo com os posts referidos, parecem «anos» ou «séculos»). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar desta temática, por si só, merecer uma análise mais aprofundada, há um outro aspecto - menos evidente - que intriga a minha curiosidade sociológica. De facto, há, neste contexto, uma questão que é sociologicamente interessante, mas que parece passar despercebida. Não é curioso que, ao contrário de outras formas de comunicação mediada por computador (CMC), exista uma enorme reflexividade («pensar sobre si próprio») no mundo dos blogues? Isto é, na generalidade das outras formas de CMC não encontramos tanta discussão e reflexão sobre essas formas. Com efeito, nem em CMCs imediatas (IRC, ICQ, Messenger, Chat-Rooms, etc.) nem em CMCs diferidas (Mailing-Lists, Discussion Groups, etc.), encontramos uma reflexividade tão grande. Por vezes, ela nem sequer existe. Ou seja, não é frequente encontrarmos em mailing-lists, discursos sobre as suas potencialidades e limites, sobre os «temores» associados a essas formas, etc. Por conseguinte, resta explicitar que a menção à reflexão da antropóloga Maria Cardeira da Silva não foi arbitrária: aparentemente, a reflexividade nos blogues é de tal forma profunda que se aproxima mais da reflexividade científica do que de outras CMCs. Mas que particularidades terão os blogues, no quadro das CMCs, que justifiquem esta reflexividade? O fenómeno intriga-me. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cardeira da Silva, Maria (1991), «A angústia do antropólogo no momento do trabalho de campo», &lt;em&gt;Ethnologica&lt;/em&gt;, Nº5.&lt;br /&gt;&lt;hr size="-1"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;LinktoComments('&lt;$BlogItemNumber$&gt;')&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;noscript&gt;&lt;a href="http://enetation.co.uk//comments.php?user=socioblog&amp;commentid=&lt;$BlogItemNumber$&gt; "&gt;Comment&lt;/a&gt;&lt;/noscript&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105757259865236265?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105757259865236265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105757259865236265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_07_06_archive.html#105757259865236265' title='O Medo (act.)'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105748312051822412</id><published>2003-07-06T10:18:00.000+01:00</published><updated>2003-07-06T10:35:59.556+01:00</updated><title type='text'>«L’Écriture Éthopoiétique» e as Entrevistas Imaginárias</title><content type='html'>Algures entre os seus trabalhos em torno da emergência histórica do cuidado de si (“&lt;em&gt;le souci de soi&lt;/em&gt;”), Foucault debruçou-se, num pequeno texto sombrio e pouco conhecido, sobre a «&lt;em&gt;l´écriture de soi&lt;/em&gt;», a escrita de si mesmo, na cultura greco-romana dos séculos I e II D.C.. A escrita de si mesmo caracteriza-se pela meditação, a reflexão, o pensar sobre si mesmo. Enfim, pela elaboração de um discurso sobre o eu. É por isso que Foucault lhe chama uma “&lt;em&gt;écriture éthopoiétique&lt;/em&gt;” (2001: 1237): escrita etho-poiética significa que essa escrita é, também, uma forma de constituição do «eu». O «eu» nasce da escrita e do que se diz. São, sobretudo, duas as formas que a escrita de si mesmo assume na cultura greco-romana: a «correspondência» e os «&lt;em&gt;hupomnêmata&lt;/em&gt;» (cadernos pessoais que servem de «&lt;em&gt;aide-mémoire&lt;/em&gt;», contendo citações, fragmentos de obras, exemplos morais, pequenos pensamentos e reflexões, etc.). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, aliás, curioso notar como os blogues parecem ser uma combinação dessas duas formas de escrita etho-poiética, articulando elementos da escrita para o outro e da escrita para si mesmo. Veja-se, por exemplo, como a descrição que Foucault faz da correspondência se encontra muito próxima de algumas coisas aqui discutidas a propósito da gestão de impressão e da preocupação em redor do modo como somos percepcionados pelo outro:&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Écrire, c’est donc «se montrer», se faire voir, faire apparaître son propre visage auprès de l’autre. Et, par là, il faut comprendre que la lettre est à la fois un regard qu’on porte sur le destinataire (par la missive qu’il reçoit, il se sent regardé) et une manière de se donner à son ragard par ce qu’on lui dit de soi-même.&lt;/em&gt;” (Foucault, 2001: 1244)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas porquê retomar Foucault? Uma das coisas mais fascinantes no mundo dos blogues é o seu estilo retórico prevalecente, o tipo predominante de escrita etho-poiética (isto só se aplica, evidentemente, a blogues onde há um discurso sobre o eu; os fotoblogues ou os blogues de humor possuem lógicas próprias). Ler alguns blogues, não todos, lembra-me um estilo retórico característico quer dos relatos auto-biográficos, quer das entrevistas de história de vida. Quase como se estivéssemos a assistir a entrevistas imaginárias com interlocutores imaginários (o que foi, aliás, já mencionado pelo Bruno Sena Martins). As pessoas projectam interrogações que gostariam que lhes fossem feitas sobre si e ensaiam respostas, mais ou menos elaboradas, a essas questões imaginárias ou projectadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que estará por trás deste estilo discursivo? O que o justifica? Como interpretá-lo? Julgo que essa forma de escrever se deve, em parte, ao facto de existir, nas sociedades ocidentais contemporâneas, uma grande reflexividade das pessoas face ao seu «eu». E essa reflexividade tem sido muito marcada pela entrevista de cariz biográfico. Com efeito, o ser-se entrevistado hoje é um indicador muito forte de sucesso: de êxito. Secretamente, ou não, parte signiificativa dos blogueiros gostaria de ser entrevistada. Embora seja um fenómeno de interpretação complexa, não é difícil compreender este fascínio pela entrevista. Hodiernamente, as pessoas lêem e vêem muitas entrevistas. E, naturalmente, imaginam-se entrevistadas, projectam-se nos entrevistados e elaboram discursos sobre si mesmas nessas projecções. Há, obviamente, variações: há quem se imagine a conversar com a Ana Sousa Dias, com a Bárbara Guimarães, com a Judite de Sousa ou num confessionário com a Teresa Guilherme. Mas, de um modo geral, as pessoas gostam de falar de si e possuem discursos muito elaborados sobre si mesmas: o que são, o que gostam, as suas experiências de vida, os momentos marcantes, etc... O problema é que há um hiato, uma dissociação, entre os discursos que se elaboram e os meios para os exprimir ou comunicar. Nem todos têm acesso aos meios de comunicação. Nem todos possuem formas de explicitar os discursos elaborados. Parece-me, porventura erroneamente, que o sucesso dos blogues também estará relacionado com esse aspecto: as pessoas possuem, por meio de um blogue, a oportunidade de revelar os seus discursos sobre si mesmas... ou, pelo menos, sobre algo relacionado consigo mesmas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, claro, isto é apenas uma hipótese. E, como tal, especulativa, pouco consistente e discutível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foucault, Michel (2001), «L´Écriture de Soi», &lt;em&gt;Dits et Écrits, 1954-1988&lt;/em&gt;, Volume II (1976-1988), Paris: Gallimard, pp. 1234-1249&lt;br /&gt;&lt;hr size="-1"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;LinktoComments('&lt;$BlogItemNumber$&gt;')&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;noscript&gt;&lt;a href="http://enetation.co.uk//comments.php?user=socioblog&amp;commentid=&lt;$BlogItemNumber$&gt; "&gt;Comment&lt;/a&gt;&lt;/noscript&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105748312051822412?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105748312051822412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105748312051822412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_07_06_archive.html#105748312051822412' title='«L’Écriture Éthopoiétique» e as Entrevistas Imaginárias'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105730983441042686</id><published>2003-07-04T10:10:00.000+01:00</published><updated>2003-07-04T10:12:46.500+01:00</updated><title type='text'>Gestão de Impressão, Festinger e a Teoria da Comparação Social</title><content type='html'>Isabel Tilly (&lt;a href="http://www.isabeltilly.blogspot.com/"&gt;Monólogo&lt;/a&gt;) enviou-me um contributo inestimável para a interdisciplinarização do debate em torno da questão da «gestão de impressões». Ela propõe repensarmos o que até agora foi escrito à luz do trabalho do psicólogo social Leon Festinger (1919-1987) e, em particular, da sua teoria da comparação social. De acordo com ela, essa teoria “&lt;em&gt;apesar de datada (tem sido reformulada e desenvolvida no quadro das relações intergrupais) parece-me manter pertinência, já que quando pensamos nos blogs, é impossível não pensar no carácter opinativo que esta forma de comunicação assume&lt;/em&gt;”. Ocorreu-lhe o trabalho de Festinger quando começou a pensar “&lt;em&gt;se a necessidade de recebermos feedbacks, não teria a ver com esta necessidade, que Festinger operacionaliza, de validarmos socialmente as nossas opiniões e aptidões. &lt;/em&gt;” Aqui fica um trecho textual da autoria de Doise, Deschamps e Mugny (1980), reproduzido pela Isabel, sobre Festinger e a teoria da comparação social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;em&gt;Se, para as nossas opiniões, atitudes, crenças, não possuímos a base objectiva (física) que lhes determine a validade, dependemos das outras pessoas para as validar. (…) Perante uma superfície, um indivíduo pode pensar que ela é quebrável ou não; pode dar uma martelada nessa superfície e convencer-se de que a opinião que tinha era certa ou errada. Se uma pessoa lhe diz que a superfície é inquebrável depois de ele a ter quebrado, isso pouco efeito terá sobre a sua opinião. &lt;br /&gt;Inversamente, tomemos o exemplo duma pessoa que julga que se as eleições tivessem sido ganhas pela oposição no seu país, a vida seria bem melhor: se esta opinião é partilhada, então é válida, se não, não é. "Assim, onde a dependência da realidade física é baixa, a dependência da realidade social é, de modo correspondente, alta" (Festinger, 1971). Mas para validar a opinião de um indivíduo, não é necessário que toda a gente pense como ele; basta que as pessoas do grupo a que ele se refere partilhem a sua opinião. Na óptica de Festinger, quanto mais fraco é o poder da realidade física na validade das opiniões, mais aumentem importância do grupo e a pressão para comunicar. &lt;br /&gt;Festinger alargou a sua teoria, em 1954, integrando-lhe a avaliação das aptidões ou capacidades do indivíduo. Com efeito, as opiniões referem-se à situação em que se encontram os sujeitos e também à avaliação da sua capacidade de acção nessa situação, portanto, às suas aptidões. As aptidões de uma pessoa manifestam-se através da suas performances. Mas há casos em que não há qualquer critério objectivo de avaliação das performances. Nessas condições, a ideia que o indivíduo faz da sua aptidão depende dos outros: a ideia que um uma pessoa tem “do seu talento para escrever poesia” depende, em larga medida, da ideia que têm os outros acerca disso. Pelo contrário, a avaliação da aptidão para correr, faz-se comparando o tempo que levam várias pessoas a percorrer a distância. As principais proposições referentes às opiniões e às capacidades na teoria da comparação social, são as seguintes:&lt;br /&gt;1. Existe em todos as pessoas uma tendência para avaliar as suas opiniões e as suas aptidões pessoais.&lt;br /&gt;2. Na ausência de meios objectivos não sociais, as opiniões e aptidões próprias, são avaliadas, comparando-as com as opiniões e aptidões dos outros. &lt;br /&gt;3. A tendência para se comparar com o outro, diminui à medida que aumenta a diferença entre o próprio e o outro, tanto nas opiniões como nas aptidões. Portanto, no interior de um determinado campo de comparação, escolhe-se de preferência, como termos de comparação, aqueles cuja aptidão ou opinião estão mais próximos.&lt;/em&gt;”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retirado de: Doise, W., Deschamps, J., Mugny, G. (1980). &lt;em&gt;Psicologia Social Experimental&lt;/em&gt;. Lisboa: Moraes Editores. (trad. port)&lt;br /&gt;&lt;hr size="-1"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;LinktoComments('&lt;$BlogItemNumber$&gt;')&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;noscript&gt;&lt;a href="http://enetation.co.uk//comments.php?user=socioblog&amp;commentid=&lt;$BlogItemNumber$&gt; "&gt;Comment&lt;/a&gt;&lt;/noscript&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105730983441042686?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105730983441042686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105730983441042686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_06_29_archive.html#105730983441042686' title='Gestão de Impressão, Festinger e a Teoria da Comparação Social'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105726050452940993</id><published>2003-07-03T20:28:00.000+01:00</published><updated>2003-07-03T23:40:25.676+01:00</updated><title type='text'>Objecções à Gestão de Impressão (act.)</title><content type='html'>«Tyler Durden» (&lt;a href="http://epicurtas.blogspot.com"&gt;EpiCurtas&lt;/a&gt;), alter-ego de outro blogueiro de formação sociológica, numa pequena nota, abordou a questão que anteriormente aflorei das particularidades da «gestão de impressão» no mundo dos blogues. Partindo do trabalho de Chris Argyris e Donald A. Schön, «&lt;a href="http://epicurtas.blogspot.com"&gt;Durden&lt;/a&gt;» propõe uma revisão e reformulação do meu argumento com recurso às noções de «presunções não testadas» e «ilusão do controlo». Quem desejar dissecar e aprofundar a questão encontra ali alguns pontos de problematização interessantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São, primacialmente, três os argumentos que avança: (1) segundo diz, parto do pressuposto que é “&lt;em&gt;possível controlar a impressão que os outros constroem sobre o «eu»&lt;/em&gt;”, acrescenta também ao meu argumento que “&lt;em&gt;[o] que temos é menos uma gestão (mensurável e, consequentemente, controlável) da impressão dos outros sobre o «eu», mas apenas mais uma – entre tantas… -manifestação da «ilusão do controlo»&lt;/em&gt;”, na medida em que os indivíduos partem de “&lt;em&gt;uma análise subjectiva, assente em premissas sobre o “outro” não testadas&lt;/em&gt;”; (2) questiona ainda o facto de eu classificar este fenómeno como preocupante e não apenas interessante (crítica já implícita num comentário anterior do Mário do &lt;a href="http://www.livejournal.com/users/retorta/"&gt;Retorta &lt;/a&gt;– se o interpretei correctamente –onde ele dizia que a dependência dos blogues não é diferentes de outras formas de dependência); (3) por último, e sem conexão directa com o argumento, preconiza que ao indicar existirem outros aspectos (além do receio de dar passos em falso e da ansiedade do feedback), sem os indicar, deixo o texto em aberto por razões «tácticas».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. [gestão de impressão e premissas não testadas] Boa parte do que diz parece-me ser clarificador, de um ponto de vista conceptual, para o que escrevi. A clarificação que propõe, sendo pertinente, não me parece entrar em contradição com o conceito de gestão de impressão. E isso na medida em que a gestão de impressão é sempre um «esforço» ou uma «tentativa» (da parte de quem a tenta) e, por conseguinte, é também um "&lt;em&gt;comportamento a partir de uma análise subjectiva, assente em premissas sobre o “outro” não testadas&lt;/em&gt;". Parece-me que as objecções que levanta se dirigem mais à designação do conceito (questão da nomenclatura goffmaniana: gestão de impressão ou administração de impressão), do que ao seu conteúdo. E discordar da designação de um conceito, parece-me, não é sinónimo de discordar do seu conteúdo. Logo, parece-me ser uma questão a um nível epistemológico diferente da que coloca. Conseguintemente, lendo o que escreveu fez-me colocar a questão da pertinência da designação seleccionada por Goffman. E, no que a isso diz respeito, julgo que, de facto, justificar-se-ía uma outra solução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. [interesse e preocupação] À questão de eu considerar o fenómeno em causa tanto interessante, de um ponto de vista sociológico, como preocupante, julgo, como disse, já ter respondido anteriormente em resposta a um comentário do &lt;a href="http://www.livejournal.com/users/retorta/"&gt;Mário&lt;/a&gt;. Penso que o fenómeno é, sem dúvida, interessante de um ponto de vista sociológico. O seu interesse não é, todavia, exclusivamente sociológico. Em pessoas com sintomatologias depressivas (ou mesmo perturbações comportamentais e psicopatias), vulneráveis ao que em psicologia clínica se designa de “crises de ansiedade”, a ansiedade do feedback pode ter efeitos nefastos, por amplificar os sintomas a ela associados. Mas, como também sublinhei nesse comentário, essa questão diz respeito à psicologia clínica (e, quiçá, à psiquiatria). Não à sociologia (quer dizer, poderá ser de interesse para algumas formas de sociologia clínica ou aplicada).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. [tácticas e estratégias] Quando disse existirem outros aspectos além do receio de dar passos em falso e da ansiedade do feedback, estava a pensar designadamente naquilo que Goffman apelida de «perturbações de desempenho» (ele enumera os gestos involuntários, as intromissões inoportunas, as cenas, entre outros). Achei desnecessário mencioná-los, não por uma questão táctica (deixar «pontos de fuga» em aberto), mas para não perturbar a clareza e coerência do argumento. Por conseguinte, esse expediente foi mais uma estratégia de simplificação, do que uma táctica de defesa, por meio da colocação de eventuais «pontos de fuga argumentativos».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só me resta agradecer ao &lt;a href="http://epicurtas.blogspot.com"&gt;T. Durden&lt;/a&gt; pelos contributos interessantes e construtivos para o debate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota Adicional: Inês Amaral (&lt;a href="http://www.conversasdecafe.blogspot.com/"&gt;Conversas de Café&lt;/a&gt;) menciona uma &lt;a href="http://www.conversasdecafe.blogspot.com/2003_07_01_conversasdecafe_archive.html#105716115098205068/"&gt;notícia&lt;/a&gt; sobre um estudo de carácter médico-psiquiátrico em torno do problema do «uso compulsivo da Internet» e da «dependência motivada pela rede». As categorias bio-médicas são sempre de desconfiar... ainda para mais com a crescente «medicalização» das sociedades contemporâneas. Porém, é sempre interessante saber se o nosso comportamento pode ser classificado, ou não, enquanto patológico. E, não obstante a «desconfiança e cepticismo sociológicos», fica a preocupação, já reiterada, com os efeitos potencialmente disruptores da «ansiedade do feedback»...&lt;br /&gt;&lt;hr size="-1"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;LinktoComments('&lt;$BlogItemNumber$&gt;')&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;noscript&gt;&lt;a href="http://enetation.co.uk//comments.php?user=socioblog&amp;commentid=&lt;$BlogItemNumber$&gt; "&gt;Comment&lt;/a&gt;&lt;/noscript&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105726050452940993?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105726050452940993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105726050452940993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_06_29_archive.html#105726050452940993' title='Objecções à Gestão de Impressão (act.)'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105705349709307659</id><published>2003-07-01T10:58:00.000+01:00</published><updated>2003-07-02T00:17:24.446+01:00</updated><title type='text'>A Gestão de Impressão e os Blogues (act.)</title><content type='html'>Lembro-me de ouvir António Lobo Antunes - julgo que em entrevista com Ana Sousa Dias - dizer que não devíamos acreditar no que dizia nas suas entrevistas, na medida em que estas propiciavam, de uma forma geral, que o autor “posasse para a eternidade” (versão literária, sofisticada e erudita do “posar para a fotografia” futebolístico). “É uma vaidade”, dizia, “a que poucos conseguem escapar”. Há todavia, formas muito díspares de «posar». Lobo Antunes falava, claro, da «gestão de impressão»: conceito desenvolvido por Erving Goffman (1993) para se referir aos esforços das pessoas para gerirem a imagem que os outros têm de si, por meio do controlo das impressões que projectam no(s) outro(s). A premissa fundamental desta noção é, como sugere o psicólogo social Barry Schlenker, a de que “&lt;em&gt;conscientemente ou inconscientemente, as pessoas tentam controlar as imagens que projectam para as audiências, reais ou imaginadas&lt;/em&gt;” (Schlenker, 1980: 304). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julgo ser cada vez mais evidente a presença na blogosfera de dois fenómenos habitualmente associados à gestão de impressão. Falo, designadamente, da «ansiedade do feedback» e do receio de «faux pas». A «a ansiedade do feedback» refere-se ao facto das pessoas mostrarem alguma ansiedade, por vezes obsessiva, com o feedback que recebem dos outros. Não deixa de ser sintomático que não existam - eu, pelo menos, não encontro - blogues sem mecanismos de «feedback» ou «interacção»: os contadores, os sistemas de comentários, os endereços de correio electrónico, os message boards, etc. Aliás, seria interessante poder analisar quantas vezes por dia é que os bloggers verificam as suas caixas de correio, os comentários recebidos ou os contadores. Por sua vez, o receio de «faux pas» reporta-se a um temor face à possibilidade de projectar uma imagem de inconsistência e incongruência (receio de cometer gaffes, de denunciar falta de cultura, etc.) que coloque a própria pessoa em causa. Estes aspectos não são, evidentemente, exclusivos do mundo dos blogues. Pelo contrário. São aspectos habitualmente associados às relações interpessoais e à interacção. O que parece estar a tornar-se característico da blogosfera é a sua amplificação. Este fenómeno é tão interessante, de um ponto de vista sociológico, como preocupante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Goffman, Erving (1993), &lt;em&gt;A Apresentação do Eu na Vida de Todos os Dias&lt;/em&gt;, Lisboa: Relógio D’Água&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Schlenker, Barry R. (1980), &lt;em&gt;Impression management&lt;/em&gt;, California: Brooks-Cole&lt;br /&gt;&lt;hr size="-1"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;LinktoComments('&lt;$BlogItemNumber$&gt;')&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;noscript&gt;&lt;a href="http://enetation.co.uk//comments.php?user=socioblog&amp;commentid=&lt;$BlogItemNumber$&gt; "&gt;Comment&lt;/a&gt;&lt;/noscript&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105705349709307659?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105705349709307659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105705349709307659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_06_29_archive.html#105705349709307659' title='A Gestão de Impressão e os Blogues (act.)'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105701412771074735</id><published>2003-07-01T00:02:00.000+01:00</published><updated>2003-07-01T00:02:07.730+01:00</updated><title type='text'>Walter Benjamin, a História dos Vencidos e a Guerra Civil Espanhola</title><content type='html'>Walter Benjamin (1892-1940) constitui, certamente, um dos expoentes máximos do pensamento germânico do século XX. Personagem central no seio da Escola de Frankfurt, Benjamin foi, seguramente, uma das figuras mais obscuras e enigmáticas da história da filosofia continental. Filósofo singular, ensaísta exímio, critico literário inovador, tradutor de Proust e Baudelaire, escritor e sonetista sombrio, coleccionador e bibliófilo apaixonado, historiador idiossincrático, pensador fragmentário e críptico, crítico de arte e cultura seminal, alegorista melancólico, narrador notável das guerras e revoluções do século XX, Benjamin acabaria por suicidar-se em 1940, na fronteira franco-espanhola, perseguido pela polícia hitleriana, com 48 anos e virtualmente desconhecido. Apenas anos mais tarde viria a transformar-se em ‘figura de culto intelectual’ – venerado por linguistas, críticos culturais, historiadores de arte, poetas e escritores, pensadores pós-modernistas e sociólogos. Esse reconhecimento é devido, sobretudo, aos esforços dos seus amigos Theodor W. Adorno, Hannah Arendt, e Gershom Scholem. Entre as suas inestimáveis contribuições para o pensamento contemporâneo encontra-se uma noção seminal que viria a assumir uma importância ímpar na historiografia moderna: a história dos vencidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com o filósofo germânico, na sua célebre obra ‘&lt;em&gt;Teses sobre a Filosofia da História&lt;/em&gt;’ (‘&lt;em&gt;Über den Begriff der Geschichte&lt;/em&gt;’) (Benjamin, 1940), tanto o historicismo como a vulgata ortodoxa do marxismo partilham uma concepção linear de história. Assim, diz-nos Benjamin, as historiografias oficiais tendem a evocar o passado, fazendo despertar recordações dominadas por uma temporalidade ordenada e linear e alinhando, desse modo, os acontecimentos de um forma particular. Uma forma que apenas permite que as pessoas se lembrem de uma sucessão distorcida e pré-determinada de eventos passados. A história oficial, segundo Benjamin, não é mais que ficção: uma montagem selectiva de acontecimentos passados num encadeamento linear significante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse argumento do autor teutónico – de que a história oficial constitui uma versão deformada do passado construída no presente – vem de encontro ao trabalho um número crescente e multifacetado de estudiosos que se foram debruçando sobre a problemática da memória (individual e colectiva) e da percepção do tempo. Dessas reflexões resultou a constatação da influência decisiva do presente sobre a percepção do passado, desfigurando-o e distorcendo-o. O sociólogo francês Maurice Halbwachs, na sua célebre obra póstuma ‘La Mémoire Collective’, diria a esse respeito que “&lt;em&gt;a lembrança é em larga medida uma reconstrução do passado com a ajuda de dados emprestados do presente, e além disso, preparada por outras reconstruções feitas em épocas anteriores e de onde a imagem de outrora manifestou-se já bem alterada&lt;/em&gt;” (1950: 70). Reflexões mais recentes ampliam essas conclusões sugerindo que não só as condições presentes influem a percepção do passado, mas a própria vivência do presente é influenciada pelos acontecimentos passados e pela percepção desses eventos passados (Connerton, 1993).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas propostas vêm, aliás, corroborar a argumentação de Benjamin, no sentido em que tornam evidente a ligação entre a transmissão e conservação da memória social e o poder. Como sustenta Paul Connerton, “&lt;em&gt;não há dúvida de que o controlo da memória de uma sociedade condiciona largamente a hierarquia do poder&lt;/em&gt;” (1993: 2), pois, como acrescenta pouco adiante, “&lt;em&gt;as nossas experiências do presente dependem em grande medida do conhecimento que temos do passado e (...) as nossas imagens desse passado servem normalmente para legitimar a ordem social presente&lt;/em&gt;.” (1993: 4). Os silêncios da história são, neste sentido, reveladores dos mecanismos e dispositivos de construção social do passado e, portanto, de manipulação da memória colectiva; o esquecimento constitui uma vala comum onde repousam actores e personagens anónimos e episódios e acções marginais, suprimidos e eliminados pelas narrativas históricas ortodoxas e convencionais. E se a memória histórica do passado influencia o presente, o controlo sobre essa memória histórica torna-se um sólido instrumento de dominação. Daí se explicam as violentas lutas, ao longo da história, pelo controlo sobre a memória colectiva e pelo monopólio da «verdade histórica». George Orwell, (1903-1950), conspícuo jornalista e novelista de origem britânica, sintetizou na novela ‘1984’, de forma exemplar, essa complexa relação entre o presente, a percepção do passado e o poder reduzindo-a a um notável axioma: “&lt;em&gt;Who controls the past controls the future: who controls the present controls the past&lt;/em&gt;”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deste modo, a História, de acordo com Walter Benjamin, reduz-se a uma história enviesada ou, mais concretamente, a uma escritura histórica triunfalista: a uma história dos vencedores, ou melhor, a uma estória dos grupos dominantes. E isto porque a historiografia tendeu, ao longo do tempo, a entrar em intropatia com os vencedores. Neste contexto, o papel do historiógrafo é, de acordo com Benjamin, o de desafiar as representações da história vulgarmente aceites e estabelecidas. A historiografia, nesta perspectiva, deve ser necessariamente crítica e contra-hegemónica: a história, mais do que um facto, deve ser entendida como um problema. Daí que Benjamin apele a que se erga uma outra história, incitando a “&lt;em&gt;escovar a História a contrapelo&lt;/em&gt;” (1940: 161), e reiterando a inexorável necessidade de não confundir a História com a narrativa histórica dos grupos dominantes. O perigo, como sublinha o filósofo germânico, é o esquecimento, a deslembrança, o silenciamento da memória, pois “&lt;em&gt;toda a imagem do passado (...) corre o risco de desaparecer com cada instante presente que nela não se reconheceu&lt;/em&gt;” (1940: 159). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A salvadora redenção está então, de acordo com Benjamim, em escavar pacientemente o amontoado de ruínas e escombros do passado, recolhendo indícios historiográficos, não para reencontrar o passado como ele foi, mas sim para buscarmos o que nele foi esquecido e abafado: os vestígios que o tempo sufocou, isto é, as personagens e os episódios que foram asfixiados e colocados nas notas de rodapé da história oficial. Os relatos e as memórias recorrentemente negligenciados, omitidos e esquecidos; os pormenores secundários; os detalhes acessórios; as minudências anódinas. É indispensável, diz-nos o autor alemão, reconstruir o passado dos silenciados, dos esquecidos, enfim, dos espoliados da história. É fundamental preservar a memória daqueles que não têm lugar nos manuais de história; salvaguardar os seus testemunhos e depoimentos. É essencial conservar as experiências que narram, os episódios que descrevem, as estorietas que relatam. Benjamin aproxima-se assim de toda uma geração de historiadores, maioritariamente marxistas, que julgaram encontrar na prática da história oral a possibilidade de salvaguardar do esquecimento, a história e a cultura dos grupos dominados. Daí a relevância que atribuía à história oral e à narrativa. Daí a importância que concedia à memória, às lembranças, à recordação, à rememoração, à anamnese. Por conseguinte, os propósitos da filosofia benjaminiana são claros; ela ambiciona ‘fazer a história dos sem história’, ‘dar voz aos sem voz’; ela deseja reescrever a narrativa histórica, erguendo uma contra-história: a ‘história dos vencidos’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A evocação de Walter Benjamin poderá parecer, à primeira vista, desprovida de pertinência, algo deslocada e, porventura, um tanto ou quanto questionável. Todavia, apesar das fragilidades e limitações da argumentação do autor alemão, é possível extrair de Benjamin um princípio de valor inestimável: juntamente com a história, narrativas e memórias oficiais, coabitam outras histórias, contra-narrativas e contra-memórias que não devem ser elididas sob o risco de desperdiçar a compreensão histórica de determinadas figuras, grupos, sociedades, eventos ou períodos. A melhor ilustração desse valioso princípio encontra-se, quiçá, nas palavras de um velho combatente anónimo da guerra civil espanhola, desconhecido para a historiografia, durante a realização da sua história de vida:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“...no sé yo cuanto le puede importar a usted ésto que le estoy diciendo, no sé si ésto le puede importar a alguien, porque éstas cosas no las cuentan los libros, esto no sale nunca en la historia, pero sabe lo que le digo, ésta es mi verdad.” &lt;/em&gt;(Anónimo citado em Santamaria e Marinas, 1999: 257).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem vindo Tiago Barbosa Ribeiro (&lt;a href="http://1936-1939.blogspot.com/"&gt;Estudos sobre a Guerra Civil Espanhola&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Benjamin, Walter (1940 [1992]), «Teses sobre a Filosofia da História», &lt;em&gt;Sobre Arte, Técnica, Linguagem e Política&lt;/em&gt;, Lisboa: Relógio D’Água, pp. 157-170&lt;br /&gt;Connerton, Paul (1993), &lt;em&gt;Como as Sociedades Recordam&lt;/em&gt;, Oeiras: Celta Editora&lt;br /&gt;Halbwachs, Maurice (1950 [1990]), &lt;em&gt;A Memória Coletiva&lt;/em&gt;, São Paulo: Vértice&lt;br /&gt;Santamarina, Cristina e José Miguel Marinas (1999), «Historias de Vida e Historia Oral», in Juan Manuel Delgado e Juan Gutiérrez (coord.) (1999), &lt;em&gt;Métodos y Técnicas Cualitativas de Investigación en Ciencias Sociales&lt;/em&gt;, Madrid: Sintesis, pp. 257-285&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota Adicional: Após a publicação deste apontamento, Tiago Barbosa Ribeiro (&lt;a href="http://1936-1939.blogspot.com/#105727992162736292"&gt;Estudos sobre a Guerra Civil Espanhola&lt;/a&gt;) e José Fernando Guimarães (&lt;a href="http://incognitoqb.blogspot.com/2003_07_01_incognitoqb_archive.html#105733355884868232"&gt;Incógnito QB&lt;/a&gt;) deram sequência ao que aqui foi escrito.&lt;br /&gt;&lt;hr size="-1"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;LinktoComments('&lt;$BlogItemNumber$&gt;')&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;noscript&gt;&lt;a href="http://enetation.co.uk//comments.php?user=socioblog&amp;commentid=&lt;$BlogItemNumber$&gt; "&gt;Comment&lt;/a&gt;&lt;/noscript&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105701412771074735?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105701412771074735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105701412771074735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_06_29_archive.html#105701412771074735' title='Walter Benjamin, a História dos Vencidos e a Guerra Civil Espanhola'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105699827217265707</id><published>2003-06-30T19:37:00.000+01:00</published><updated>2003-06-30T19:40:59.943+01:00</updated><title type='text'>À Margem: O Saber Sociológico de Jorge Luís Borges</title><content type='html'>Nas minhas viagens «arqueológicas» pelos arquivos de alguns blogues, apareceu-me um intrigante axioma: &lt;a href="http://milmaisuma.leiturascom.net/arquivo/000702.html"&gt;«o blog é o blogueiro»&lt;/a&gt; (Luis N., &lt;a href="http://milmaisuma.leiturascom.net/"&gt;Ene Coisas&lt;/a&gt;). Esse apotegma lembrou-me uma passagem notável de Borges:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«Un hombre se propone la tarea de dibujar el mundo. A lo largo de los años puebla un espacio con imágenes de provincias, de reinos, de montañas, de bahías, de naves, de islas, de peces, de habitaciones, de instrumentos, de astros, de caballos y de personas. Poco antes de morir, descubre que ese paciente laberinto de líneas, traza la imagen de su cara.» (Jorge Luis Borges, El Hacedor).&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo que se escolhe mostrar ou elidir, aquilo que queremos ser, é sempre um indicador, uma pista, daquilo que somos. Fica o apontamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr size="-1"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;LinktoComments('&lt;$BlogItemNumber$&gt;')&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;noscript&gt;&lt;a href="http://enetation.co.uk//comments.php?user=socioblog&amp;commentid=&lt;$BlogItemNumber$&gt; "&gt;Comment&lt;/a&gt;&lt;/noscript&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105699827217265707?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105699827217265707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105699827217265707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_06_29_archive.html#105699827217265707' title='À Margem: O Saber Sociológico de Jorge Luís Borges'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105691191027444356</id><published>2003-06-29T19:38:00.000+01:00</published><updated>2003-06-29T21:27:35.396+01:00</updated><title type='text'>A Sobre-Consciência do Eu: Divagações Sócio-Antropológicas</title><content type='html'>Num &lt;a href="http://www.socioblogue.blogspot.com/2003_06_01_socioblogue_archive.html#105688453468549002"&gt;post&lt;/a&gt; anterior produzi algumas observações em redor da sobre-consciência do eu no mundo dos blogues. Essas observações suscitaram o interesse do Bruno Sena Martins (&lt;a href="http://avatares-de-desejo.blogspot.com/"&gt;Avatares de um Desejo&lt;/a&gt;), meu interlocutor para as questões antropológicas. O &lt;a href="http://avatares-de-desejo.blogspot.com/"&gt;Bruno&lt;/a&gt;, partindo de um quadro de referência fenomenológico, questiona algumas das minhas reflexões e reformula alguns dos argumentos que avancei. Reproduzo aqui o que diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Em relação à introdução em que o João reflecte sobre o corpo, gostaria apenas de acrescentar que essa «heightened self awareness» do corpo que temos/somos, não resulta apenas de processos de escrutínio por «outros relevantes» produtores de olhares passíveis de resgatar o corpo à sua costumeira infra-consciência. Na realidade, e numa perspectiva eminentemente fenomenológica, importa que o corpo possa ser analiticamente acolhido fora dos processos de apresentação do self. É nesse sentido que faço notar que, ao falarmos de eventos fomentadores de uma consciência do corpo (ou sobre-consciência), não estaremos necessariamente (ou apenas) perante uma sobre-consciência de si. Parece- me também instigante que possamos dar conta da centralidade que o corpo adquire em experiências de dor/sofrimento somático, prazer, ou experiências de privação corporal, que colocam questões que vão muito para além das construções identitárias. (Haveria ainda a considerar, como refere Miguel Vale de Almeida (1996), as evidências etnográficas em relação às distinções entre corpo e pessoa). Mas, como a introdução se dirigia para o fenómeno da apresentação do eu nos blogs em face das expectativas que sobre alguns recaem (figuras públicas), vamos a isso! Concordo quando assinalas a tensão entre um olhar do outro que é simultaneamente desejado e receado, e dos mecanismos de defesa que se concretizam em algumas expressões recorrentes. Eu apenas acrescentaria que esses mecanismos de defesa não poderão ser entendidos fora de uma articulação com aquilo que eu chamaria de Écriture blogiste. Refiro-me a um discurso dominante de matriz falocêntrica (como tu já referiste), em que um distanciamento crítico com o mundo da vida, a ironia e a auto-ironia (a que se acrescenta uma pujante e selectiva intertextualidade, que, também ela, fomenta alguma auto-referencialidade na blogoesfera ) emergem como estratégias privilegiadas. Daí, em meu ver, decorre o facto dos discursos de direita, menos comprometidos com a transformação social, se sentirem mais em casa no registo/regime dominante na blogoesfera. Um discurso distanciado e irónico é já um discurso que cria as condições da sua própria defesa.&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recomenda, ainda, para os interessados em explorar estas questões as seguintes obras:  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Good, Mary-Jo e Brodwin, Paul e Good, Byron e Kleinman, Arthur, 1992, Pain as Human Experience: An Anthropological Perspective, University of California Press, Berkeley. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lakoff, George e Johnson, Mark, 1999, Philosophy in the Flesh: The Embodied Mind and its Challenge to Western Tthought, Basic Books, Nova Iorque. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Almeida, Miguel Vale de, 1996, Corpo presente: Antropologia do Corpo e da Incorporação, in Almeida, Miguel Vale de (org.), Corpo Presente: Treze Reflexões Antropológicas Sobre o Corpo, Celta, Oeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr size="-1"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;LinktoComments('&lt;$BlogItemNumber$&gt;')&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;noscript&gt;&lt;a href="http://enetation.co.uk//comments.php?user=socioblog&amp;commentid=&lt;$BlogItemNumber$&gt; "&gt;Comment&lt;/a&gt;&lt;/noscript&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105691191027444356?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105691191027444356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105691191027444356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_06_29_archive.html#105691191027444356' title='A Sobre-Consciência do Eu: Divagações Sócio-Antropológicas'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105689822393134705</id><published>2003-06-29T15:50:00.000+01:00</published><updated>2003-07-01T18:37:19.210+01:00</updated><title type='text'>A Reclusão Feminina e Manuela Ivone Cunha</title><content type='html'>Saiu hoje no jornal «O Público» um artigo da jornalista Ana Cristina Pereira sobre a reclusão feminina. Intitula-se &lt;a href="http://jornal.publico.pt/2003/06/29/Destaque/X01.html"&gt;«Portugal É o País da União Europeia Que Mais Encarcera Mulheres»&lt;/a&gt;. O artigo contém, entre outras coisas, menções à antropóloga Manuela Ivone Cunha (Universidade do Minho) e à socióloga Anália Cardoso Torres (CIES/ISCTE).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"(...)Portugal tem a mais alta taxa de encarceramento de mulheres, a representar 8,5 por cento do sistema prisional. Só Espanha, segundo dados do Conselho da Europa, se lhe aproxima. Os restantes países da União Europeia ficam-se abaixo dos seis por cento. Anália Cardoso Torres, co- autora da obra "Drogas e Prisões em Portugal", do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia, do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, aponta o dedo aos baixos índices de rendimento e de protecção social para justificar esta especificidade dos países do Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A população prisional feminina homogeneizou-se, ao longo da última década. Há uma obesa maioria unida por penas superiores a cinco anos. Não por acaso. Chegam quase todas "por droga". Contudo, "não dependem, na sua larga maioria, e ao contrário dos homens, do consumo de substâncias ilícitas", sublinha Anália Cardoso Torres. No diagnóstico publicado o ano passado, podia ver-se que mais de metade responde por tráfico (53 por cento), um crime severamente sancionado pela moldura penal. Somando os crimes de tráfico e consumo com os de consumo (já despenalizado) obtém-se outros 18, 7 por cento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O perfil social destas mulheres tem um rosto paupérrimo. Não são baronesas da droga. São mais do género de "esconder a droga no cinto do avental". Fracas qualificações escolares e profissionais desenham o seu perfil, havendo mesmo uma forte incidência de analfabetismo. As baixas habilitações limitam muito as oportunidades de trabalho, motor de inserção. E a actividade ilícita, embora arriscada, lembra Anália Cardoso Torres, surge-lhes como uma saída à miséria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grosso das reclusas encerra histórias de vida que parecem ter saído de um livro de Charles Dickens. Vêm de bairros degradados, barracas ou acampamentos, bem batidos pelas rusgas policiais, onde o tráfico surge numa lógica de organização de sobrevivência. E, mais do que estar fechadas, como mostra a condenada por tráfico Maria Augusta, custa-lhes estar longe dos filhos, dos maridos, da família. Custa-lhe estar longe de quem, muitas vezes, desempenhou um papel decisivo na sua entrada para o crime. Identificam-se sempre de uma forma relacional - 81,6 por cento são mães.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mercado da droga não parece desdenhar das mulheres, como alguns sectores laborais. Elas entram, muitas vezes, em redes de vizinhos e de parentes. Há as que trabalham por conta própria, explica Ivone Cunha, em "Entre o Bairro e a Prisão: Tráfico e Trajectos". Mas também as que são usadas para o corte (em pacotes), para o correio. Ou as que "apanham por tabela" - são apenas cúmplices dos filhos ou companheiros. Mulheres como Maria Augusta que sabia que o filho toxicodependente traficava, mas "não podia pô-lo para fora de casa, não podia".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Romper este emaranhado é tanto mais complicado quando, como foca Ivone Cunha, existe um "círculo vicioso de tráfico" que não tem só a ver com o dinheiro fácil. Os filhos menores podem iniciar-se na venda na "sequência da detenção dos pais, que por sua vez poderão reincidir no tráfico para deles retirar os filhos". E, nos bairros onde moram, as entradas e saídas da cadeia são tão frequentes que se tornaram "normais", logo, pouco recriminadas.(...)"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveite-se a ocasião para recordar o admirável trabalho de Manuela Ivone Cunha no campo dos estudos prisionais em Portugal e, mais concretamente, no estudo da reclusão feminina. Primeiro, ainda enquanto investigadora do Centro de Estudos Judiciários, com a obra «Malhas que a Reclusão Tece: Questões de Identidade numa Prisão Feminina» (1996a); em seguida, com a publicação do ensaio «Corpo Recluído: Controlo e Resistência numa Prisão Feminina» (1996b), inserto na obra colectiva «Corpo Presente», organizada por &lt;a href="http://valedealmeida.blogspot.com/"&gt;Miguel Vale de Almeida&lt;/a&gt;; por fim, com a obra «Entre o Bairro e a Prisão: Tráfico e Trajectos» (2002), transposição para livro da sua tese de doutoramento, orientada também por &lt;a href="http://valedealmeida.blogspot.com/"&gt;Miguel Vale de Almeida&lt;/a&gt;. Essa obra é, sem dúvida, uma das obras maiores da antropologia portuguesa contemporânea. Esse facto levou, o próprio Vale de Almeida, a considerar no prefácio ao livro que aquele se tratava de um "&lt;em&gt;ponto de viragem na antropologia portuguesa&lt;/em&gt;" (2002: 14). Aliás, não será despiciendo recordar que a autora ganhou com este último livro o «Prémio Sedas Nunes de Ciências Sociais 2002», porventura, o mais importante prémio de Ciências Sociais em Portugal. Fica, portanto, a sugestão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cunha, Manuela Ivone (1996a), &lt;em&gt;Malhas que a Reclusão Tece: Questões de Identidade numa Prisão Feminina&lt;/em&gt;, Lisboa: Centro de Estudos Judiciários&lt;br /&gt;Cunha, Manuela Ivone (1996b), «Corpo Recluído: Controlo e Resistência numa Prisão Feminina», in Miguel Vale de Almeida (org.) (1996), &lt;em&gt;Corpo Presente. Treze Reflexões Antropológicas Sobre o Corpo&lt;/em&gt;, Oeiras: Celta Editora, pp. 72-86&lt;br /&gt;Cunha, Manuela Ivone (2002), &lt;em&gt;Entre o Bairro e a Prisão: Tráfico e Trajectos&lt;/em&gt;, Lisboa: Fim de Século&lt;br /&gt;&lt;hr size="-1"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;LinktoComments('&lt;$BlogItemNumber$&gt;')&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;noscript&gt;&lt;a href="http://enetation.co.uk//comments.php?user=socioblog&amp;commentid=&lt;$BlogItemNumber$&gt; "&gt;Comment&lt;/a&gt;&lt;/noscript&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105689822393134705?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105689822393134705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105689822393134705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_06_29_archive.html#105689822393134705' title='A Reclusão Feminina e Manuela Ivone Cunha'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105688453468549002</id><published>2003-06-29T12:02:00.000+01:00</published><updated>2003-06-29T19:05:20.180+01:00</updated><title type='text'>A Sobre-Consciência do Eu e o Mundo dos Blogues</title><content type='html'>No campo da sociologia do corpo tem sido produzido, em anos recentes, algum trabalho de análise e reflexão em torno do conceito de «sobre-consciência de si» («heightened self awareness»). Essa expressão foi primeiramente desenvolvida por Drew Leder, autor norte-americano de inspiração fenomenológica, em ‘The Absent Body’ (1990), uma das obras de referência na recente literatura sobre o corpo. A noção de «sobre-consciência de si» refere-se ao facto do corpo deter, geralmente, uma presença invisível ou ausente na nossa vida quotidiana, permanecendo num estado de infraconsciência. Essa despresença, segundo Leder, apenas é suspensa em momentos muito específicos. Mais concretamente, quando o «eu» se sente escrutinado, julgado e avaliado nas suas acções pelo olhar do «Outro». Existem alguns conceitos sociológicos próximos ou contíguos do enunciado: penso, nomeadamente, nas noções de «hiperobjectificação do corpo» (da antropóloga prisional Manuela Ivone Cunha) e de «auto-consciência epidérmica» (do semiólogo italiano Umberto Eco). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta referência poderá parecer inusitada e, porventura, um tanto ou quanto irrelevante. Todavia, julgo ser possível entrever um fenómeno não muito dissemelhante no mundo dos blogues (não, obviamente corporal, mas a nível do self). Processo a que podemos chamar «sobre-consciência do eu». Com efeito, entrevê-se em muitos blogues a existência de um estado de consciência psicológico alterado dos seus autores, motivado, talvez, por uma sensação de visibilidade permanente e por estes se sentirem alvo de observação e contemplação (e, em alguns casos, de escrutínio, análise e avaliação). José Xavier escreveu agora no &lt;a href="http://satiro.blogspot.com/2003_06_01_satiro_archive.html#105686990433619961"&gt;Satyricon&lt;/a&gt; que as figuras públicas na blogosfera se sentem “condicionad[a]s a ser aquilo que todos esperam del[a]s”. Se é verdade que as ditas «figuras públicas» revelam uma forma de «sobre-consciência do eu», isso não parece ser um exclusivo delas. Com efeito, se há algo que parece transparecer de boa parte dos discursos presentes na blogosfera é o facto dos bloggers ficarem muito dependentes das expectativas que projectam no outro (isto é, das expectativas que julgam que os outros têm face a si e ao que escrevem). Existem marcas discursivas – aparentemente anódinas, insignificantes ou irrelevantes – que constituem indicadores deste fenómeno. A utilização de expressões como «não sei porque falo isto», «não sou um especialista nesta matéria» e de outras formas de «auto-justificação» representam, de forma mais ou menos directa, «mecanismos de defesa» gerados pela antecipação do olhar do «outro» e constituem, de algum modo, defesas perante o escrutínio esse olhar. Assim, esse olhar é, simultaneamente, «desejado» e «receado». No discurso sociológico estas marcas também existem. São apenas  um pouco diferentes: repare-se, inclusivamente aqui no Socio[B]logue, na utilização de expressões como «mas, claro, seria preciso estudar com maior detalhe estas questões» ou «mas, obviamente, os estudos sociológicos nesta área são ainda escassos». &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A «sobre-consciência do eu» é, sem dúvida, um dos aspectos sociologicamente mais interessantes no mundo da comunicação mediada por computador, em geral, e no mundo dos blogues, em particular. E, também, dos aspectos menos estudados. ;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leder, Drew (1990), The Absent Body, London: Sage&lt;br /&gt;&lt;hr size="-1"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;LinktoComments('&lt;$BlogItemNumber$&gt;')&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;noscript&gt;&lt;a href="http://enetation.co.uk//comments.php?user=socioblog&amp;commentid=&lt;$BlogItemNumber$&gt; "&gt;Comment&lt;/a&gt;&lt;/noscript&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105688453468549002?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105688453468549002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105688453468549002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_06_29_archive.html#105688453468549002' title='A Sobre-Consciência do Eu e o Mundo dos Blogues'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105672327484092278</id><published>2003-06-27T15:14:00.000+01:00</published><updated>2003-06-28T02:36:54.593+01:00</updated><title type='text'>Ana, Schutz e a Pluralidade dos «Genderlects» (act.)</title><content type='html'>A tentação da simplificação poder-nos-ía levar a conceber o «genderlect» feminino como internamente homogéneo. Perante essa perspectiva convém esclarecer que não é. Com efeito, existe uma plêiade heterogénea de dialectos de género femininos. Embora, claro está, existam algumas características comuns e partilhadas entre si. O melhor exemplo disso é, porventura, a Ana Teles (como eu, estudante de sociologia e minha conhecida de outras andanças sociológicas). Analisar, judiciosamente, as diferenças entre os dois blogues que mantém, revela-nos, pelo menos, duas formas distintas do dialecto de género feminino e, por isso, duas formas diversas de «mostração» e de «presentação» do eu. O &lt;a href="http://lua.weblog.com.pt/"&gt;Lua&lt;/a&gt; apresenta um estilo confessional-poético. &lt;a href="http://girls-thoughts.blogspot.com/"&gt;A Girl's Thoughts&lt;/a&gt; tem características mais descritivas-etnográficas, mais próximas do diário ou da auto-etnografia. Apresentando ambos as características que Tannen atribui ao dialecto de género tipicamente feminino, os blogues em causa revelam diferenças, no mínimo, assinaláveis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, ler a(s) Ana(s), remete-me para um conhecido conceito de um dos &lt;em&gt;founding fathers&lt;/em&gt; da fenomenologia, Alfred Schutz. Falo da noção de «finite provinces of meaning» (noção que José Machado Pais tem traduzido como «âmbitos de significado finito»). Os âmbitos de significado finito referem-se a mundos de percepção ou âmbitos de realidade (como, por exemplo, cada pessoa tem um mundo do trabalho, um mundo familiar e um mundo individual, em esferas mais ou menos isoladas entre si). Neste caso, cada blogue da Ana constitui um âmbito de significado finito; um mundo de vida com a uma «lógica interna», uma «identidade» e um «ethos». Passar de um blogue para outro implica, então, uma ruptura: um salto de descontinuidade de uma «realidade» para outra. De um âmbito de significado finito para outro. É engraçado observar a transformação ontológica entre o tom confessional-etnográfico da «Ana-A Girl's Thouhgts» e o estilo confessional-poético da «Ana-Lua». Este caso levanta-nos, assim, interrogações sociológicas importantes quanto à questão da identidade. De facto, além de haver potencialmente uma cisão entre um «online self» e um «offline self», podemos ter ainda «online selves» diversos: um «eu digital» múltiplo. Abrem-se, assim, novas perspectivas quanto à recorrente questão fragmentação do eu na tardo-modernidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando à Ana, esta constatação parece significar que numa mesma pessoa podem estar contidas formas diversas de ser feminina e de exprimir a feminilidade. A Ana dava um estudo sociológico interessante. Ou dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr size="-2"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;LinktoComments('&lt;$BlogItemNumber$&gt;')&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;noscript&gt;&lt;a href="http://enetation.co.uk//comments.php?user=socioblog&amp;commentid=&lt;$BlogItemNumber$&gt; "&gt;Comentários&lt;/a&gt;&lt;/noscript&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105672327484092278?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105672327484092278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105672327484092278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_06_22_archive.html#105672327484092278' title='Ana, Schutz e a Pluralidade dos «Genderlects» (act.)'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105663187569327045</id><published>2003-06-26T13:51:00.000+01:00</published><updated>2003-06-27T02:38:21.820+01:00</updated><title type='text'>«Genderlects» e a Blogosfera</title><content type='html'>Em alguma literatura sociológica e sociolinguística fala-se, por vezes, da existência de «genderlects», «genderlect styles» ou «gender specific dialects» (dialectos de género) – penso designadamente na linguista &lt;a href="http://www.georgetown.edu/faculty/tannend/"&gt;Deborah Tannen &lt;/a&gt;da Georgetown University. Esse conceito remete, segundo Tannen, para a existência de modos de comunicação muito diferentes entre géneros. Os dialectos de género manifestam-se de muitas formas: pessoas do sexo feminino tendem a utilizar, profusamente, mecanismos linguísticos como o uso do condicional, circunlóquios protocolares («será que é possível», «seria possível», etc.), signos de deferência, um discurso confessional e intimista, uma estética da vulnerabilidade, etc... Isso deve-se, ainda de acordo com Tannen, ao facto da comunicação feminina ser despoletada por um desejo de proximidade, intimidade, comunhão (numa palavra: compreensão); e a masculina por um desejo de status, respeito, concretização (numa palavra: admiração). Daí que «as mulheres» se foquem mais na esfera privada e «os homens» na esfera pública. Apesar das limitações da perspectiva da autora (porventura, os estereótipos de género não são adequadamente desmontados e as generalizações pouco rigorosas), o conceito é interessante. Eu acrescentaria, ao que a autora afirma, que o processo de construção social do género envolve, não só dialectos de género, mas a constituição de gramáticas emocionais distintas, de vocabulários «gendrificados» e de léxicos emocionais particulares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei-me dos dialectos de género ontem, depois de ter recebido uma mensagem de correio electrónico deveras atenciosa da autora de um dos blogues mais bonitos da blogosfera, a Isabel Tilly do &lt;a href="http://www.isabeltilly.blogspot.com/"&gt;Monólogo&lt;/a&gt;, significativamente sub-intitulado «acontecimentos significativos do meu dia a dia». É um espaço sublime: confessional, intimista, frágil, familiar, reservado, delicado, sensível, terno e afectuoso. Enfim, «feminino». Ela ontem escreveu o seguinte: "&lt;em&gt;quem ler o meu blog percebe que pertenço ao "género feminino". tenho pena que a pertença me molde o discurso (e o pensamento). alguma vez o abrupto escreveria sobre sentimentos de desamparo, falta de auto-confiança, alterações de humor? não creio.&lt;/em&gt;..". Eu também não. O problema, na blogosfera, é que há um claro predomínio de um dialecto de género masculino. O tema por cá não tem tido impacte, mas lá fora muito se tem falado do «blog gender gap», do «gender gap in Blogville» ou do «Venus-Mars divide in Blogville» como lhe chama a jornalista-blogger Lisa Guernsey (&lt;a href="http://blogs.salon.com/0001729/"&gt;Lisa Guernsey's Weblog&lt;/a&gt;) – autora de um artigo no The New York Times sobre o assunto intitulado «&lt;a href="http://pwp.netcabo.pt/socioblogue/lisa.htm"&gt;Telling all online: it's a man's world (isn't it?)&lt;/a&gt;» (tomei a liberdade de o disponibilizar online: vale a pena ler na totalidade). Diz a autora que: “&lt;em&gt;Women want to talk about their personal lives. Men want to talk about anything but. So far the people who have received the most publicity (often courtesy of male journalists) appear to be the latter&lt;/em&gt;.” Por isso, segundo Guernsey, as mulheres tendem a escrever diários e os homens a falar de temas menos pessoais (de política, economia, literatura... e sociologia; não sendo generalizável, parece ser evidente que isto acontece, em grande medida, na lusosfera). &lt;a href="http://blogs.salon.com/0001729/"&gt;Lisa Guernsey &lt;/a&gt;não é socióloga. Mas podia ser. Deambular pela blogosfera permite-nos dar conta desta ser um espaço predominantemente masculino (Socio[B]logue incluído). Com efeito, o dialecto de género prevalecente (e hegemónico) na blogosfera está mais perto dos «Sopranos» do que do «Once and Again». Esse facto, não sendo surpreendente, não deixa – ainda assim – de ser curioso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado Isabel. Pela mensagem atenciosa e pelo &lt;a href="http://www.isabeltilly.blogspot.com/"&gt;Monólogo&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guernsey, Lisa (2002, 28 de Novembro), &lt;em&gt;Telling all online: it's a man's world (isn't it?)&lt;/em&gt;, The New York Times. [&lt;a href="http://pwp.netcabo.pt/socioblogue/lisa.htm"&gt;html&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr size="-1"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;LinktoComments('&lt;$BlogItemNumber$&gt;')&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;noscript&gt;&lt;a href="http://enetation.co.uk//comments.php?user=socioblog&amp;commentid=&lt;$BlogItemNumber$&gt; "&gt;Comment&lt;/a&gt;&lt;/noscript&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105663187569327045?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105663187569327045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105663187569327045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_06_22_archive.html#105663187569327045' title='«Genderlects» e a Blogosfera'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105650743218283184</id><published>2003-06-25T03:17:00.000+01:00</published><updated>2003-06-25T15:24:19.890+01:00</updated><title type='text'>A sociologia criativa e o humor sociológico de Machado Pais</title><content type='html'>Em celebração do prémio atribuído a Machado Pais resolvi transcrever um dos pedaços mais engraçados do seu livro ‘&lt;em&gt;Ganchos, Tachos e Biscates&lt;/em&gt;’ (e uma das passagens mais originais do mesmo). É um trecho retirado do capítulo intitulado «&lt;em&gt;Jovens Acompanhantes: ‘Puta de Vida que me Fez Puta’&lt;/em&gt;», e fala da experiência do autor aquando de uma visita a uma casa de prostituição. É um exercício notável de sociologia criativa e de humor sociológico. Vale mesmo a pena ler:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Os sociólogos raramente se perdem nessas ruelas do aleatório em que se corre o risco de se perder não apenas a identidade como também o futuro. Mas um dia passei pela Columbano Bordalo Pinheiro e procurei a casa. Vi homens impacientes, rondando as proximidades do edifício. Movido pela força da curiosidade decidi entrar. Mas, quando já estava defronte da porta da casa ladeei-a e segui em frente, acelerando o passo. Era a primeira vez, em toda a minha vida, que rondava uma casa de prostituição. Depois de ter caminhado uns largos metros, voltei para trás, decidido a entrar e a vencer minha própria impaciência. E entrei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dona da casa recebeu-me e apresentou-me algumas raparigas. Fixei-me numa que fazia tranças com o cabelo, como se fizesse tranças no entrançamento que a vida é. Fazendo tranças, o pensamento é livre e todos os príncipes encantados podem passear no pensamento: Mas de que serve sonhar com príncipes, quando o que conta é o entreabrir da porta que deixa entrever um cliente qualquer, cujo único encanto é a sua predisposição a pagar? A Gabriela das tranças depressa descobriu a minha timidez e, para me desinibir, calculo, disse-me que a «comesse toda», que estava com «tusa» e outras coisas obtusas. Mais inibido fiquei ao não saber como reprimir-lhe um gesto que parecia insinuar afecto. Excessos tais baralharam as minhas convicções sociológicas. Provavelmente, no universo imaginário masculino, as prostitutas mostram-se famintas de sexo e, por isso, elas não se fazem rogadas a mostrar a sua fome. Puro equívoco. A prostituta dá-se a comer apenas por ter fome de dinheiro. A Gabriela das tranças – se a história contada não foi inventada – é mãe solteira, confessou-me, abotoando dois botões da blusa desabotoados por engano. De nacionalidade brasileira, tinha um namorado português com quem pretendia «ajuntar-se» logo que juntassem algum dinheiro. Com nostalgia recordou-me tardes em bancos do Jardim da Estrela e evocou corações e setas que inscreveram em algumas árvores do jardim, inscrições que procuravam eternizar uma relação cujo destino ali ficava traçado, nos troncos da árvore. Mas quis o destino que o destino fosse outro. E o que ficou da relação foi uma gravidez e um filho para criar, sem saber com que meios, pois todos a abandonaram, incluindo o pai do filho.” (Pais, 2001: 262-263)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pais, José Machado (2001), &lt;em&gt;Ganchos, Tachos e Biscates: Jovens, Trabalho e Futuro&lt;/em&gt;, Porto: Âmbar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr size="-1"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;LinktoComments('&lt;$BlogItemNumber$&gt;')&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;noscript&gt;&lt;a href="http://enetation.co.uk//comments.php?user=socioblog&amp;commentid=&lt;$BlogItemNumber$&gt; "&gt;Comment&lt;/a&gt;&lt;/noscript&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105650743218283184?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105650743218283184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105650743218283184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_06_22_archive.html#105650743218283184' title='A sociologia criativa e o humor sociológico de Machado Pais'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105650160782729067</id><published>2003-06-25T01:40:00.000+01:00</published><updated>2003-06-26T22:46:59.080+01:00</updated><title type='text'>Socioblogosfera: Um Retrato Singular (act.)</title><content type='html'>Apesar do pensamento e teoria sociais (ainda) ocuparem um espaço diminuto na blogosfera, regozijo com algumas das menções que por aí se fazem. João Gonçalves (&lt;a href="http://portugaldospequeninos.blogspot.com/"&gt;Portugal dos Pequeninos&lt;/a&gt;) fala em Roland Barthes; &lt;a href="http://almocrevedaspetas.blogspot.com/"&gt;Almocreve das Petas &lt;/a&gt;em Michel Maffesolli, Pierre Bourdieu, Mike Featherstone (e tem ligações para materiais de e sobre Jean Baudrillard e Jürgen Habermas); Pedro Mexia (&lt;a href="http://www.dicionariodiabo.blogspot.com/"&gt;Dicionário do Diabo&lt;/a&gt;) refere Max Weber; Bruno Sena Martins (&lt;a href="http://avatares-de-desejo.blogspot.com/"&gt;Avatares de um Desejo&lt;/a&gt;) e Tiago de Oliveira Cavaco (&lt;a href="http://www.vozdodeserto.blogspot.com/"&gt;Voz do Deserto&lt;/a&gt;) mencionam Michel Foucault; Rui Grilo (&lt;a href="http://www.5minutos.blogspot.com/"&gt;5minutos&lt;/a&gt;) alude a Richard Sennett; Francisco José Viegas (&lt;a href="http://www.aviz.blogspot.com/"&gt;Aviz&lt;/a&gt;) aflora George Steiner, Jürgen Habermas e Michel Foucault. Além de não faltarem, também por aí, pessoas associadas à esfera (campo, sistema ou arena, dependendo da escola de pensamento) das ciências sociais: investigadores, professores e estudantes (de história, psicologia social, sociologia e antropologia). Falo, designadamente, de Nuno Jerónimo (sociologia, &lt;a href="http://diariointerior.blogspot.com/"&gt;Diário Interior&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.marretas.blogspot.com/"&gt;Blogue dos Marretas&lt;/a&gt;), Miguel Vale de Almeida (antropologia, &lt;a href="http://valedealmeida.blogspot.com/"&gt;Os Tempos que Correm&lt;/a&gt;), José Pacheco Pereira (história, &lt;a href="http://abrupto.blogspot.com/"&gt;Abrupto&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.estudossobrecomunismo.blogspot.com/"&gt;Estudos sobre o Comunismo&lt;/a&gt;), Rui Branco (história, &lt;a href="http://www.paisrelativo.blogspot.com/"&gt;País Relativo&lt;/a&gt;), Pedro Adão e Silva (sociologia, &lt;a href="http://www.paisrelativo.blogspot.com/"&gt;País Relativo&lt;/a&gt;), Miguel Cabrita (sociologia, &lt;a href="http://www.paisrelativo.blogspot.com/"&gt;País Relativo&lt;/a&gt;), Filipe Nunes (sociologia, &lt;a href="http://www.paisrelativo.blogspot.com/"&gt;País Relativo&lt;/a&gt;), Bruno Sena Martins (antropologia, &lt;a href="http://avatares-de-desejo.blogspot.com/"&gt;Avatares de um Desejo&lt;/a&gt;), Ana Teles (sociologia, &lt;a href="http://girls-thoughts.blogspot.com"&gt;A Girl’s Thoughts&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://lua.weblog.com.pt/"&gt;Lua&lt;/a&gt;), Isabel Tilly (psicologia social, &lt;a href="http://www.isabeltilly.blogspot.com/"&gt;Monólogo&lt;/a&gt;). O pensamento e teoria sociais não são uma ausência na esfera, são uma «ausência presente». Melhor: uma (des)presença. O fenómeno intriga-me. Talvez Jill Walker e Torill Mortensen, gestores de dois dos mais relevantes blogues de investigação (respectivamente o &lt;a href="http://huminf.uib.no/~jill/"&gt;jill/txt&lt;/a&gt; e o &lt;a href="http://torillsin.blogspot.com/"&gt;thinking through my fingers&lt;/a&gt;), tenham razão quando sugerem que “&lt;em&gt;[academics] are so used to studying new technologies as exotic objects that they fail to see that they could be useful within academia itself&lt;/em&gt;” (2002: 263) [eu substituiria o termo &lt;em&gt;académicos &lt;/em&gt;por &lt;em&gt;investigadores&lt;/em&gt;, que podem não o ser]. Ou, porventura, estarei, de facto, a cometer as &lt;em&gt;ingenuidades &lt;/em&gt;que o &lt;a href="http://almocrevedaspetas.blogspot.com/"&gt;Almocreve das Petas&lt;/a&gt; me parece apontar. Recordando o incontornável Herberto Hélder, não será despeciendo dizer que "&lt;em&gt;talvez o senhor seja mais inteligente do que eu&lt;/em&gt;" (Os Passos em Volta, p.12).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mortensen, Torill e Jill Walker (2002), «Blogging thoughts: personal publication as an online research tool», &lt;em&gt;in &lt;/em&gt;Andrew Morrison (ed.) (2002), &lt;em&gt;Researching ICTs in Context&lt;/em&gt;, Oslo: InterMedia Report, 3/2002 [disponível online em &lt;a href="http://www.intermedia.uio.no/konferanser/skikt-02/docs/Researching_ICTs_in_context-Ch11-Mortensen-Walker.pdf"&gt;pdf&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;&lt;hr size="-1"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;LinktoComments('&lt;$BlogItemNumber$&gt;')&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;noscript&gt;&lt;a href="http://enetation.co.uk//comments.php?user=socioblog&amp;commentid=&lt;$BlogItemNumber$&gt; "&gt;Comment&lt;/a&gt;&lt;/noscript&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105650160782729067?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105650160782729067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105650160782729067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_06_22_archive.html#105650160782729067' title='Socioblogosfera: Um Retrato Singular (act.)'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105646837231840619</id><published>2003-06-24T16:26:00.000+01:00</published><updated>2003-06-24T16:29:20.046+01:00</updated><title type='text'>Prémio Gulbenkian atribuído a José Machado Pais</title><content type='html'>Foi atribuído a &lt;a href="http://www.ics.ul.pt/corpocientifico/josemachadopais/"&gt;José Machado Pais&lt;/a&gt;, sociólogo fascinante (investigador principal do &lt;a href="http://www.ics.ul.pt/"&gt;Instituto de Ciências Sociais [ICS] &lt;/a&gt;e professor convidado do &lt;a href="http://www.iscte.pt/"&gt;Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa [ISCTE]&lt;/a&gt;), o Prémio Ciência Gulbenkian 2003. O prémio foi atribuído devido à obra «Ganchos, Tachos e Biscates: Jovens, Trabalho e Futuro», uma das obras de sociologia mais originais e notáveis dos últimos anos, onde o autor articula os seus dois principais campos de especialização: a Sociologia da Juventude e a Sociologia da Vida Quotidiana [consultar &lt;a href="http://ultimahora.publico.pt/shownews.asp?id=1154070"&gt;O Público&lt;/a&gt; e o &lt;a href="http://www.diariodigital.pt/news.asp?section_id=13&amp;id_news=62073"&gt;Diário Digital&lt;/a&gt;]. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr size="-1"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;LinktoComments('&lt;$BlogItemNumber$&gt;')&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;noscript&gt;&lt;a href="http://enetation.co.uk//comments.php?user=socioblog&amp;commentid=&lt;$BlogItemNumber$&gt; "&gt;Comment&lt;/a&gt;&lt;/noscript&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105646837231840619?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105646837231840619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105646837231840619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_06_22_archive.html#105646837231840619' title='Prémio Gulbenkian atribuído a José Machado Pais'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105640788038136963</id><published>2003-06-23T23:38:00.000+01:00</published><updated>2003-06-23T23:42:24.426+01:00</updated><title type='text'>Confissões Sociológicas: O Síndroma Robinson Crusoe e Eu (self-note)</title><content type='html'>Das primeiras vezes que entrevistei ex-reclusos deparei-me com aquilo a que chamei nas minhas notas de «síndroma Robinson Crusoe»: quando lhes é dada a oportunidade para falarem (e, mais concretamente, para falarem sobre si) é, geralmente, difícil «travá-los», na medida em que os seus discursos fluem de uma forma deveras impressionante. Sucedem-se, então, os episódios anódinos e as historietas (estorietas?) prisionais. Isso deve-se, segundo António Pedro Dores (sociólogo especializado nas questões da reclusão), ao estarem demasiado confinados às mesmas pessoas e às mesmas histórias e, por isso, quando encontram gente exótica que se interessa pelo que dizem (como eu), tendem a auto-tematizar-se e a desmultiplicar-se em palavras até terminarem. Normalmente por exaustão (do investigador ou dos próprios). É interessante constatar a presença do síndroma Robinson Crusoe na blogosfera desde as suas variantes mais simples («a minha vida dava um poste» [se blog é blogue, post é poste, não?] e «a minha vida dava um blogue»), até às suas variantes mais sofisticadas («a minha vida dava um estudo sociológico»). Não refiro, sequer, as variantes mais especializadas, desde as mais populares («a minha vida dava um canal de televisão da sic na tvcabo», «a minha vida dava um bar de alterne»), às mais eruditas («a minha vida dava uma peça de Schönberg», «a minha vida dava um filme de Bergman», «a minha vida dava uma obra de Beckett», «a minha vida dava um ensaio de Steiner», etc.). Fazendo uma autoscopia é forçoso reconhecer que eu próprio, nos primeiros dias (que ainda não terminaram) – e apesar do meu esforço deliberado de contenção – pareço ter sucumbido à tentação. Com efeito, julgo não ter resistido (suficientemente) ao inusitado fenómeno. Por conseguinte, interrogo-me: será que estive até agora encarcerado no meu «self offline»? Fica a pergunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr size="-1"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;LinktoComments('&lt;$BlogItemNumber$&gt;')&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;noscript&gt;&lt;a href="http://enetation.co.uk//comments.php?user=socioblog&amp;commentid=&lt;$BlogItemNumber$&gt; "&gt;Comment&lt;/a&gt;&lt;/noscript&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105640788038136963?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105640788038136963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105640788038136963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_06_22_archive.html#105640788038136963' title='Confissões Sociológicas: O Síndroma Robinson Crusoe e Eu (self-note)'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105640603882541882</id><published>2003-06-23T23:07:00.000+01:00</published><updated>2003-08-14T12:18:56.800+01:00</updated><title type='text'>Blogues: «The Dark Side of the Moon»</title><content type='html'>Anne Galloway do «&lt;a href="http://www.purselipsquarejaw.org/"&gt;Purse Lip Square Jaw&lt;/a&gt;» - o blogue de investigação que já aqui mencionei - comentou o Socio[B]logue levantando algumas questões quanto aos limites da utilização dos blogues como instrumentos de pesquisa. Vale a pena ler o que diz com atenção, na medida em que apresenta algumas limitações técnicas associadas aos blogues (que ainda não tinha visto exploradas na blogosfera), mencionando outras ferramentas de potencial interesse, designadamente wikis, twikis, blikis ou &lt;a href="http://plone.org/"&gt;plone &lt;/a&gt; [consultar os websites &lt;a href="http://www.snipsnap.org"&gt;http://www.snipsnap.org&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.wiki.org"&gt;http://www.wiki.org&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.wikipedia.org"&gt;http://www.wikipedia.org&lt;/a&gt;].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Since João Nogueira's very interesting Socio[B]logue showed up in my referrer logs, I have been thinking about the use of weblogs for research purposes. Like PLSJ, his blog serves as a type of field diary: "Observaçoes, Reflexoes e Interrogaçoes Sociologicas." And I would agree with him that the possibilities for blogging in social research remain underexplored. But I think that there are a few technical features built into common weblog applications that limit exploration, connection, expression and communication - all of which are integral to research. For example, Blogger doesn't offer the ability to organise posts into categories like Movable Type, but even so, that type of archiving does nothing to connect posts across boundaries. I'm with Ted Nelson on this one, we are &lt;a href="http://news.bbc.co.uk/1/hi/sci/tech/1581891.stm"&gt;prisoners of our applications &lt;/a&gt;and hypertext was originally conceived as something much more &lt;a href="http://www.theatlantic.com/unbound/flashbks/computer/bushf.htm"&gt;flexible &lt;/a&gt;and &lt;a href="http://www.ics.uci.edu/~ejw/csr/nelson_pg.html"&gt;beautiful&lt;/a&gt;. Blogs make it difficult to understand connections that are not based on discrete categories, and I also fail to see the ability of temporally linear posting to forge new connections. And so I am going to experiment. Inspired by &lt;a href="http://www.kurzweilai.net/"&gt;Kurzweil &lt;/a&gt;- never thought I'd say that! - when I have some free time next month, I plan to install &lt;a href="http://www.thebrain.com/Default.htm"&gt;The Brain &lt;/a&gt;here, and have it act as a means of connecting posts to each other, and to outside pages. We'll just have to see how it works ...”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, parece haver um mundo por explorar - parafraseando Huxley, um admirável mundo novo - no que respeita à utilização de inovações tecnológicas como ferramentas de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado Anne.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105640603882541882?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105640603882541882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105640603882541882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_06_22_archive.html#105640603882541882' title='Blogues: «The Dark Side of the Moon»'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105630599769697638</id><published>2003-06-22T19:19:00.000+01:00</published><updated>2003-08-14T12:17:21.080+01:00</updated><title type='text'>Blogosfera e Ciências Sociais: Um Exercício de Blogwatch ou Blogspotting</title><content type='html'>As potencialidades de fertilização mútua entre blogues e as ciências sociais são animadoras. Direi mais: excitantes. Por um lado, os blogues constituem um objecto de estudo interessante no que respeita à chamada CMC (comunicação mediada por computador) no quadro da Sociologia da Comunicação (e, mais concretamente, naquilo que se vem designando de Sociologia dos Espaços Virtuais ou Sociologia do Ciberespaço). Daí se explica o surgimento de alguns blogues dedicados ao estudo sociológico e antropológico do fenómeno. Explore-se o &lt;a href="http://phdweblogs.net/"&gt;PhD Weblogs&lt;/a&gt; para se aceder a alguns desses interessantes blogues. Destaco, a este respeito, o &lt;a href="http://www.purselipsquarejaw.org/"&gt;«Purse Lip Square Jaw» de Anne Galloway&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://katze.maybetomorrow.org/thesisblog"&gt;«Life's A Blog» de Nurul Asyikin &lt;/a&gt; - este último já deu, inclusivamente, origem à tese &lt;br /&gt;&lt;a href="http://devilishkittykaat.port5.com/natch/blogging%20life.zip"&gt;«Blogging Life - An Inquiry into the Role of Weblogs in Community Building (pdf)»&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas os blogues não constituem apenas um objecto de investigação interessante, eles abrem também oportunidades e possibilidades animadoras para investigadores: falo, claro, dos os chamados «blogues de investigação» (&lt;em&gt;research weblogs&lt;/em&gt;). Possibilidades animadoras, em primeiro lugar, para o debate científico (quer dentro de cada disciplina, quer multidisciplinar) e para a divulgação científica. Servem, ainda, como espaços de reflexão para lançar observações e pistas de pesquisa (normalmente perdidas em notas de rodapé ou em escritos de gaveta). Finalmente, abrem possibilidades - frise-se: ainda insuficientemente exploradas - enqaunto instrumentos de suporte ou apoio à pesquisa (fico deveras estimulado de pensar, por exemplo, na possibilidade de conduzir um exercício etnográfico, com recurso ao trabalho de campo ou metodologias contíguas utilizando, embora com algumas reservas, um blogue enquanto diário de campo). No campo dos blogues de investigação quero destacar, nas áreas da história, o &lt;a href="http://phdweblogs.net/"&gt;«Estudos sobre o comunismo» (José Pacheco Pereira)&lt;/a&gt;, da geografia, o &lt;a href="http://scottwhitlock.blogspot.com/urbangeo/index.html"&gt;«UrbanGeoBlog» (W. Scott Whitlock)&lt;/a&gt;, da sociologia, o &lt;a href="http://www.purselipsquarejaw.org/"&gt;«Purse Lip Square Jaw» (Anne Galloway)&lt;/a&gt; da antropologia, o &lt;a href="http://theanthroblog.blogspot.com/"&gt;«Anthroblog» (R. S. P.)&lt;/a&gt; e o &lt;a href="http://valedealmeida.blogspot.com/"&gt;«Os Tempos Que Correm» (Miguel Vale de Almeida)&lt;/a&gt; (não sendo, propriamente, um blogue de investigação, estou certo que o autor não nos deixará de presentear esporadicamente com alguns apontamentos antropológicos). Uma palavra de apreço adicional para o projecto visionário &lt;a href="http://phdweblogs.net/"&gt;PhD Weblogs&lt;/a&gt; gerido pelo atencioso &lt;a href="http://ciberjornalismo.com/pontomedia.htm"&gt;António Granado&lt;/a&gt;, projecto que procura servir de espaço de referência para os «blogues de investigação».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota: No contexto científico, não quero deixar de mencionar adicionalmente o &lt;a href="http://abc.ii.ua.pt/"&gt; ABC - Arquivo Bibliográfico para publicações Científicas &lt;/a&gt;: que, não sendo um blogue, é um espaço virtual com... virtualidades assinaláveis (perdoe-se a redundância).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105630599769697638?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105630599769697638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105630599769697638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_06_22_archive.html#105630599769697638' title='Blogosfera e Ciências Sociais: Um Exercício de Blogwatch ou Blogspotting'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105629569192663748</id><published>2003-06-22T16:28:00.000+01:00</published><updated>2003-08-14T12:18:23.236+01:00</updated><title type='text'>À Margem: Obrigado Pedro Mexia! Obrigado Statler!</title><content type='html'>Depois de José Pacheco Pereira no &lt;a href="http://abrupto.blogspot.com/"&gt;Abrupto &lt;/a&gt;e de António Granado no &lt;a href="http://ciberjornalismo.com/pontomedia.htm"&gt;Ponto Media&lt;/a&gt;, o Socio[B]logue foi agora alvo de um simpático comentário do celebrado blogger Pedro Mexia no &lt;a href="http://www.dicionariodiabo.blogspot.com/"&gt;Dicionário do Diabo&lt;/a&gt;:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Blogs novos, imensos blogs novos. Destaco, pela consistência intelectual, &lt;a href="http://www.socioblogue.blogspot.com/"&gt;este&lt;/a&gt; [Socio[B]logue]."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E também de Statler, o marreta sociológico, do &lt;a href="http://www.marretas.blogspot.com/"&gt;blogue dos marretas&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"SOCIOLOJINHAS&lt;br /&gt;Para esclarecer dúvidas como a do poste anterior, existe agora o Socio[B]logue, um blogue de reflexões sociológicas. Eu também queria reflectir sociologicamente de vez em quando, mas a Direcção de Recursos Humanos da Administração do Império não aceita. Aqui nada de reflexões, só reflexos. Por isso, caro João, serei visita regular ao teu Blogue de Observações, Reflexões e Interrogações. E não digo isto por solidariedade corporativa, acredita."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudações sociológicas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Perdoe-se, mais uma vez, o umbiguismo da transcrição.]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105629569192663748?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105629569192663748'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105629569192663748'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_06_22_archive.html#105629569192663748' title='À Margem: Obrigado Pedro Mexia! Obrigado Statler!'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105629538866294909</id><published>2003-06-22T16:23:00.000+01:00</published><updated>2003-08-14T12:17:51.423+01:00</updated><title type='text'>À Margem: Vasco Pulido Valente</title><content type='html'>Seguindo João Gonçalves (&lt;a href="http://portugaldospequeninos.blogspot.com/"&gt;Portugal dos Pequeninos&lt;/a&gt;) quero, também, manifestar o meu apreço pelas crónicas de Vasco Pulido Valente no Diário de Notícias. Concorde-se, ou não, com o autor, a escrita judiciosa de VPV é, porventura, o que mais se aproxima de uma «crónica sociológica». E, julgo eu, daria um blogue interessante. A julgar pela sua actividade de cronistas, seria interessante lêr blogues de outros cientistas sociais como António Barreto, Manuel Villaverde Cabral, Paquete de Oliveira ou Boaventura de Sousa Santos, não?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105629538866294909?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105629538866294909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105629538866294909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_06_22_archive.html#105629538866294909' title='À Margem: Vasco Pulido Valente'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105629340367905116</id><published>2003-06-22T15:50:00.000+01:00</published><updated>2003-08-21T05:20:38.090+01:00</updated><title type='text'>As Sociedades Contemporâneas</title><content type='html'>Anthony Giddens tem proposto insistentemente o conceito de «&lt;em&gt;dupla-hermenêutica&lt;/em&gt;» (cf. Giddens, 1992, 1994) para se referir à forma como o conhecimento proveniente das ciências sociais é apropriado pelos actores sociais, modificando as suas representações, disposições e práticas (e como, por sua vez, tais modificações precisam de ser analisadas). Ocorreu-me Giddens quando me deparei pela blogosfera (ou blogolândia segundo &lt;a href="http://guerraepas.blogspot.com/"&gt;Guerra e Pas&lt;/a&gt;) com expressões como «sociedade pós-moderna» ou «modernidade» descontextualizadas ou desajustadas dos seus sentidos originais, quando se procurava falar das sociedades contemporâneas. Utilizei aqui a expressão «sociedades contemporâneas». Essa designação constitui um artifício semântico que procura não classificar explicitamente a contemporaneidade, fugindo às controvérsias e polémicas associadas a essa categorização. Porém, para além dessa denominação são por vezes utilizados, em alternativa, inúmeros termos, mais ou menos análogos, na sua designação: «sociedade de risco», «sociedade pós-industrial», «sociedade pós-tradicional», «pós-modernidade», «modernidade tardia», «tardo-modernidade», «sociedade pós-moderna», «pós-capitalismo», «sociedade da informação», «sociedade do conhecimento», «sociedade programada», «sociedade em rede», «sociedade global», «segunda modernidade», «modernidade reflexiva», «alta modernidade», «modernidade radicalizada», «hipermodernidade», «sobremodernidade», «modernidade ambivalente», «capitalismo flexível», «capitalismo desorganizado», «capitalismo avançado», «era da descontinuidade», «era dos extremos», «era da informação», «fim da história», «pós-fordismo». É, contudo, óbvio que muitas destas expressões não constituem, propriamente, sinónimos. Na verdade, algumas dessas designações são mais inclusivas, outras mais exclusivas. Umas mais analíticas, outras mais descritivas. Esta pluralidade terminológica deve-se ao facto destes termos estarem associados, de forma mais ou menos directa, a sistemas de pensamento alternativos e, portanto, a diferentes formas de conceber as sociedades contemporâneas. Por conseguinte, falar de «sociedade pós-industrial» (Daniel Bell), de «sociedade de risco» (Ulrich Beck), de «modernidade tardia» (Anthony Giddens), de «pós-modernidade» (Jean François Lyotard), de «modernidade ambivalente» (Zygmunt Bauman), de «sociedade programada», (Alain Touraine), de «sobremodernidade» (Marc Augé), de «capitalismo desorganizado» (Claus Offe, Scott Lash e John Urry), de «sociedade em rede» (Manuel Castells) ou de «fim da história» (Francis Fukuyama) não é irrelevante e remete, muitas vezes, para universos de referência distintos, debates diferenciados e filiações epistemológicas descoincidentes. Curioso é que apenas algumas destas expressões sejam alvo do efeito da dupla-hermenêutica (isto daria um estudo socio-antropológico delicioso). Ademais, a popularidade de alguns destes termos deve-se, entre outras coisas, à sua «vacuidade». Já o sublinhava Claude Grignon, sociólogo especialista nas questões alimentares. Dizia o autor que: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Les concepts «lourds», comme «mutation», «modernisation», «industrialisation» ou «urbanisation», auxquels on fait souvent appel pour rendre compte des tendances lourdes, déblaient si énergiquement le terrain vague où ils font se rencontrer la sociologie, l’économie et l’histoire qu’il serait bien étonnant qu’on puisse encore distinguer quelque chose après leur passage.” &lt;/em&gt;(Grignon, 1986: 132). [esta passagem notável de Grignon, obscura e pouco conhecida, devo-a ao labor «arqueológico» de Luis Soares, meu amigo, colega de faculdade e companheiro de viagens sociológicas]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica o reparo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Giddens, Anthony (1992), &lt;em&gt;As Consequências da Modernidade&lt;/em&gt;, Oeiras: Celta&lt;br /&gt;Giddens, Anthony (1994), &lt;em&gt;Modernidade e Identidade Pessoal&lt;/em&gt;, Oeiras: Celta (a tradução para o português desta obra foi feita pelo antropólogo-blogger &lt;a href="http://valedealmeida.blogspot.com/"&gt;Miguel Vale de Almeida&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;Grignon, Claude (1986), «Les Modes Gastronomiques a la Française», &lt;em&gt;L’Histoire&lt;/em&gt;, Nº 85.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105629340367905116?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105629340367905116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105629340367905116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_06_22_archive.html#105629340367905116' title='As Sociedades Contemporâneas'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105628421530364911</id><published>2003-06-22T13:16:00.000+01:00</published><updated>2003-08-14T12:16:18.330+01:00</updated><title type='text'>A Corrosão do Carácter</title><content type='html'>Com a recente decisão do Tribunal Constitucional relativa ao novel código do trabalho, o tema voltou a surgir em força nos órgãos de informação. O debate em torno desse assunto tem sido, até agora, algo vazio, confrontacional (o último «Expresso da Meia Noite» foi disso um bom exemplo) mas, sobretudo, incompleto. Sociologicamente, considero peculiar que as mudanças na esfera do trabalho (que as há, com ou sem legislação a acompanha-las) não encontrem correspondência nos discursos dos intervenientes (autoridades, empregadores e sindicatos), ainda demasiado apegados às velhas categorias de pensamento. Acho ainda curioso que nesse debate pouco se fale da emergência de novas modelos a substituir as formas modernas de trabalho, das mudanças na ética de trabalho, da consolidação de uma nova cultura profissional, da reestruturação dos tempos, e, sobretudo, dos impactes, efeitos e consequências pessoais introduzidos por essas mudanças. Com efeito, estes temas derivados, incontornáveis, têm sido sistematicamente - cronicamente - negligenciados ou secundarizados. A sociologia, e restantes ciências sociais, também têm a sua quota parte de culpas, pois mesmo aí estes temas têm sido pouco explorados. Há, contudo, excepções. Parte significativa destas questões é explorada por &lt;a href="http://www.lse.ac.uk/collections/sociology/whoswho/sennett.htm"&gt;Richard Sennett&lt;/a&gt;, o reputado sociólogo norte-americano (actualmente na &lt;em&gt;London School of Economics&lt;/em&gt;), no ensaio &lt;em&gt;'A Corrosão do Carácter: As Consequências Pessoais do Trabalho no Novo Capitalismo' &lt;/em&gt;(2001), (notavelmente) prefaciado pelo consagrado Carlos Fortuna. Sennett fornece-nos, com lucidez e perspicácia, pistas fundamentais para a compreensão das mudanças, sociais e culturais, na esfera do trabalho e, sobretudo, os seus impactes sobre os sujeitos. Fica a sugestão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sennett, Richard (2001), &lt;em&gt;A Corrosão do Carácter: As Consequências Pessoais do Trabalho no Novo Capitalismo&lt;/em&gt;, Lisboa: Terramar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105628421530364911?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105628421530364911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105628421530364911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_06_22_archive.html#105628421530364911' title='A Corrosão do Carácter'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105617265252890518</id><published>2003-06-21T06:17:00.000+01:00</published><updated>2003-08-14T12:15:46.050+01:00</updated><title type='text'>Cunhal, Prisões e Solidão</title><content type='html'>Na sequência do meu comentário-objecção ao argumento dos «dois tempos» de José Pacheco Pereira. O autor desenvolveu esse argumento nos blogues &lt;a href="http://abrupto.blogspot.com/"&gt;Abrupto &lt;/a&gt;e &lt;a href="http://www.estudossobrecomunismo.blogspot.com/"&gt;Estudos Sobre o Comunismo&lt;/a&gt;. Vale a pena ler, com atenção, o que diz. E vale a pena, também, explorar alguns dos eixos de debate induzidos por esta discussão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;O meu problema é que lido com um caso individual, não generalizável, de um preso político, altamente motivado, numa cadeia de presos comuns, numa situação de isolamento sui generis, que tem que ser analisado como político, mas também como homem que está preso, sujeito aos efeitos e perversões da vida carcerária. Tento fazê-lo em dois capítulos do livro, um dos quais intitulado provisoriamente ?estratégias contra a solidão?. Quando li a literatura sobre o encarceramento e os seus efeitos, era para mim claro que alguns dos efeitos de interiorização do regime prisional aí descritos, alguns inclusive de identificação com a instituição prisional, não se verificavam dada a força de resistência psicológica do preso, fruto da sua personalidade e da motivação política e ideológica. Mas, nem tudo era assim tão simples. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, mesmo aqui, tive que me defrontar com a diferença entra a situação dos presos políticos numa cadeia onde só há presos políticos (Peniche ou o Tarrafal por exemplo) e em que estes se defendem da institucionalização criando uma ?contra-sociedade? na prisão (aulas, estudo em comum, caixa de solidariedade, actividades partidárias, direcção política das actividades, hierarquia própria ), com o caso de Cunhal que permaneceu longos períodos de prisão isolado. Aí não há esse efeito de ?contra-sociedade? limitando os efeitos da ?instituição total?.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por último, a percepção do tempo vivido, sendo psicológica, é também neste caso, afectada pela importância de uma filosofia individual da acção, impregnada pela história, que corre ? cá fora.&lt;/em&gt;" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com efeito, de acordo com os pormenores que avança, é notório que o caso de Cunhal constitui um caso singular. Mais: um caso invulgar. E, por isso, como sugere, suponho também que este será um dos raros casos em que não se observa o processo clássico de «&lt;em&gt;transformação do 'eu individual' no 'eu institucional'&lt;/em&gt;» (Goffman) associado a instituições totais. O que este caso tem de apaixonante, sociologicamente, é precisamente a forma como mostra como determinantes específicas condicionam, decisivamente, a experiência de reclusão (neste caso, o que Pacheco Pereira designa de «filosofia individual da acção», «resistência psicológica» e «motivação política e ideológica»). Por conseguinte, constituiria uma oportunidade sociológica ímpar para o campo da sociologia das prisões e do encarceramento poder aplicar boa parte do arsenal de análises de conteúdo disponíveis no instrumentário das ciências sociais (análises categoriais, análises avaliativas, análises de co-ocorrências, análises da expressão, análises de enunciação, etc...) a materiais etnográficos/ históricos como diários, correspondência ou textos de Cunhal onde fosse mencionada, explicitamente, a experiência de reclusão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acresce que, neste contexto, parece poder justificar-se o argumento inicial de Pacheco Pereira onde era sustentada a existência de dois tempos diversos (o dentro e o fora). Esse argumento vai, aliás, de encontro ao que, por exemplo, sustenta J. J. Semedo Moreira quando preconiza que "&lt;em&gt;[a] condição de preso, ateando embora emoções diferentes, é redutível a um mínimo denominador comum de paragem do tempo, durante a qual [os reclusos] se sentem do outro lado da vida e das transformações sociais que mais tarde, quando saírem, virão a encontrar&lt;/em&gt;" (Moreira, 1994: 121). Nessa situação, parece então verificar-se a tal sensação recorrente de um tempo lento (senão mesmo parado ou inerte), atribuível ao facto de haver uma dissociação, parcial ou total, face à realidade exterior e de não haver uma vivência ou experiência das transformações sociais no mundo exógeno. Como diria Jean Marc Varaut: "&lt;em&gt;Le monde change et on ne le voit pas changer&lt;/em&gt;." (Varaut in Moreira, 1994: 122). Conseguintemente, a julgar pelo material que JPP aparenta ter já analisado, parece justificar-se a intuição inicial de JPP e, portanto, as possibilidades alternativas que levanto na minha objecção parecem não se aplicar neste caso em concreto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ademais, no decurso da sua argumentação, JPP refere, ainda, um objecto de estudo apaixonante: a solidão no processo de encarceramento. No caso em causa, solidão forçada... Mas há muitos casos de solidão desejada. Aqui, mais uma vez, as reacções ao «fechamento» são muito diversificadas. Se muitos reclusos parecem manifestar uma preferência pelos espaços colectivos (de trabalho, convívio e recreio), falando em entrevistas, com visível consternação, da solidão, isolamento e sofrimento decorrentes do encarceramento celular; já outros revelam uma preferência por um dos poucos espaços (muitas vezes o único) que podem pessoalizar, personalizar e individuar no meio prisional: a cela. Por exemplo, um dos ex-reclusos que inquiri confessava que, para si, "&lt;em&gt;a cela era um espaço de liberdade&lt;/em&gt;", logo acrescentando que "&lt;em&gt;às vezes era um alívio quando se fechava&lt;/em&gt;" (Ex-recluso). Um companheiro seu, com uma atitude não muito distante, dizia: "&lt;em&gt;Eu queria era estar fechado na minha cela: 'Esqueçam-me. Deixem-me ficar.' Eu não queria ver ninguém. (...) Ali estava no meu mundo com as minhas coisas: 'Quero dormir, quero comer, quero ler, quero escrever, quero descansar, quero ver televisão'. A minha cela era o meu espaço de liberdade&lt;/em&gt;." (Ex-recluso). [atente-se, nestes casos, ao peculiar e paradoxal facto da cela constituir, para muitos reclusos, um espaço de liberdade]. Estas constatações, remetem-nos para uma série de questões que seria pertinente explorar, de um ponto de vista sociológico, no caso particular de Cunhal. Em que medida o isolamento imposto, correspondia a uma solidão desejada? Será que o isolamento correspondia, necessariamente, a um sentimento de solidão? Será que «estratégias contra o isolamento» e «estratégias contra a solidão» podem ser tomadas como equivalentes? Que emoções surgiram, neste caso, associadas ao isolamento (angústia, melancolia, rancor, raiva, indiferença, impassibilidade, frieza, tensão, desânimo, apatia, tédio, medo, etc...)? Como é que evoluiram, no decurso do processo de encarceramento, as emoções associadas ao isolamento? Que variações apresentam? Essas questões, resultando do cruzamento de uma sociologia das emoções com uma sociologia das prisões e do encarceramento, parecem constituir bons portos de ancoragem para uma análise sociológica. Fica a proposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moreira, J. J. Semedo (1994), &lt;em&gt;Vidas Encarceradas. Estudo Sociológico de uma Prisão Masculina&lt;/em&gt;, Lisboa: Centro de Estudos Judiciários.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105617265252890518?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105617265252890518'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105617265252890518'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_06_15_archive.html#105617265252890518' title='Cunhal, Prisões e Solidão'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105615786316347788</id><published>2003-06-21T02:11:00.000+01:00</published><updated>2003-08-14T12:15:03.376+01:00</updated><title type='text'>Obrigado Abrupto! Obrigado Ponto Media!</title><content type='html'>O Socio[B]logue foi alvo de comentários atenciosos por parte de José Pacheco Pereira no &lt;a href="http://abrupto.blogspot.com/"&gt;Abrupto&lt;/a&gt; e de António Granado no &lt;a href="http://ciberjornalismo.com/pontomedia.htm"&gt;Ponto Media&lt;/a&gt;. Perdoe-se o «umbiguismo» das transcrições:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;" MAIS UM que não fala sempre do mesmo: o Socio[B]logue do João Nogueira, meu interlocutor sobre prisões, solidões, e tempos árduos. (...) O Socio[B]logue contribui, em conjunto com muitos dos blogues aparecidos no último mês e com os melhores dos pioneiros que já cá estavam, para que a blogosfera não tenha centro e funcione pela lei dos grandes números, oscilando num e noutro sentido, exercendo o seu efeito nos que nela entram de muitas e variadas maneiras. Cintilando."&lt;/em&gt; (Abrupto)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;O Socio[B]logue nasceu hoje e promete...&lt;/em&gt;" (Ponto Media)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigado José Pacheco Pereira e António Granado, pelos comentários simpáticos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105615786316347788?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105615786316347788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105615786316347788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_06_15_archive.html#105615786316347788' title='Obrigado Abrupto! Obrigado Ponto Media!'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105615712978956301</id><published>2003-06-21T01:58:00.000+01:00</published><updated>2003-08-14T12:14:32.346+01:00</updated><title type='text'>Eles Vivem!</title><content type='html'>O debate em torno do Fórum Social Português (FSP) veio, entre outras coisas, levantar uma (interessante) discussão onde têm vindo a intervir no espaço público alguns dos «pesos pesados» das ciências sociais em Portugal. Ao repto inicial de &lt;a href="http://www.ces.fe.uc.pt/opiniao/bss/080.php"&gt;Boaventura Sousa Santos &lt;/a&gt;(«O Fórum Social Português», Visão, 12 de Junho de 2003), seguiu-se &lt;a href="http://jornal.publico.pt/publico/2003/06/13/EspacoPublico/O03.html"&gt;Maria Filomena Mónica &lt;/a&gt;(«Eles São Perigosos», O Público, 13 de Junho de 2003) e, agora, &lt;a href="http://www.dn.lusomundo.net/cronica/mostra_cronica.asp?codCronica=5027&amp;codEdicao=722"&gt;Manuel Villaverde Cabral &lt;/a&gt;(«Fantasias e Fantasmas», Diário de Notícias, 20 de Junho de 2003). Aguardam-se novos desenvolvimentos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105615712978956301?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105615712978956301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105615712978956301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_06_15_archive.html#105615712978956301' title='Eles Vivem!'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105612980647384290</id><published>2003-06-20T18:23:00.000+01:00</published><updated>2003-06-21T04:10:34.683+01:00</updated><title type='text'>Marcelo e o «Zapping Cultural»</title><content type='html'>Anda meio mundo na blogosfera fascinado com a &lt;strong&gt;intrigante &lt;/strong&gt;«capacidade de leitura» do professor Marcelo Rebelo de Sousa (questiono-me se seleccionei o adjectivo adequado). Não constituo excepção. Depois de &lt;a href="http://gatofedorento.blogspot.com/"&gt;Ricardo de Araújo Pereira&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://abrupto.blogspot.com/"&gt;José Pacheco Pereira&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.aviz.blogspot.com/"&gt;Francisco José Viegas&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://textosdecontracapa.blogspot.com/"&gt;Nelson de Matos&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.periferica.org/blog/"&gt;Fernando Gouveia&lt;/a&gt;, quero também retomar o tema. Proponho, todavia, um ponto de vista diverso do que têm prevalecido. Considero que estamos perante um «facto sociológico» de relevo. MRS constitui, porventura, o ponto paroxal dos tempos de «zapping cultural» que estamos a viver (a expressão, segundo sei, é da socióloga Idalina Conde). Alguns sociólogos têm chamado a atenção para o facto da multiplicação das referências e a explosão da informação ter gerado um desconcertante efeito de «info-overload», cujas consequências imediatas seriam uma espécie, mais ou menos profunda, de «zapping cultural». Qualquer cientista social já o sentiu na pele. Com um número cada vez mais elevado de publicações disponíveis, a construção de quadros (teórico-conceptuais) de referência e a revisão do «state of the art» da literatura sobre um determinado tema, têm-se caracterizado por uma crescente diminuição da profundidade analítica, em detrimento da necessidade de cobrir a extensa pluralidade de referências e debates (a qualidade cede à quantidade, a extensividade sobrepõe-se à intensidade). A sociologia não é excepção. Neste caso, poder-se-ía mesmo arriscar dizer que a «sociologia» está a ser crescentemente substuída por uma «sociografia» (no sentido da perda de profundidade). Conseguintemente, o tempo ameaça transformar-se de «condição» num «problema». Não me desejo arvorar num crítico social (ao jeito de um «&lt;em&gt;zeitdiagnostiker&lt;/em&gt;» alemão: Simmel, Benjamin, Adorno, Horkheimer, Marcuse, Bauman...), nem num fazedor de «sociologia espôntanea», mas essa questão merece, pelo menos, alguma atenção sociológica. Ray Bradbury quando escreveu a sua notável obra distópica «&lt;em&gt;Fahrenheit 451&lt;/em&gt;» não antecipou este problema: um mundo com livros demais para que cada «resistente» pudesse decorá-lo. Não será, quiçá, despiciendo dizer que a cultura &lt;em&gt;de &lt;/em&gt;massas está a dar lugar a uma cultura &lt;em&gt;em &lt;/em&gt;massa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual a relação deste fenómeno com MRS? Bem, MRS leva esta lógica às suas últimas consequências. Ele reduz as referências às obras ao título e a uma ou outra palavra (quando é generoso)... além de denunciar o tique (pós-modernista??) de indicar obras sem um nexo de ligação entre elas (aguardo com impaciência o dia em que iremos ser presenteados pelo desconcertante professor com listas de manuais escolares, livretes de aforismas, catálogos da «La Redoute», mapas, manuais de instruções e afins publicações). Num mundo tão cheio de informação, torna-se fundamental a «selecção» da informação... MRS limita-se a bombardear-nos com dados. É pena. Uma lista, uma boa lista (criteriosa e judiciosa), pode ser um «objecto» mobilizador. MRS não é, apenas, um (des)leitor famigerado. É, antes, uma imagem daquilo em que poderemos transformar-nos. Fica a preocupação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do apontamento sociológico não resisto a reproduzir dois comentários hilariantes sobre MRS. O primeiro é de  &lt;a href="http://gatofedorento.blogspot.com/"&gt;Ricardo de Araújo Pereira (Gato Fedorento)&lt;/a&gt;, e o segundo de &lt;a href="http://abrupto.blogspot.com/"&gt;José Pacheco Pereira (Abrupto)&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://gatofedorento.blogspot.com/"&gt;Ricardo de Araújo Pereira&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Seja qual for a remuneração que o prof. Marcelo Rebelo de Sousa aufere pela coluna «Li e Gostei», que escreve na revista «Os Meus Livros», esse é o dinheiro mais bem ganho da imprensa portuguesa. E é uma quantia que, tenho a certeza, enfurece o pobre estagiário que passa a limpo a lista de títulos a lançar no mês em curso ? aliás apropriadamente publicada ao lado da coluna do prof. Marcelo ? e que é tão estimulante como o texto do professor. &lt;br /&gt;Na coluna deste mês (referente, portanto, às leituras que fez no mês passado), ficamos a saber que, nos 28 dias de Fevereiro último, o prof. Marcelo leu e gostou de (eu contei) 57 livros, uma revista e um calendário. E da coluna não constam, como se percebe pelo título, as obras que o professor leu e não gostou. (Ideias para crónicas do prof. Marcelo em futuros números da «Os Meus Livros»: "Li e Não Gostei", "Li Até Meio e Depois Acendi a Lareira Com Eles", "Vi na Livraria e Até Me Interessou Mas Não Me Dava Jeito Comprar Nessa Altura de Maneiras Que Ficou Para Uma Próxima".) &lt;br /&gt;Apesar das duas páginas a que tem direito, os títulos são tantos que o professor quase não diz uma palavra sobre os livros. E, quando diz, é mesmo só isso: uma palavra. Que, normalmente, tanto pode ser aplicada ao livro em causa como a outra coisa qualquer, tal como um vinho ou um frasco de perfume. São observações do género: «De Eça de Queirós, li "Os Maias" (excepcional); de Camilo, "O Esqueleto" (inebriante); e de Aquilino, "O Romance da Raposa" (fresquinho).»&lt;br /&gt;Um mérito ninguém tira ao professor: valoriza o trabalho das pequenas editoras, com particular destaque, é certo, para a editorial Minerva (arrisco dizer que o professor lê tudo o que esta editora publica), mas sem deixar de estar atento à actividade de uma Editorial Maresias, da O Mirante, da Liga dos Amigos de Sesimbra e da Paróquia da Maia (juro que é verdade). &lt;br /&gt;Mas nem tudo é aborrecido e inútil na coluna: no número de Setembro de 2002, o prof. Marcelo fez, na minha opinião, a sua melhor sugestão de leitura de sempre e, como assim era, dedicou, não uma, mas três palavras entre parêntesis à obra em apreço: «de Maria de Lourdes Brázio Tavares Monteiro, "A Mais Honrada Aldeia do Reino" (o Fundão intimista)». Já farto (como a generalidade dos leitores, suponho) de livros sobre a dimensão mais pública e mediática do Fundão, precipitei-me para as livrarias para adquirir a obra que dá a conhecer o lado mais intimista da localidade, antes que esgotasse. E depois, evidentemente, li e gostei."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://abrupto.blogspot.com/"&gt;José Pacheco Pereira&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Só agora reparei que a coluna habitual de Marcelo Rebelo de Sousa na revista se chama "Li e gostei". Na lista dos "lidos" deste mês estão sessenta e cinco livros, mais de dois por dia, incluindo o Dicionário Prático para o Estudo do Português e Gestão de Serviços. A Avaliação de Qualidade. Isso é que é "ler"! A coluna devia era chamar-se "Faço listas de livros e gosto". Ele e Os Meus Livros. Depois queixem-se da banalização da leitura."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr size="-1"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;LinktoComments('&lt;$BlogItemNumber$&gt;')&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;noscript&gt;&lt;a href="http://enetation.co.uk//comments.php?user=socioblog&amp;commentid=&lt;$BlogItemNumber$&gt; "&gt;Comment&lt;/a&gt;&lt;/noscript&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105612980647384290?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105612980647384290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105612980647384290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_06_15_archive.html#105612980647384290' title='Marcelo e o «Zapping Cultural»'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105610521827615736</id><published>2003-06-20T11:33:00.000+01:00</published><updated>2003-07-22T20:33:02.606+01:00</updated><title type='text'>A Prisão e a Percepção da Passagem do Tempo</title><content type='html'>Ontem, José Pacheco Pereira escreveu, no seu blogue &lt;a href="http://abrupto.blogspot.com/"&gt;Abrupto&lt;/a&gt;, o seguinte: &lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Estou a escrever um livro (talvez acabe estas férias) que tem um problema complicado a resolver. É um livro sobre um homem que está preso onze anos, cuja vida no mundo carcerário é controlada ao milímetro, e cujos gestos possíveis e permitidos representam uma rotina imposta à força. Apitos, acender e apagar de luz, horários impiedosos. A prisão é, nos primeiros anos, uma materialização arquitectónica de uma ideia filosófica: o Panopticon de Bentham. Feita para tudo ser visto a partir de um olho central, o local último do poder. A "estrela de seis pontas". Depois de quase um ano, em que não foi autorizado a fazer nada, o homem lê, estuda, escreve, desenha e pinta. Cá fora há uma guerra, fria , mas guerra. Acontece tudo. O tempo é solto, é rápido, é o tempo da modernidade, acelerado. Como juntar num mesmo movimento tanta imobilidade e tanta rapidez?"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentário:&lt;br /&gt;Tenho estado a conduzir um estudo sociológico, nos últimos dois anos, sobre prisões e encarceramento. Permita-me, pois, caro JPP, que levante uma pequena objecção à dualidade temporal que evoca (entre o dentro e o fora). O tempo «dentro» não é «linear» (ou, se quisermos, «linearmente lento»), quando se procura fazer uma «fenomenologia da vida prisional». Com efeito, em boa parte das etnografias prisionais que li até hoje é notória a existência de diversas fases na percepção da passagem do tempo por parte de reclusos (sobretudo, em reclusos com penas de longa duração). Vejam-se, por exemplo, algumas breves passagens sobre o assunto nas etnografias prisionais clássicas ‘&lt;em&gt;The Prison Community&lt;/em&gt;’ (1940) de Donald Clemmer, ‘&lt;em&gt;The Society of Captives&lt;/em&gt;’ (1958) de Gresham Sykes, ‘&lt;em&gt;The Felon&lt;/em&gt;’ (1970) de John Irwin e  ‘&lt;em&gt;Stateville&lt;/em&gt;’ (1977) de James B. Jacobs. Entre nós, consulte-se o trabalho de Moreira (1994) e de Cunha (1996, 2002). E veja-se, a título exemplificativo, o que me dizia um ex-recluso condenado a uma pena relativamente extensa (9 anos) em sede de uma «entrevista biográfica» (história de vida/ estória de vida). Segundo a sua «experiência vivida» afirmava existirem três fases distintas na percepção da passagem do tempo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"O tempo na cadeia tem três fases. Tem a fase inicial que custa muito... de adaptação. O tempo custa muito a passar. Depois o do meio, passa-se num instante: 'O quê já passaram quatro anos...' Depois no final é a ansiedade,&lt;br /&gt;quando se aproxima a saída. Aí o tempo volta a ser muito lento. Mas na fase do meio nem se dá por ela passar. Não se vive, vegeta-se... A entrada custa a aceitar... A adaptação áquele ambiente, os problemas, a vida cá fora, o&lt;br /&gt;que se deixou, os crimes, as perspectivas de vida... às vezes pensa-se na evasão. Depois pensamos: 'Isto é uma fase de passagem... vamos lá ver se me aguento cá dentro'. É a parte mais difícil. Depois uma pessoa mentaliza-se... Passa muito rápido. Depois vem a ânsia de viver. A ânsia da liberdade." (Ex-recluso)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, de acordo com este ex-recluso, no período inicial, de adaptação à prisão, de assimilação da cultura penitenciária e de internalização dos tempos institucionais, o tempo custa muito a passar [&lt;em&gt;"Você não imagina como é acordar a noite inteira, olhar para o relógio e ver que só passou uma hora, às vezes meia... uma pessoa pode enlouquecer à espera do dia seguinte. É um tempo muito lento... muito lento. E custoso, obviamente." &lt;/em&gt;(Ex-recluso)]. Na fase que se segue, pontifica o sentimento do tempo parado e inerte, onde os rituais quotidianos são incorporados e os dias passam sem se dar conta. Na última etapa, regressa o tempo que custa muito a passar, devido à enorme ansiedade provocada pela proximidade da libertação. Ademais, esta percepção do tempo não é universal (e é, na verdade, algo teleológico argumentar que todos os reclusos passam por estas três fases) e muitos reclusos, apresentam diferentes maneiras de experienciar a passagem do tempo. As tempografias da experiência de reclusão são, por conseguinte, muito heterogéneas. Assim questiono-me porque tentar dar uma noção de imobilidade «lá dentro». Porque não dar uma noção menos linear da evolução da percepção do tempo lá dentro, com as suas flutuações, mutações, hesitações, etc...? Fica a sugestão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moreira, J. J. Semedo (1994), &lt;em&gt;Vidas Encarceradas. Estudo Sociológico de uma Prisão Masculina&lt;/em&gt;, Lisboa: Centro de Estudos Judiciários&lt;br /&gt;Cunha, Manuela Ivone (1996), &lt;em&gt;Malhas que a Reclusão Tece: Questões de Identidade numa Prisão Feminina&lt;/em&gt;, Lisboa: Centro de Estudos Judiciários&lt;br /&gt;Cunha, Manuela Ivone (2002), &lt;em&gt;Entre o Bairro e a Prisão: Tráfico e Trajectos&lt;/em&gt;, Lisboa: Fim de Século&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota Adicional: Mas, claro, isto trata-se (apenas) de um trabalho exploratório de um estudante de sociologia e, por isso, os resultados que dele provém devem ser tratados com algumas reservas.&lt;br /&gt;&lt;hr size="-1"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;LinktoComments('&lt;$BlogItemNumber$&gt;')&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;noscript&gt;&lt;a href="http://enetation.co.uk//comments.php?user=socioblog&amp;commentid=&lt;$BlogItemNumber$&gt; "&gt;Comment&lt;/a&gt;&lt;/noscript&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105610521827615736?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105610521827615736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105610521827615736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_06_15_archive.html#105610521827615736' title='A Prisão e a Percepção da Passagem do Tempo'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105610310119245819</id><published>2003-06-20T10:58:00.000+01:00</published><updated>2003-06-20T18:41:08.100+01:00</updated><title type='text'>Foucault e a Solidão do Acrobata</title><content type='html'>A «humildade científica» é, porventura, dos atributos mais difíceis de encontrar (e, reconheça-se, de concretizar). Há, todavia, excepções. Excepções notáveis. Num lendário artigo do repórter do jornal ‘Nouvel Observateur’, Gérard Petitjean (publicado a 7 de Abril de 1975), o jornalista apresentava um pequeno (e notável) episódio sobre os concorridos cursos de Michel Foucault (1926-1984) no Collége de France: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Quando Foucault entra na arena, rápido, dinâmico, como alguém que se lança na água, passa por cima dos corpos para atingir sua cátedra, repele os gravadores para colocar os seus papéis, retira o paletó, acende uma lâmpada e começa, a cem por hora. Voz forte, eficaz, retransmitida por alto-falantes, única concessão ao modernismo de uma sala mal iluminada por uma luz que sobe por arandelas de estuque. Há trezentos lugares e quinhentas pessoas apinhadas, tapando o menor espaço livre [...] Nenhum efeito oratório. É límpido e terrivelmente eficaz. Sem a menor concessão à improvisação. Foucault tem doze horas por ano para explicar, em curso público, a direcção de sua pesquisa durante o ano que acabou de findar. Então, comprime ao máximo e preenche as margens como os correspondentes que ainda têm muito o que dizer quando chegaram ao fim de sua folha. 19:45. Foucault pára. Os estudantes correm para a sua escrivaninha. Não para falar-lhe, mas para desligar os gravadores. Sem perguntas. Na confusão, Foucault está sozinho.” E Foucault comenta: “Seria preciso poder discutir o que propus. Algumas vezes, quando o curso não foi bom, seria preciso pouca coisa, uma pergunta, para reordenar tudo. Mas essa pergunta nunca vem. Na França, o efeito de grupo torna qualquer discussão real impossível. E, como não há canal de retorno, o curso fica teatral. Tenho uma relação de ator ou de acrobata com as pessoas que estão presentes. E, quando acabei de falar, uma sensação de solidão total...” &lt;/em&gt;(Petitjean in Foucault, 2000: xi).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Goste-se, ou não, do autor francês é difícil não reconhecer a humildade das suas palavras. Fica o exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foucault, Michel (2000), &lt;em&gt;Em Defesa da Sociedade&lt;/em&gt;, São Paulo: Martins Fontes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr size="-1"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;LinktoComments('&lt;$BlogItemNumber$&gt;')&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;noscript&gt;&lt;a href="http://enetation.co.uk//comments.php?user=socioblog&amp;commentid=&lt;$BlogItemNumber$&gt; "&gt;Comment&lt;/a&gt;&lt;/noscript&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105610310119245819?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105610310119245819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105610310119245819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_06_15_archive.html#105610310119245819' title='Foucault e a Solidão do Acrobata'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5495483.post-105607302978364439</id><published>2003-06-20T02:37:00.000+01:00</published><updated>2003-06-20T16:30:03.330+01:00</updated><title type='text'>Socio[B]logue: Apresentação</title><content type='html'>Num dos seus mais conhecidos ensaios, ‘Marginalia’, E. A. Poe (1809-1849), debruçava-se, de forma eloquente, sobre o seu fascínio pelas anotações, apontamentos e comentários com que coloria abundantemente as margens dos seus livros. Essas notas anódinas – nas suas palavras ‘scribblings’, ‘pencillings’ e ‘marginal jottings’ – constituíam, em sua opinião, lembretes imprescindíveis na reconstituição do texto; embora se tornassem desprovidos de significado e ininteligíveis se separados, isolados ou subtraídos do seu contexto original. Este blogue é, também, ou sobretudo, de alguma forma, uma compilação desses ‘scribblings’, ‘pencillings’ e ‘marginal jottings’ que tanto fascinavam Poe. Sociológicos, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr size="-1"&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;LinktoComments('&lt;$BlogItemNumber$&gt;')&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;noscript&gt;&lt;a href="http://enetation.co.uk//comments.php?user=socioblog&amp;commentid=&lt;$BlogItemNumber$&gt; "&gt;Comment&lt;/a&gt;&lt;/noscript&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5495483-105607302978364439?l=socioblogue.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105607302978364439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5495483/posts/default/105607302978364439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://socioblogue.blogspot.com/2003_06_15_archive.html#105607302978364439' title='Socio[B]logue: Apresentação'/><author><name>Joao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16773207511646567350</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
